ARTES PLÁSTICAS E POLÍTICAS CULTURAIS | Ministério da Cultura reforça diálogo com artistas e aponta novas estratégias para o desenvolvimento sustentável do sector

ARTES PLÁSTICAS E POLÍTICAS CULTURAIS | Ministério da Cultura reforça diálogo com artistas e aponta novas estratégias para o desenvolvimento sustentável do sector

Encontro promovido pela UNAP e Ministério da Cultura reforça auscultação, formação, mecenato, comunicação e internacionalização das artes visuais angolanas

Luanda — O Ministério da Cultura de Angola promoveu, no Arquivo Nacional de Angola, uma ampla sessão de auscultação com artistas plásticos, galeristas, curadores, críticos de arte e diversos agentes das indústrias culturais e criativas, numa iniciativa organizada em parceria com a União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), inserida no programa de governação de proximidade que o Executivo tem vindo a desenvolver junto das diferentes classes artísticas.

Presidido pelo Ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, na presença da Secretária de Estado para a Cultura, Maria da Piedade de Jesus, o encontro reuniu igualmente responsáveis de importantes instituições do sector, entre os quais o Presidente da União Nacional dos Artistas Plásticios (UNAP), Rosário José Matias, Director-Geral da Agência Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (ANICC), Asdrúbal Rebelo Pereira da Silva, o Presidente da Comissão da Carteira Profissional do Artista (CCPA), Maneco Vieira Dias, o Director Nacional dos Museus, Sidónio Domingos, a Directora do Serviço Nacional dos Direitos de Autor e Conexos (SENADIAC), Teresa Queta Cassola, bem como o Director-Geral do Arquivo Nacional de Angola, Justino da Glória Ramos.

Mais do que uma reunião institucional, o encontro transformou-se num espaço de diálogo aberto, concertação e construção colectiva de soluções para o futuro das artes plásticas e das políticas culturais em Angola.


Governo aposta na escuta activa para actualizar as políticas culturais

Na abertura dos trabalhos, o Ministro Filipe Zau explicou que estes encontros pretendem recolher ideias, propostas e recomendações directamente junto dos profissionais da cultura, permitindo actualizar a política cultural angolana de forma participativa.

Segundo o governante, cada agente cultural conhece profundamente a realidade do seu sector e, por isso, as contribuições apresentadas servirão de base para o aperfeiçoamento das futuras políticas públicas.

Os participantes foram convidados a analisar o actual ecossistema das artes visuais, abordando aspectos ligados à produção, circulação, consumo artístico, formação, sustentabilidade económica, carreira e valorização profissional.


Educação e cultura como pilares do desenvolvimento nacional

Um dos momentos mais marcantes da sessão incidiu sobre o papel estruturante da cultura na educação e no desenvolvimento socioeconómico do país.

Durante o debate, o Ministro sintetizou essa visão através de uma reflexão que mereceu forte acolhimento da plateia:

“Um ser humano culto é, por si só, educado. E um ser educado deve ser culto.”

A afirmação surgiu na sequência das preocupações apresentadas por vários participantes relativamente à escassez de oportunidades de formação técnica especializada dentro de Angola.

Foi defendida a necessidade de políticas públicas integradas entre os Ministérios da Cultura, Educação, Ensino Superior, Turismo, Ambiente e demais sectores estratégicos, capazes de construir ecossistemas permanentes de formação, empreendedorismo, especialização técnica e profissionalização dos agentes culturais.

A visão partilhada aponta para uma articulação que permita formar novos quadros, fortalecer competências locais e desenvolver projectos sustentáveis assentes no princípio de “pensar globalmente e agindo localmente”, respeitando sempre as especificidades culturais e contexto de cada território.


Brasil é apontado como parceiro estratégico para o intercâmbio cultural, técnico e profissional

Ao longo das intervenções, diversos participantes referenciaram o Brasil como um dos principais destinos para processos de formação, especialização técnica, investigação, intercâmbio artístico e desenvolvimento das indústrias culturais e criativas.

