ÁFRICA REFORÇA PRESENÇA NO BRICS E COLOCA INDUSTRIALIZAÇÃO, COMÉRCIO E INFRA-ESTRUTURAS NO CENTRO DA AGENDA

A participação de países africanos na 18.ª Cúpula do BRICS, realizada em Nova Déli sob liderança do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, reforçou a presença do continente nas discussões sobre o futuro da cooperação entre os países do Sul Global.

De acordo com a análise publicada pela Forbes África Lusófona, a reunião ficou marcada pela aprovação da Declaração de Nova Déli e pela procura de consensos entre os diferentes membros e parceiros do bloco, incluindo Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

A presença de África foi destacada como um dos elementos centrais da cúpula, sobretudo pela participação da África do Sul, do Egipto e da Etiópia como membros plenos.

ÁFRICA PASSA DE PARTICIPANTE CONVIDADA A MEMBRO ACTIVO

Com a integração da África do Sul, do Egipto e da Etiópia como membros plenos, o continente africano passou a ocupar uma posição mais directa nos processos de deliberação do BRICS.

A África do Sul, enquanto membro fundador e país que acolheu a presidência do G20 no ano anterior, levou para a reunião a experiência acumulada em fóruns multilaterais e económicos de grande relevância.

O Egipto e a Etiópia, por sua vez, representaram importantes sub-regiões do continente africano e contribuíram para ampliar a diversidade geográfica e política do grupo.

A análise considera que esta composição fortalece a representatividade do BRICS enquanto instituição ligada às prioridades e aspirações do Sul Global.

NIGÉRIA E UGANDA PARTICIPAM COMO PAÍSES PARCEIROS

Além dos membros plenos, Uganda e Nigéria participaram na cúpula na condição de países parceiros designados do BRICS.

A presença dos dois países reforçou a dimensão africana da reunião e demonstrou o interesse do bloco em estabelecer relações mais amplas com economias e organizações regionais do continente.

O presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, também foi convidado para participar na qualidade de presidente da União Africana.

A iniciativa reflectiu a intenção da Índia de aprofundar o contacto com lideranças de organizações regionais e fortalecer a identidade do BRICS como plataforma de cooperação entre países do Sul Global.

QUATRO CONCLUSÕES SOBRE A PARTICIPAÇÃO AFRICANA

A análise apresentada pela Forbes África identifica quatro linhas principais resultantes da participação africana na cúpula de Nova Déli.

1. MAIOR REPRESENTATIVIDADE DO SUL GLOBAL

A contribuição africana mais significativa esteve relacionada com o reforço da representatividade do BRICS.

A participação de países de diferentes regiões do continente contribuiu para ampliar a diversidade política, económica e geográfica do bloco.

Durante a reunião, Narendra Modi destacou a entrada da Etiópia como um factor de fortalecimento da voz colectiva do Sul Global.

2. AGENDA ECONÓMICA CENTRADA NA INDUSTRIALIZAÇÃO

A África do Sul apresentou uma agenda económica orientada para o aumento do comércio e do investimento entre os membros do BRICS.

O presidente Cyril Ramaphosa defendeu a necessidade de aprofundar as relações económicas intra-BRICS, com atenção especial à industrialização africana, à agregação de valor e ao desenvolvimento de infra-estruturas.

A posição sul-africana procurou relacionar as oportunidades de cooperação do BRICS com os objectivos da Área de Livre Comércio Continental Africana.

3. VALORIZAÇÃO DAS CADEIAS DE PRODUÇÃO E DO INVESTIMENTO

Outro ponto destacado foi a importância de desenvolver cadeias de fornecimento mais integradas e capazes de gerar maior valor dentro dos países africanos.

A agenda apresentada pela África do Sul incluiu referências à agricultura, às infra-estruturas, à inovação e à digitalização.

A perspectiva defendida aponta para uma cooperação económica que ultrapasse a simples circulação de matérias-primas e incentive a transformação local, a produção industrial e a criação de oportunidades de investimento.

4. PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES, DIGITALIZAÇÃO E INOVAÇÃO

A intervenção sul-africana também deu atenção ao desenvolvimento liderado por mulheres, à modernização tecnológica e ao fortalecimento da inovação.

Estes temas foram apresentados como componentes importantes para o crescimento económico sustentável e para a construção de sociedades mais integradas nas novas dinâmicas digitais.

A digitalização e a inovação surgem, assim, como áreas de cooperação com potencial para aproximar os países africanos dos restantes membros do BRICS.

COOPERAÇÃO SUL-SUL COM NOVAS PRIORIDADES

A 18.ª Cúpula do BRICS em Nova Déli evidenciou uma fase de maior participação africana nas discussões sobre comércio, investimento, industrialização e desenvolvimento.

A presença de membros plenos, países parceiros e representantes de organizações regionais reforçou o carácter multilateral do bloco e ampliou o espaço de diálogo entre diferentes regiões do Sul Global.

Para África, a participação no BRICS coloca em evidência a necessidade de transformar a cooperação internacional em oportunidades concretas para a produção nacional, a integração económica, a inovação tecnológica e o desenvolvimento de infra-estruturas.

A agenda apresentada pela África do Sul indica que a industrialização, a agregação de valor, a agricultura, a digitalização e a participação das mulheres poderão continuar entre as prioridades do continente nas futuras discussões do BRICS.

REDE NACIONAL | Forbes África Lusófona
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Classe / Tema: Economia Internacional, Cooperação Sul-Sul, BRICS, Integração Africana e Desenvolvimento

Fonte principal: Forbes África Lusófona — análise de Gurjit Singh, publicada em 15 de Setembro de 2026.