Angola intensifica combate aos fluxos financeiros ilícitos em aliança estratégica com a ONU

Cooperação reforçada em Nova Iorque posiciona o país na linha da frente da transparência, recuperação de activos e desenvolvimento sustentável

DIPLOMACIA ECONÓMICA GANHA NOVO IMPULSO

Angola reforçou, esta quinta-feira, em Nova Iorque, a cooperação com a Organização das Nações Unidas (ONU) no combate aos fluxos financeiros ilícitos e na recuperação e repatriamento de activos, numa agenda que ganha cada vez mais centralidade no quadro do desenvolvimento global.

O avanço desta parceria foi consolidado durante o encontro entre o ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio da Fonseca, e o assistente do Secretário-Geral para o Desenvolvimento Económico do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA), Navid Hanif.


TRANSPARÊNCIA E DESENVOLVIMENTO COMO PILARES

Durante a reunião, Angola reafirmou a importância estratégica do combate aos fluxos financeiros ilícitos como instrumento fundamental para a mobilização de recursos internos, o reforço da transparência e a consolidação das instituições públicas.

O país destacou, igualmente, o seu compromisso com os principais instrumentos internacionais, com realce para a adesão à Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, desde 2006, e a participação activa nos processos multilaterais ligados ao financiamento para o desenvolvimento, incluindo o recente Compromisso de Sevilha.


COOPERAÇÃO TÉCNICA E SOLUÇÕES CONCRETAS

As duas partes convergiram na necessidade de aprofundar a cooperação internacional, apostando no apoio técnico especializado, na partilha de boas práticas e na construção de mecanismos mais coordenados dentro do sistema das Nações Unidas.

O encontro evidenciou também a urgência de avançar para soluções práticas e orientadas para resultados, capazes de responder de forma eficaz aos desafios globais associados à fuga de capitais e à recuperação de activos.


ANGOLA NO EIXO DO MULTILATERALISMO

Com esta iniciativa, Angola reforça o seu posicionamento no cenário internacional como um actor comprometido com o multilateralismo e com a construção de uma economia global mais justa, transparente e inclusiva.


NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI

O combate aos fluxos financeiros ilícitos representa, hoje, uma das mais importantes batalhas silenciosas no caminho para o desenvolvimento sustentável em África. Para Angola, esta agenda não é apenas técnica ou institucional — é profundamente social.

Cada recurso desviado ou não recuperado traduz-se em menos escolas, menos hospitais, menos oportunidades para a juventude. Por isso, o reforço da cooperação com a ONU deve ser entendido como um passo estratégico para devolver ao país a capacidade plena de investir no seu próprio crescimento.

A abordagem multilateral aqui assumida revela também uma maturidade política e diplomática, ao reconhecer que desafios globais exigem respostas coordenadas. No entanto, o verdadeiro impacto será medido na forma como estas iniciativas se traduzirem em benefícios concretos para os cidadãos.

Há igualmente um espaço fundamental para a participação de outros sectores, incluindo a comunicação social, a cultura e a educação, na promoção de uma nova consciência colectiva sobre integridade, transparência e cidadania económica.

Mais do que recuperar activos, trata-se de recuperar confiança — e essa é, talvez, a maior riqueza que qualquer nação pode reconstruir.


FONTE: Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao