Novo álbum reafirma a preservação da tradição e projecta a música de Cabo Verde no panorama internacional
CULTURA — A cantora cabo-verdiana Cremilda Medina apresentou oficialmente o seu mais recente trabalho discográfico, “Lágrima”, um álbum profundamente emotivo que mergulha nas raízes da morna, género musical identitário de Cabo Verde.
O lançamento surge após a apresentação do single “Amizade”, revelado em Dezembro, que marcou o início do percurso criativo deste terceiro disco de estúdio.
UM ÁLBUM NASCIDO DA PESQUISA E DA MEMÓRIA
O projecto começou a ser desenhado em 2022, no âmbito de uma candidatura ao Ministério da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde. A dimensão da pesquisa e o acervo reunido levaram a artista a expandir a ideia inicial, culminando num álbum composto por 13 faixas, inteiramente dedicadas à morna.
“Lágrima” assume-se como um exercício de:
- Resgate da música tradicional
- Valorização da memória colectiva
- Reconexão com a identidade cultural cabo-verdiana
SONORIDADE: ENTRE A TRADIÇÃO E A RENOVAÇÃO
Para a produção do disco, Cremilda Medina contou com o multi-instrumentista Palinh Vieira, cuja abordagem musical conferiu profundidade e sensibilidade ao projecto.
A produção mantém a autenticidade da morna, ao mesmo tempo que introduz uma leitura contemporânea, sustentada por arranjos centrados em instrumentos de corda.
“É um projecto só de cordas que nos remete para o passado, que nos faz reviver as serenatas do antigamente”, destacou a artista.
ENCONTROS MUSICAIS: VOZES QUE ECOAM A SAUDADE
O álbum ganha uma dimensão especial com participações de três referências da música cabo-verdiana:
- Ana Firmino
- Maria Alice
- Nancy Vieira
Os duetos estabelecem diálogos emocionais intensos, onde a saudade — elemento central da morna — se manifesta em interpretações marcadas por cumplicidade e profundidade.
HERANÇA MUSICAL E GRANDES COMPOSITORES
“Lágrima” reúne composições de nomes incontornáveis da música cabo-verdiana, entre os quais:
- B. Léza
- Manuel d’Novas
- Malaquias Costa
- Luís Lima
- Toy Vieira
O projecto inclui ainda dois temas inéditos, assinados por Constantino Cardoso e Miguel Silva, ampliando o diálogo entre tradição e criação contemporânea.
COLABORAÇÕES QUE REFORÇAM A IDENTIDADE
Ao lado de Palinh Vieira, o álbum conta com contributos de Armando Tito e Kaku Alves, músicos reconhecidos pela preservação das sonoridades tradicionais de Cabo Verde.
Estas colaborações reforçam a autenticidade do trabalho e consolidam o seu carácter de valorização patrimonial.
LEITURA CULTURAL: MORNA COMO PATRIMÓNIO VIVO
Com mais de uma década de carreira, Cremilda Medina afirma-se como uma das vozes da nova geração comprometidas com a salvaguarda da morna, reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
O álbum posiciona-se como:
- Um tributo à história e às emoções do povo cabo-verdiano
- Uma ponte entre gerações musicais
- Um contributo para a internacionalização da música tradicional africana
CONCLUSÃO
“Lágrima” transcende o formato de álbum para se afirmar como uma narrativa sensorial, onde memória, identidade e emoção se entrelaçam.
Num tempo de transformações culturais, Cremilda Medina reafirma a morna como linguagem universal — capaz de contar histórias, preservar raízes e tocar o mundo.
FONTE
Jornal de Angola | Rede Nacional
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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