Por Kikalakalu Kia Dibya — Press, enfoque cultural
I. Preparativos na Avenida Dr. António Agostinho Neto
Às primeiras horas da manhã, a Avenida Dr. António Agostinho Neto, futuro palco da maior celebração popular do país, recebeu a visita estratégica do Vice-Governador para o Sector Político e Social, Manuel António Gonçalves, também Coordenador Adjunto da Comissão Provincial do Carnaval de Luanda 2026. A reunião técnica de 3 de Fevereiro confirmou aquilo que já ecoava nos bastidores: os preparativos da 48.ª edição avançam com o rigor que o evento exige.
Sob o sol firme que iluminava a Nova Marginal, membros da comissão provincial percorreram todo o corredor do desfile analisando infraestruturas, vedação, acessos, credenciamento, logística de imprensa, reforço de som, iluminação e demais mecanismos técnicos que dão vida ao espetáculo.
Durante estas operações, um movimento simbólico chamou a atenção: autocarros repletos de estrangeiros estacionaram ao longo da Marginal. Eram turistas vindos de diferentes países, curiosos por testemunhar os bastidores da maior festa cultural de Angola. Munidos de câmaras e telemóveis, registavam cada detalhe com admiração — a montagem das alegorias, o alinhamento das equipas técnicas, os primeiros ensaios, a estrutura sonora a ser testada. Para muitos, observar a engrenagem do Carnaval antes da abertura oficial foi já um espetáculo por si só.

II. Ritmos, Tradição e Competição — Estrutura dos Desfiles
O programa competitivo da 48.ª edição mantém o modelo tradicional que atravessa gerações:
- 14 de Fevereiro — Classe Infantil
- 15 de Fevereiro — Classe B (adultos)
- 16 de Fevereiro — Classe A (adultos, desfile principal)
- 17 de Fevereiro — Carnaval de Rua (Mabangas)
- 18 de Fevereiro — Apuramento dos resultados
- 21 de Fevereiro — Entrega de prémios (Salão Multiusos da LAASP)
A abertura infantil troce 15 grupos representantes dos municípios, entre eles os históricos Cassules dos Jovens da Cacimba, vencedores de 2025.

A força da infância em pista
Quinze grupos infantis abriram a jornada carnavalesca, trazendo frescura, espontaneidade e a continuidade da tradição. Entre eles, destacou-se o histórico Cassules dos Jovens da Cacimba, vencedor de 2025, regressando ao palco com a responsabilidade de defender o título.
Classe B — A Batalha pela Ascensão
Quinze grupos adultos procuraram o tão cobiçado acesso à elite carnavalesca. Entre os concorrentes, formações provenientes do Kilamba Kiaxi, Cazenga e Sambizanga apresentaram enredos que exaltam a identidade angolana, com narrativas sociais, memórias comunitárias e homenagens históricas.

Classe A — Onde a História Se Faz
A segunda-feira de 16 de Fevereiro concentrou as atenções nacionais. Treze grupos desfilaram, iniciando pelo União Etu Mudietu, numa sequência visual e sonora que reforçou o lema deste ano:
“Carnaval, a nossa identidade na valorização cultural”.
Os favoritos chegaram com força renovada:
- União Recreativo do Kilamba — tricampeão em 2025
- União Mundo da Ilha — colosso de 14 títulos
- União Sagrada Esperança
- União Kiela — tradição do Sambizanga
O modelo competitivo permanece exigente: os cinco últimos serão despromovidos à Classe B.

III. O Legado de 2025: A Base que Alimenta 2026
Em 2025, o União Recreativo do Kilamba conquistou o tricampeonato, seguido por União Mundo da Ilha e União Njinga Mbande. União Amazonas do Prenda e União Kiela fecharam o top cinco.
A nível infantil, Cassules dos Jovens da Cacimba reafirmaram a sua força histórica.
Apoio financeiro da APROCAL e Parceiros
Cada grupo da Classe A recebeu 3 milhões de kwanzas, garantindo a produção de alegorias, carros temáticos, trajes, corte, bandeira e falange de apoio — itens fundamentais no julgamento.

