sobre o Estatuto da Mulher

ONU debate justiça e igualdade na 70ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher

As Nações Unidas iniciaram nesta segunda-feira a 70ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW70), considerada a maior reunião anual dedicada à promoção da igualdade de género e à defesa dos direitos das mulheres no mundo.

O encontro reúne representantes de Estados-membros, organizações da sociedade civil, juventude, setor privado e organizações não-governamentais, com debates que se estendem até 19 de março na sede da organização internacional.

Justiça para mulheres e meninas no centro do debate

A edição de 2026 decorre sob o lema “Garantir e reforçar o acesso à justiça para todas as mulheres e meninas”, destacando a necessidade de fortalecer sistemas jurídicos mais inclusivos, equitativos e capazes de proteger plenamente os direitos femininos.

Segundo a ONU Mulheres, apesar de avanços significativos em vários países, a igualdade perante a lei continua distante para grande parte da população feminina mundial. Estimativas indicam que mulheres e meninas possuem apenas cerca de 64% dos direitos legais garantidos aos homens.

Neste contexto, o evento procura discutir estratégias para eliminar leis, políticas e práticas discriminatórias, bem como enfrentar barreiras estruturais que limitam o acesso à justiça.

Reformas legais criam novas oportunidades

Um dos pontos destacados no relatório apresentado pelo secretário-geral da ONU aponta que reformas legais em vários países — especialmente nas áreas de casamento, divórcio, propriedade e herança — já permitiram abrir mais de 600 milhões de oportunidades económicas para mulheres e meninas em todo o mundo.

Ainda assim, a organização alerta que persistem desafios importantes, incluindo desigualdade salarial, violência baseada no género e práticas discriminatórias que continuam a limitar a autonomia feminina em diversas regiões.

Desafios emergentes no mundo digital

Entre os novos temas em debate está o impacto da tecnologia sobre os direitos das mulheres. A ONU chama atenção para o aumento de conteúdos abusivos online, incluindo imagens manipuladas por inteligência artificial (deepfakes) que, na maioria dos casos, têm mulheres como alvo.

Para a organização, a tecnologia deve ser utilizada como instrumento de inclusão e desenvolvimento, exigindo medidas globais que combatam abusos digitais e assegurem maior proteção às vítimas.

Cinco prioridades apontadas pela ONU

O relatório apresentado na sessão destaca cinco ações prioritárias para reforçar o acesso das mulheres à justiça:

  1. Combater a impunidade, responsabilizando agressores e aplicando plenamente as leis.
  2. Promover reformas legais, eliminando normas discriminatórias.
  3. Financiar os sistemas de justiça, incluindo assistência jurídica para vítimas.
  4. Apoiar organizações femininas, que atuam na defesa de direitos e apoio às sobreviventes.
  5. Usar tecnologia e dados para o bem, garantindo inovação, transparência e combate ao abuso digital.

Enquadramento editorial

No contexto das celebrações do Dia Internacional da Mulher e do mês dedicado às mulheres, o PRESS.digi continuará a acompanhar e promover temas relacionados com igualdade de género, cidadania e participação de inclusão social feminina.

Dentro da sua linha editorial voltada para cultura, arte e desenvolvimento social, o canal pretende desenvolver uma série de reportagens e conteúdos documentais que valorizem o papel das mulheres em diferentes sectores da sociedade, tanto em Angola como no espaço internacional.

A abordagem pretende contribuir para ampliar o debate público, fortalecer a consciência social e dar visibilidade às histórias, desafios e conquistas das mulheres nas suas múltiplas dimensões — culturais, económicas, comunitárias e institucionais.