Na visão editorial do portal PRESSdigi, este constitui um dos eixos estratégicos mais relevantes para o fortalecimento da diplomacia cultural angolana. A consolidação de pontes permanentes entre Angola e o Brasil poderá contribuir significativamente para a circulação de artistas, produtores, gestores culturais, investigadores, comunicadores e demais profissionais das economias criativas, promovendo a partilha de conhecimentos, tecnologias, metodologias e boas práticas.

Apesar deste potencial, foi igualmente reconhecido que persistem desafios relacionados com a mobilidade internacional, os mecanismos de cooperação institucional, os processos de obtenção de vistos profissionais e a criação de instrumentos que facilitem o intercâmbio contínuo entre os dois países.

Neste contexto, o canal destaca exemplos concretos como os movimentos Sankofa Brasil e Sankofa Angola, iniciativas independentes que têm desenvolvido acções de intercâmbio cultural, educativo, patrimonial e de reconexão entre Angola, o Brasil e a diáspora africana, demonstrando que é possível construir modelos sustentáveis de cooperação assentes na ancestralidade, na memória colectiva e na valorização da identidade dos povos.

O PRESSdigi considera igualmente oportuno destacar a parceria institucional que mantém com o Gazeta Paulista, órgão de comunicação sediado na Grande São Paulo (Brasil), do qual é representante oficial em Angola. Esta colaboração tem permitido ampliar a cobertura jornalística de iniciativas culturais, sociais e diplomáticas desenvolvidas entre os dois países, reforçando a circulação de informação qualificada e aproximando públicos de ambos os lados do Atlântico.

Neste quadro, o PRESSdigi manifesta publicamente a sua disponibilidade para se afirmar como parceiro independente de comunicação, produção digital, documentação audiovisual e inovação tecnológica do Ministério da Cultura de Angola e das suas instituições parceiras, contribuindo para uma estratégia integrada de valorização, documentação e difusão das actividades culturais nacionais.

A proposta passa pela construção de um ecossistema permanente de comunicação que fortaleça a visibilidade dos movimentos artísticos e culturais angolanos, numa primeira fase em todo o território nacional e, progressivamente, no espaço internacional, promovendo Angola como referência cultural, criativa e patrimonial no contexto africano e da lusofonia.

Os participantes defenderam que iniciativas desta natureza, mesmo que pequenas, devem ser acolhidas pelos gestores públicos e privados pois, demonstram a viabilidade de construir pontes duradouras de cooperação, baseadas na ancestralidade, na memória colectiva, na identidade cultural, na inovação e no desenvolvimento sustentável das indústrias culturais e criativas.


Diplomacia cultural necessita de maior presença internacional

Outro tema considerado prioritário foi o reforço da diplomacia cultural angolana.

O Ministro revelou que Angola possui actualmente apenas duas representações culturais permanentes de referência no exterior:

  • Luandino de Carvalho, Adido Cultural de Angola no Brasil e Director do Centro Cultural Casa de Angola na Bahia;
  • Miguel da Costa, Embaixador de Angola na República Democrática do Congo, que assegura igualmente a componente cultural naquele país.

Para muitos participantes, estes dados evidenciam a necessidade de ampliar a presença cultural angolana no mundo, fortalecendo redes internacionais capazes de promover artistas, património e indústrias criativas nacionais.


Mecenato poderá transformar o financiamento da cultura

A futura Lei do Mecenato ocupou igualmente um lugar central no debate.

O Sr. Ministro informou que a refereida Lei estará sob consulta pública até dia 04 de julho do corrente ano a apelou aos presentes que praticipem e contribuam com o processo. Por outro lado, para Alzira Simões e demais praticipantes, a conclusão e brevidade deste processo é emergente para que a sua implementação represente um modelo moderno, transparente e atractivo para empresas e investidores privados.

