COMUNICAÇÃO SOCIAL | IMPRENSA E INOVAÇÃO

Credibilidade e inovação digital apontadas como pilares do futuro do jornalismo impresso em África

Especialista defende que o rigor editorial, a verificação dos factos e a proximidade com as comunidades serão determinantes para a sustentabilidade dos meios de comunicação

Luanda — O jornalista e especialista em Comunicação e Marketing Digital, Raimundo Lima, defendeu que o futuro do jornalismo impresso em África dependerá menos da permanência do suporte em papel e mais da capacidade dos órgãos de comunicação social preservarem a sua credibilidade, confiança e responsabilidade editorial perante os leitores.

As declarações foram feitas durante uma palestra realizada no âmbito do Conselho Consultivo das Edições Novembro, integrado nas celebrações dos 50 anos da empresa editora do Jornal de Angola e de outros títulos nacionais.

Credibilidade como principal activo do jornalismo

Na sua intervenção, Raimundo Lima sublinhou que, num ambiente marcado pela velocidade das redes sociais e pela circulação massiva de informação, o verdadeiro diferencial do jornalismo profissional reside na capacidade de explicar, contextualizar e verificar os factos.

Segundo o especialista, o papel do jornalista continua a ser essencial para garantir informação rigorosa, ética e socialmente responsável, distinguindo-se dos conteúdos produzidos e difundidos sem critérios editoriais.

“O papel do jornalista é explicar, contextualizar e verificar a informação”, destacou.

Reinvenção do jornal impresso

Contrariamente às previsões que apontam para o desaparecimento dos jornais em papel, Raimundo Lima considera que o sector atravessa um processo de transformação e reinvenção.

Na sua perspectiva, os meios impressos devem adaptar-se às novas dinâmicas digitais sem abdicar da profundidade analítica, da investigação e da qualidade editorial que sempre caracterizaram o jornalismo profissional.

Juventude e novos hábitos de consumo

Durante a palestra, o especialista alertou para a mudança dos hábitos de consumo de informação entre as novas gerações.

Segundo explicou, uma parcela significativa dos jovens, sobretudo entre os 18 e os 24 anos, já privilegia as redes sociais como principal fonte de notícias, reduzindo significativamente o contacto com os jornais tradicionais.

Para Raimundo Lima, este fenómeno aumenta os riscos de desinformação, tornando ainda mais importante o papel dos órgãos de comunicação social enquanto referências de informação credível.

Comunicação digital como complemento e não concorrência

O especialista defendeu igualmente que os meios de comunicação não devem encarar as plataformas digitais como concorrentes directos, mas sim como canais complementares de difusão da informação.

Neste novo ecossistema mediático, considera que o diferencial competitivo estará na capacidade de oferecer conteúdos aprofundados, contextualizados e devidamente verificados, respondendo à rapidez da informação digital com qualidade e rigor.

Sustentabilidade dos órgãos de comunicação

Entre as estratégias apresentadas para garantir a sustentabilidade económica do sector, Raimundo Lima destacou a necessidade de diversificar as fontes de receita.

Entre as possibilidades apontadas encontram-se:

  • Reforço da publicidade institucional e comercial;
  • Desenvolvimento de assinaturas digitais;
  • Produção de conteúdos em vídeo;
  • Criação de podcasts;
  • Utilização da Inteligência Artificial como ferramenta de apoio às redacções, sem substituir o trabalho humano.

Na sua visão, estas soluções podem contribuir para tornar os órgãos de comunicação mais competitivos e preparados para os desafios do ambiente digital.

Jornalismo africano e proximidade com as comunidades

Encerrando a sua comunicação, Raimundo Lima afirmou que África possui condições para afirmar um modelo de jornalismo reconhecido pela sua proximidade com as comunidades e pelo compromisso com os problemas sociais.

Defendeu que o investimento contínuo na ética, na investigação jornalística e na qualidade editorial será fundamental para fortalecer a confiança pública e combater a crescente disseminação da desinformação.

Para o especialista, mais do que preservar o formato impresso, importa preservar os princípios que sustentam o jornalismo enquanto serviço público essencial à democracia e ao desenvolvimento das sociedades.


Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao