CULTURA E PATRIMÓNIO | SEMBA
Cerimónia reuniu artistas, autoridades e agentes culturais numa celebração da identidade angolana
O Ministério da Cultura de Angola lançou oficialmente, no dia 19 de Junho de 2026, a candidatura do Semba à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, durante uma cerimónia realizada no pátio frontal da instituição, em Luanda.
O acto reuniu membros do Executivo, autoridades tradicionais, líderes religiosos, artistas, produtores culturais e diversas figuras ligadas ao panorama cultural angolano, num ambiente marcado pela emoção, pelo orgulho colectivo e pela valorização de uma das mais importantes expressões da identidade nacional.
Um compromisso entre o Estado e a sociedade civil
Na sua intervenção, o Ministro da Cultura, Filipe Zau, destacou que a candidatura do Semba resulta de um esforço conjunto entre o Executivo angolano e a sociedade civil, visando garantir o reconhecimento internacional deste património vivo que atravessa gerações e representa a alma cultural do povo angolano.
O governante recordou que Angola possui actualmente dois bens reconhecidos pela UNESCO: a cidade histórica de M’Banza Kongo, como Património Mundial Material, e o Sona, inscrito na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade.
Segundo o ministro, a decisão sobre a candidatura do Semba deverá ser conhecida em Novembro próximo, durante a reunião da UNESCO a realizar-se na China.
Durante o discurso, Filipe Zau reiterou ainda o compromisso do Estado com a valorização das artes, através da recuperação de infra-estruturas culturais e do fortalecimento das indústrias culturais e criativas.
“O Semba identifica o país e a cultura fortalece a nação”, afirmou.
Uma celebração vivida com emoção pelo público
O ambiente vivido durante a cerimónia foi marcado por um forte sentimento de pertença. A plateia, composta por convidados de diferentes sectores da sociedade, acompanhou cada momento com entusiasmo, aplausos prolongados e manifestações de orgulho pela riqueza cultural angolana.
A realização do evento em espaço aberto, diante do edifício ministerial, conferiu uma dimensão mais próxima e participativa à celebração, transformando a ocasião numa verdadeira festa da identidade nacional.
Grandes vozes do Semba subiram ao palco
O programa artístico contou com as actuações de Calabeto, Voto Gonçalves, Gersy Pegado e Dom Caetano, acompanhados por uma banda composta por músicos provenientes de diferentes conjuntos nacionais.
Ao longo da cerimónia, foram igualmente revisitados temas consagrados de nomes históricos da música angolana, entre os quais Elias Dia Kimuezo, Carlos Burity e Bangão, proporcionando momentos de nostalgia e forte emoção ao público presente.
Percussão e massemba reforçaram a autenticidade do momento
Um dos momentos mais vibrantes da cerimónia foi protagonizado pelo espectáculo de percussão liderado por Chico Santos, nas tumbas, Raul Tolingas, na dikanza, e Lito Graça, na bateria, cuja performance foi amplamente aplaudida.
A componente da dança tradicional esteve representada pelos Novatos da Ilha, que levaram ao palco a massemba, numa demonstração de elegância, tradição e autenticidade, reforçando o simbolismo cultural da candidatura.
Semba afirma-se como memória viva do povo angolano
Mais do que um género musical, o Semba voltou a afirmar-se como um património afectivo e identitário que une gerações e preserva a memória colectiva do país.
A candidatura agora formalizada representa um passo importante para a projecção internacional da cultura angolana e para a salvaguarda de uma manifestação artística que continua a desempenhar um papel fundamental na construção da identidade nacional.
Fonte: REDE NACIONAL | Ministério da Cultura de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao


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