Antiga rainha do União Mundo da Ilha dedica-se à transmissão do legado dos Axiluanda às novas gerações
CULTURA | PRESSDIGI
Num tempo em que a modernidade desafia as tradições, há figuras que se erguem como pontes entre o passado e o futuro. Tia “Loló”, antiga rainha do União Mundo da Ilha, é hoje uma dessas referências vivas da cultura angolana.
Guardião da memória colectiva de uma das agremiações mais tituladas do Carnaval de Luanda, com 14 vitórias, Tia “Loló” tem dedicado mais de quatro décadas à preservação da identidade cultural dos Axiluanda, transmitindo saberes que vão muito além da dança.
“Transformou a palavra falada num instrumento de preservação cultural.”
O seu trabalho centra-se na formação das novas gerações, ensinando não apenas os passos tradicionais, mas também o significado profundo das cores do grupo — amarelo, vermelho e branco — símbolos ligados à vida dos pescadores e das mamás da Ilha.
“Ensinar a história é garantir que a identidade não se perca com o tempo.”
Inseridas em iniciativas como o “Março Mulher”, estas acções reforçam o papel das mulheres como pilares da continuidade cultural, num contexto onde o Carnaval se afirma como uma das maiores expressões da identidade nacional.
O União Mundo da Ilha, fundado em 1968, continua a afirmar-se como referência incontornável, utilizando estas mentorias como estratégia para manter viva a essência histórica que se reflecte nos desfiles da Marginal de Luanda.
NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI
Classe: CULTURA
União Mundo da Ilha: tradição, resistência e identidade dos Axiluanda
O União Mundo da Ilha é mais do que um grupo carnavalesco — é um símbolo vivo da cultura luandense e da resistência identitária dos povos da Ilha.
Fundado em 1968, no coração da Ingombota, o grupo construiu um percurso marcado por excelência, acumulando 14 títulos no Carnaval de Luanda e consolidando-se como uma das maiores referências culturais do país.
As suas exibições são narrativas visuais da vida costeira, dos pescadores, das tradições marítimas e dos valores comunitários que definem os Axiluanda. Cada desfile é, simultaneamente, celebração e afirmação cultural.
Nos últimos anos, o grupo tem apostado fortemente na transmissão intergeracional, envolvendo antigas figuras emblemáticas — como Tia “Loló” — na formação dos mais jovens, garantindo que o conhecimento não se perca, mas se reinvente.
Num contexto de transformação social, este modelo de continuidade revela-se essencial para preservar a autenticidade cultural e fortalecer o sentimento de pertença.
O Carnaval, neste cenário, deixa de ser apenas festa — torna-se escola, memória e identidade em movimento.
FONTE: Jornal de Angola | Rede Nacional
ALINHAMENTO EDITORIAL: Classe CULTURA – Pressdigi

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