Luanda acolheu, ontem, no edifício do Instituto Sapiens, a segunda edição do Prémio de Artes Plásticas da Embaixada de Espanha, uma iniciativa que reafirma o compromisso conjunto entre a Embaixada e a UNAP – União Nacional dos Artistas Plásticos de Angola na promoção das artes visuais, no estímulo à criação contemporânea e no reforço do intercâmbio cultural entre os dois países.

A gala marcou mais um capítulo deste programa anual que, desde a sua primeira edição em fevereiro de 2025 — onde nomes como Valeriano Capoco e Nagui Tunguila foram distinguidos —, se consolidou como uma das plataformas mais relevantes de valorização da arte angolana.

Mensagem do Ministro da Cultura: Identidade, Educação e Futuro
O Ministro da Cultura, Filipe Zau, destacou a importância estratégica da cultura na formação da identidade nacional e no fortalecimento do setor artístico.
“Os Estados devem associar a cultura à educação. A cultura é a parte espiritual que educa para a vida e não apenas para o trabalho”, afirmou.
Sublinhou ainda três eixos centrais para o futuro do sector:
- Identidade – como pilar essencial da coesão e da memória coletiva;
- Angolanidade e Africanidade – compreendidas como expressões complementares;
- Sensibilidade cultural – necessária para o crescimento do país e das artes.

Nota de Destaque — Declaração do Embaixador de Espanha em Angola
A esquerda o Sr. Presidente da UNAP – Dr. Rosado Matias; Ao centro o Sr. Ministro da Cultura – Dr. Filipe Zau e a direita O Dr. Manuel Lejarreta -Embaixador e Plenipotenciário do Reino de Espanha em Angola

Na sua intervenção, o Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário do Reino de Espanha em Angola reforçou, de forma plena e alinhada, a visão estratégica apresentada pelo Ministro da Cultura, sublinhando o papel transformador da arte como instrumento de aproximação entre povos. Num discurso marcado por encorajamento e confiança, agradeceu aos artistas que submeteram as suas obras e destacou a parceria sólida com a UNAP — instituição que, segundo o diplomata, tem sido a “base estruturante” para tornar o prémio mais abrangente, desafiante e promissor no panorama artístico angolano.


O Embaixador anunciou ainda que Espanha pretende elevar esta cooperação cultural a um novo patamar já a partir de 2026, propondo a evolução das atuais oficinas técnico-artísticas para verdadeiras residências criativas, com intercâmbios de um mês entre artistas angolanos e espanhóis em áreas como fotografia, música, artes plásticas e produção cultural. O objetivo, afirmou, é criar um espaço de investigação, criação conjunta e diálogo entre universos culturais apresentados “em pé de igualdade”.
Concluiu destacando que, apesar de o Prémio de Artes Plásticas se encontrar apenas na sua segunda edição, “veio para ficar e perdurar por muitos anos”, enaltecendo a presença do Ministro da Cultura, cuja colaboração e participação — segundo o próprio — têm sido constantes sempre que os desafios culturais do país assim o exigem.







































Categoria Fotografia: júri decide por menções honrosas
Numa avaliação criteriosa, o júri optou por não atribuir o 1º prémio na categoria de Fotografia, justificando a decisão com a necessidade de maior consistência técnica e conceptual nas obras apresentadas.
Ainda assim, foram reconhecidos dois trabalhos:
- 1ª Menção Honrosa – “O Repouso da Criança”, de Esmeraldo Nunes
- 2ª Menção Honrosa – “Mwanague”, de Valentina Francisca Muecalia Zanquel
Menções Honrosas de Pintura e Escultura
Também nas categorias de Pintura e Escultura houve distinções especiais:
Pintura – Menções Honrosas
- 1ª Menção: Dalazanga D. Cruz Venâncio
- 2ª Menção: João Manuel Baya Voza
Escultura – Menção Honrosa
- 1ª Menção: Periel José Bernardo




















Vencedores Principais: Pintura e Escultura
Pintura — 1º Lugar: Eduardo da Cruz João Vueza
Obra: “Reconexão”
Pintada numa paleta intensa de amarelos, Reconexão afirma-se como um manifesto visual da riqueza espiritual e identitária do país.

A obra, entregue diretamente pelas mãos do Ministro da Cultura, Filipe Zau, foi aplaudida como um dos momentos mais fortes da noite. Vueza explicou ao público a profunda simbologia presente na sua criação, evocando elementos como:
Sankofa — símbolo adinkra que significa “voltar para buscar”,
o retorno às raízes,
a memória,
e a reconexão com a essência cultural angolana.

Pintura — 2º Lugar: Victor Eurico Somakueje
Obra: “Owiki”
Inspirada na palavra “abelha” (Owiki) em umbundu, a obra simboliza colaboração, trabalho coletivo e espírito comunitário — ideias que dialogam diretamente com o intercâmbio artístico Angola–Espanha.




Escultura
2º Lugar – Josmni Manuel Júnior Neto
Obra: “Guardião”
Uma escultura em metal que representa um galo, símbolo afetivo e cultural do amanhecer em várias comunidades angolanas. Emocionado, o artista dedicou a obra à família e ao seu “guardião” de infância.




1º Lugar – Fernando Dongo José
Obra: “Mulher Mwila”
A grande revelação da noite.
A peça, de impressionante realismo e rigor técnico, retrata a mulher Mumuíla — ícone de identidade, tradição e beleza etnográfica da região da Huíla. Foi uma das obras mais celebradas do evento, pela força estética e precisão cultural.








Obra vencedora na categoria escultura sendo admirada pelo artista Kikalakalu Kiadybia




































Um evento enriquecido pela música e pela juventude
A gala ganhou brilho adicional com momentos de canto lírico interpretados por jovens artistas angolanos, muitos dos quais beneficiários de formações e oficinas técnicas promovidas anualmente pela Embaixada de Espanha no âmbito do intercâmbio cultural.
A apresentação ficou a cargo da atriz e apresentadora Dicla Burity, que conduziu a cerimónia com elegância e sensibilidade artística.
Um Olhar que Celebra a Arte: Registos Visuais da 2.ª Gala do Prémio de Artes Espanha–UNAP
Os registos apresentados nesta galeria captam a intensidade artística, o simbolismo cultural e a emoção da 2.ª edição do Prémio de Artes Plásticas da Embaixada de Espanha em Angola, realizada no Instituto Sapiens. As imagens, capturadas pelo jovem fotógrafo Kenedy Flautas e editadas sob direção editorial de Kikalakalu Kiadybia, revelam momentos que marcaram a noite — desde a presença institucional do Sr. Ministro da Cultura e do Sr. Embaixador de Espanha, até às expressões de orgulho dos artistas premiados e às atuações líricas que iluminaram a gala.
Cada fotografia é um testemunho visual da parceria crescente entre Angola e Espanha no domínio das artes, da força criativa dos participantes e da promessa de um futuro onde o intercâmbio cultural se torna ponte para novas narrativas e oportunidades.
















































Considerações finais
A segunda edição do Prémio de Artes Plásticas da Embaixada de Espanha reafirmou:
- a qualidade crescente da criação artística angolana,
- a abertura a novas linguagens contemporâneas,
- e o papel fundamental das parcerias internacionais na projeção dos talentos nacionais.
Todos os artistas participantes receberam certificados de participação, reforçando o caráter inclusivo da iniciativa.
A gala destacou-se como um momento de encontro, emoção e reconhecimento — celebrando não apenas obras, mas histórias, identidades e pontes culturais que aproximam Angola e Espanha.


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