Filipe Zau reúne-se com músicos e reforça aposta na valorização da classe artística angolana

CULTURA EM MOVIMENTO | MÚSICA, DIREITOS DE AUTOR E INFRA-ESTRUTURAS CULTURAIS

Encontro no Arquivo Nacional de Angola destacou desafios do sector musical, direitos de autor e expansão de espaços culturais no país

O Ministro da Cultura de Angola, Filipe Silvino de Pina Zau, reuniu-se nesta sexta-feira, 15 de Maio, com músicos angolanos de diferentes gerações e estilos musicais, num encontro realizado no Arquivo Nacional de Angola e marcado por um ambiente de diálogo aberto, concertação e partilha de ideias sobre o futuro do sector cultural nacional.

A iniciativa teve como principal objectivo aproximar o Executivo dos fazedores de cultura, permitindo aos artistas apresentarem preocupações relacionadas com direitos de autor, valorização profissional, condições de trabalho, preservação do património musical e incentivos à produção artística nacional.


ARTISTAS DEFENDEM POLÍTICAS CULTURAIS MAIS SUSTENTÁVEIS

Durante o encontro, músicos ligados ao semba, kizomba, kuduro, gospel, rap, afro-jazz e música tradicional defenderam a necessidade de políticas públicas mais inclusivas e sustentáveis para o fortalecimento das indústrias culturais e criativas em Angola.

Os participantes destacaram igualmente a importância de maior apoio institucional aos jovens talentos, bem como aos artistas consagrados que continuam a representar a cultura angolana dentro e fora do país.

Uma das principais preocupações levantadas pelos músicos esteve relacionada com o incumprimento do pagamento de direitos de autor por parte de promotores de eventos culturais e alguns órgãos de comunicação social que utilizam obras musicais sem a devida compensação aos seus criadores.

Segundo os artistas, ainda persiste em determinados sectores a percepção equivocada de que a liberdade de expressão se sobrepõe aos direitos autorais, situação considerada prejudicial à sustentabilidade e valorização da classe artística nacional.


FILIPE ZAU REFORÇA IMPORTÂNCIA DO SENADIAC

Na sua intervenção, o Ministro Filipe Zau reafirmou o compromisso do Ministério da Cultura com a valorização da música angolana e com a criação de mecanismos voltados ao fortalecimento das indústrias criativas.

O governante apelou aos músicos para registarem as suas obras junto do Serviço Nacional dos Direitos de Autor e Conexos (SENADIAC), sublinhando que a protecção legal das criações artísticas é fundamental para garantir reconhecimento, segurança jurídica e benefícios económicos aos autores.

Filipe Zau explicou que o registo das obras permite proteger os artistas contra o uso indevido das suas músicas, assegurando igualmente o acesso às receitas provenientes da exploração legal das criações.

O ministro incentivou ainda os profissionais da música a tratarem da carteira profissional do artista, documento considerado essencial para a organização formal da classe cultural e para o acesso a oportunidades e benefícios institucionais.


MAIS INFRA-ESTRUTURAS CULTURAIS FORA DE LUANDA

Outro ponto de destaque do encontro foi o anúncio da expansão de infra-estruturas culturais em várias províncias do país.

Segundo o titular da pasta da Cultura, os músicos passarão brevemente a dispor de novos espaços destinados ao exercício das actividades artísticas, medida que visa promover maior dignidade profissional e melhores condições de trabalho para os agentes culturais.

Filipe Zau destacou que o processo não se limita à capital angolana, sublinhando que províncias como Huambo e Cuanza Norte já contam com salas modernas para actividades culturais, enquanto o Uíge deverá integrar futuramente esta rede nacional de infra-estruturas culturais.

“O diálogo permanente com os artistas é fundamental para encontrarmos soluções conjuntas que permitam elevar a cultura angolana e dignificar os seus protagonistas”, sublinhou o governante.


CULTURA ANGOLANA E A IMPORTÂNCIA DO DIÁLOGO INSTITUCIONAL

Os músicos presentes consideraram positiva a iniciativa promovida pelo Ministério da Cultura, defendendo a continuidade de encontros semelhantes como instrumento de aproximação entre o Estado e os agentes culturais.

A diversidade de estilos representados no encontro demonstrou a riqueza e pluralidade da música angolana contemporânea, ao mesmo tempo que reforçou a necessidade de políticas públicas capazes de responder aos desafios da criação artística, da profissionalização e da preservação cultural.


MINISTÉRIO DA CULTURA MANIFESTA PESAR PELA MORTE DE NANUTO

No final do encontro, foi igualmente destacada a Nota de Condolências emitida pelo Ministério da Cultura pelo falecimento do músico e saxofonista angolano António Manuel Fernandes “Nanuto”, ocorrido no dia 15 de Maio, em Lisboa, aos 68 anos.

Reconhecido como uma das maiores referências do saxofone em Angola, Nanuto construiu uma carreira marcante no universo da música instrumental africana, combinando semba, kilapanga, afrobeat e bossa-nova numa trajectória internacional de grande relevância cultural.

O Ministério da Cultura recordou o legado artístico do músico, destacando a sua dimensão humana, intelectual e cultural, bem como a sua contribuição para a valorização da música angolana no mundo.


Fonte: REDE NACIONAL | Ministério da Cultura de Angola
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