A nossa Redação, buscou absorver a base do manual no site: https://www.ucm.minfin.gov.ao/cs/groups/public/documents/document/aw41/nzq5/~edisp/minfin5749026.pdf

Explicando que a proposta legislativa pretende simplificar procedimentos, incentivar benefícios fiscais e criar um ambiente favorável ao investimento em sectores como:

  • Cultura;
  • Educação;
  • Ciência;
  • Tecnologia;
  • Juventude;
  • Desporto;
  • Ambiente;
  • Saúde;
  • Sociedade da Informação.

A filosofia defendida pelo nosso canal, assenta num modelo de benefício mútuo (“win-win“), onde artistas, instituições culturais, empresas e Estado possam desenvolver relações sustentáveis de longo prazo.


Associações devem fortalecer sustentabilidade interna

Respondendo às preocupações sobre infra-estruturas, Filipe Zau reconheceu que várias associações continuam sem sede própria ou enfrentam dificuldades na conservação dos seus espaços.

Entre os exemplos citados estiveram a própria UNAP, a União de Escritores Angolanos e a Academia Angolana de Letras.

O Ministro alertou, contudo, que a sustentabilidade das associações depende igualmente do compromisso dos seus associados.

Recordou que os direitos colectivos devem caminhar lado a lado com os deveres, apelando ao pagamento regular das quotas e ao fortalecimento da autonomia institucional, evitando uma dependência exclusiva do Estado.

Paralelamente, informou que o Ministério procura mobilizar empresas através da responsabilidade social para apoiar a recuperação de sedes e equipamentos culturais.


Comunicação social é parceira estratégica da cultura

Outro momento relevante do encontro incidiu sobre o papel da comunicação social na valorização dos artistas.

Filipe Zau apelou para que criadores, associações e produtores mantenham uma comunicação permanente com o Ministério e com os órgãos de informação, permitindo divulgar de forma contínua exposições, projectos, festivais, lançamentos editoriais, residências artísticas e demais iniciativas culturais.

Segundo o governante, uma comunicação estruturada fortalece os processos documentais, televisivos, radiofónicos, jornalísticos e digitais, aumentando a visibilidade nacional e internacional dos artistas angolanos.

Esta visão converge directamente com a missão editorial da PRESSdigi.ao, que desde a sua criação tem vindo a desenvolver uma linha especializada na cobertura das indústrias culturais e criativas, promovendo cultura, património, diplomacia cultural, agenda artística e intercâmbio internacional.


Reflexões sobre dignidade artística marcaram o debate

O encontro foi igualmente marcado por momentos de reflexão profunda.

Entre eles destacou-se a intervenção do artista plástico Thó Simões, que evocou José Saramago ao recordar a célebre frase:

“…; é a fome que é obscena.”

A citação serviu de ponto de partida para uma reflexão sobre as dificuldades económicas enfrentadas por muitos profissionais da cultura.

Na resposta, o Ministro reconheceu os desafios existentes, mas apelou para que tenhamos de contextualizar os pensamentos, e que o debate avançasse para propostas construtivas, substituindo discursos centrados apenas na crítica por soluções colectivas que fortaleçam o sector.

Ao longo de mais de quatro horas de trabalho, artistas e representantes institucionais trocaram experiências, apresentaram inquietações e construíram propostas num ambiente caracterizado pela liberdade de expressão, respeito institucional e vontade comum de encontrar novos caminhos para as artes visuais em Angola seguido de um jantar espécial com o Sr. Ministro.


Perspectivas para o futuro

A sessão confirmou a intenção do Ministério da Cultura de manter um diálogo permanente com os diferentes sectores artísticos, transformando as contribuições recolhidas em instrumentos concretos para a formulação de políticas públicas mais inclusivas, sustentáveis e ajustadas à realidade dos profissionais da cultura.

A iniciativa integra um conjunto mais amplo de encontros de auscultação promovidos pelo Executivo, reforçando a aproximação entre Estado e agentes culturais e consolidando uma visão de desenvolvimento onde cultura, educação, economia criativa e cidadania caminham lado a lado.


Fonte: REDE NACIONAL | REPORTAGEM PRESSDIGI | Ministério da Cultura de Angola | UNAP | KIKALAKALU KIADIBYA
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao