Biografia lançada em Luanda resgata o percurso, pensamento e legado de uma das figuras mais influentes da cultura e comunicação em Angola
LANÇAMENTO MARCA MEMÓRIA E RECONHECIMENTO
A biografia do jornalista e homem de cultura Américo Gonçalves, conhecido pelo pseudónimo Ocirema, é lançada em Luanda, no anfiteatro do Hotel Diamante, numa data simbólica em que o autor completaria 76 anos de vida.
A obra, da autoria da jornalista portuguesa Olga Leite, resulta de um processo de investigação aprofundado que se estendeu por dois anos, reunindo testemunhos, arquivos e memórias que ajudam a reconstruir o percurso de uma das figuras mais marcantes do jornalismo cultural angolano.
UM RETRATO PROFUNDO DE UM HOMEM DE CULTURA
Com cerca de 367 páginas, o livro apresenta uma leitura detalhada da vida e obra de Américo Gonçalves, reunindo mais de 30 testemunhos de escritores, artistas plásticos, académicos e profissionais da comunicação social, nacionais e internacionais.
A apresentação da obra conta com vozes reconhecidas do jornalismo e da literatura, reforçando a dimensão colectiva da homenagem a um homem que dedicou a vida à cultura, à palavra e ao pensamento crítico.
MINI BIOGRAFIA | AMÉRICO OCIREMA
Américo Gonçalves (1950–2014), amplamente conhecido como Ocirema, foi uma figura incontornável do jornalismo e da cultura em Angola.
Apelidado como o “pai do jornalismo cultural angolano”, destacou-se pelo seu contributo na valorização da produção literária e artística nacional, tendo sido responsável pelo suplemento Vida & Cultura, um dos mais duradouros e influentes espaços de divulgação cultural no país.
Ao longo da sua trajectória, fundou jornais como o Angolense e A Capital, participando activamente na construção de uma imprensa mais plural e interventiva no período pós-independência.
Foi também professor, colaborador de diversos órgãos de comunicação social e produtor de conteúdos radiofónicos, com destaque para programas como Reencontrar África e Afrikhya, contribuindo para a afirmação da identidade cultural africana.
No campo cultural, teve um papel determinante no estímulo às Brigadas Jovens de Literatura e ao movimento Ohandanji, ajudando a formar novas gerações de escritores e pensadores.
Entre os reconhecimentos recebidos, destacam-se o Prémio Maboque de Jornalismo (2010) e condecorações póstumas atribuídas pelo Estado angolano, incluindo a distinção na classe Paz e Desenvolvimento, em 2025.
LEGADO QUE ULTRAPASSA GERAÇÕES
A obra agora lançada não se limita a uma narrativa biográfica, mas assume-se como um documento histórico sobre a evolução do jornalismo e da cultura em Angola, evidenciando o papel de Ocirema na construção de um pensamento livre e crítico.
O seu contributo permanece vivo nas práticas editoriais, nos movimentos literários e na forma como a cultura é pensada e comunicada no país.
NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI
Resgatar a memória de Américo Ocirema é revisitar uma das bases estruturantes do pensamento cultural angolano. A sua trajectória revela que o jornalismo, quando comprometido com a cultura, deixa de ser apenas um veículo de informação e passa a ser instrumento de transformação social.
O impacto social do seu legado reside na formação de consciências críticas, na valorização da identidade nacional e na criação de espaços de expressão para novas gerações.
Num contexto em que a cultura enfrenta desafios de afirmação e sustentabilidade, revisitar figuras como Ocirema torna-se um exercício necessário para compreender o presente e projectar o futuro.
A sua vida demonstra que investir na cultura é investir na memória, na educação e na construção de uma sociedade mais consciente e participativa.
Mais do que uma homenagem, esta biografia surge como um convite à continuidade — para que novas vozes assumam o compromisso de pensar, escrever e transformar Angola através da cultura.
FONTE: Nacional
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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