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Nova exposição individual reúne 20 pinturas que dialogam entre afro-futurismo, cosmologia e memória ancestral no Camões – Centro Cultural Português, em Luanda
O artista plástico angolano Uólofe Griot inaugura, amanhã, no Camões – Centro Cultural Português, em Luanda, a exposição individual “Matéria Escura”, uma mostra composta por 20 pinturas que propõem uma profunda reflexão sobre a identidade africana, a ancestralidade e o futuro dos povos do continente.
Patente ao público até ao final do mês, a exposição apresenta-se como um manifesto visual que cruza arte contemporânea, cosmologia, ficção científica, fantasia e afro-futurismo, convidando os visitantes a revisitarem novas narrativas sobre África e a experiência humana.
Afro-futurismo inspira novas leituras sobre a negritude
Em declarações ao Jornal de Angola, Uólofe Griot explicou que “Matéria Escura” procura estabelecer uma analogia entre o conceito científico da matéria escura e a experiência histórica dos povos africanos.
Segundo o artista, aquilo que durante séculos foi marginalizado ou reduzido pelas narrativas coloniais e eurocêntricas é reinterpretado como uma força geradora de conhecimento, criatividade e continuidade histórica.
A exposição propõe, assim, uma visão da negritude como potência criadora, linguagem ancestral e elemento estruturante da própria existência humana e cósmica.
Uma reflexão sobre memória, origem e futuro
As obras desafiam conceitos tradicionais da física, da história e da filosofia para questionar as narrativas convencionais sobre origem, identidade e futuro.
Ao aproximar ciência, espiritualidade e património cultural africano, o artista convida o público a imaginar novas possibilidades para a humanidade, valorizando a riqueza das cosmologias africanas e das tradições ancestrais.
Mais do que uma exposição de pintura, “Matéria Escura” apresenta-se como um exercício de pensamento visual sobre liberdade criativa, memória colectiva e afirmação cultural.
O legado dos griots inspira a criação artística
O nome artístico Uólofe Griot traduz a essência do percurso criativo de Simão André Sebastião, artista nascido em Luanda, em 1989.
Adoptado desde 2010, o nome inspira-se nos tradicionais griots da África Ocidental — guardiões da memória, contadores de histórias, músicos, poetas e historiadores oriundos de países como Senegal, Gâmbia, Guiné e Mali.
Ao apropriar-se desta designação, o artista afirma o compromisso de preservar, reinterpretar e divulgar narrativas africanas através da pintura, do desenho e da ilustração, valorizando especialmente a diversidade cultural de Angola.
Segundo o criador, a tradição oral e os saberes transmitidos por gerações continuam a inspirar a sua produção artística, funcionando como instrumentos de preservação da memória colectiva africana.
Percurso consolidado nas artes visuais angolanas
Licenciado pela Faculdade de Artes da Universidade de Luanda e membro da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), Uólofe Griot tem desenvolvido uma carreira marcada pela investigação estética sobre identidade, ancestralidade e relações comunitárias.
Entre os seus projectos de maior destaque encontra-se a série “Libota ya Motema” (Família de Coração), apresentada em 2022 no Espaço Luanda Arte (ELA), onde explorou os vínculos afectivos e comunitários através de fotografias intervencionadas com a sua linguagem visual característica.
Noutra fase do seu percurso, dedicou a série “Ubuntu IV” à Rainha Njinga Mbande, exaltando a histórica soberana angolana como símbolo de resistência, diplomacia e liderança africana.
Reconhecimento nacional e produção artística diversificada
Ao longo da sua trajectória, Uólofe Griot realizou sete exposições individuais, participou em mais de vinte exposições colectivas, integrou 13 residências artísticas, desenvolveu sete performances e assinou nove murais em diferentes contextos culturais.
O seu trabalho foi distinguido com o Prémio Juventude EnsArt, em 2018, e, em 2022, recebeu o Grande Prémio ENSA-Arte, na categoria de Pintura, consolidando-se como uma das vozes mais relevantes das artes plásticas contemporâneas em Angola.
Com “Matéria Escura”, o artista reafirma a arte como espaço de investigação estética, valorização da memória africana e construção de novas narrativas sobre identidade, conhecimento e futuro.
Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola.
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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