IV. Nota Protocolar — Presenças de Alta Dignidade do Estado
A 48.ª edição do Carnaval de Luanda contou com a presença da Vice-Presidente Esperança da Costa, em representação do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, destacando o reconhecimento institucional da maior manifestação cultural do país.
Ao lado da Vice-Presidente esteve o Filipe Zau, além de outras excelências governamentais que fizeram questão de prestigiar o Desfile Oficial da Classe A.
Como registado pelas nossas lentes, as autoridades acompanharam de perto o desempenho dos grupos, a energia do público e a beleza estética que transformou a Nova Marginal num palco de identidade, memória e celebração coletiva.

V. Crítica Cultural e Artística — A Magia Vista por Dentro
Ver a máquina e a magia acontecer por dentro é uma experiência rara e riquíssima. Nos bastidores, entre câmaras, batuques, cores, sons, vozes, coordenadores e artistas, jornalistas, turistas há uma outra dimensão do Carnaval que só se revela a quem testemunha a arte no seu estado bruto.
O contacto direto com os nossos kotas — guardiões de uma matriz identitária moldada por décadas de dedicação — é uma aula viva de cultura. Nomes como Tany Narciso, Manuel Gonçalves, Miguel Neto, Paulo Miranda, Candimbo Ananás, Alváro Macieira, Mestre Etona entre tantos outros, carregam no olhar e na palavra a herança de mais de três décadas activas de vivência carnavalesca. São eles que mantêm a memória em movimento, preservando o que é base e impulsionando o que é inovação.
Falam de intercâmbio, de evolução, de diálogos culturais que se ampliam a cada edição com a presença direta e indirecta de outros povos. E mostram, pelas suas práticas, que o Carnaval é mais do que festa: é disciplina, é escola, é indústria criativa em potência.
Ao lado destes mestres, também governantes, gestores públicos e parceiros privados têm ajustado o motor que impulsiona este movimento cultural para uma rota de sustentabilidade. A visão é clara: alinhar cultura, turismo, educação e economia para que o Carnaval deixe de ser apenas uma celebração anual e se torne um eixo contínuo de criação de riqueza para famílias e comunidades — especialmente para a juventude.
O futuro aponta para a construção de novas indústrias criativas, para a profissionalização das artes, para a pesquisa científica sobre expressões culturais, para o fortalecimento da economia do entretenimento e para a dinamização do turismo cultural. Tudo isso apoiado por múltiplas plataformas de comunicação capazes de documentar, divulgar, informar, publicitar e preservar esta herança viva.
E é neste horizonte que o press.digi.ao se posiciona: como ponte, como arquivo, como correspondente da diáspora e como plataforma de memória cultural.

Conclusão — Um Património Vivo que se Renova
O Carnaval de Luanda 2026 confirma que a festa não é apenas um evento: é um património vivo, que pulsa na alma de um povo e se reinventa a cada batida de tambor. No corredor da Nova Marginal, tradição e futuro caminham lado a lado, sustentados pela força das comunidades, pela visão dos seus mestres e pela energia de uma cidade que nunca deixa de celebrar a sua identidade.

Conclusão — Um Património Vivo que se Renova
O Carnaval de Luanda 2026 confirma que a festa não é apenas um evento: é um património vivo, que pulsa na alma de um povo e se reinventa a cada batida de tambor. No corredor da Nova Marginal, tradição e futuro caminham lado a lado, sustentados pela força das comunidades, pela visão dos seus mestres e pela energia de uma cidade que nunca deixa de celebrar a sua identidade.

Nota de Agradecimento
A press.digi e sua equipa expressam sincera gratidão ao companheiro e parceiro Inocêncio de Oliveira, ao Kota Tany, bem como ao Governo Provincial de Luanda, na pessoa do Senhor Vice-Governador, pela colaboração permanente e pelo espírito de abertura institucional demonstrado ao longo de toda a cobertura e na jornada de trabalho nosso.
Estendemos igualmente o nosso reconhecimento a todos os órgãos de comunicação social e colegas de campo, cuja cordialidade e camaradagem reforçaram o ambiente profissional que marcou esta edição. Às Administrações da Ingombota e do Rangel, agradecemos o dinamismo e a prontidão institucional. À Chefe de Polícia, Maria Ângela Serafim, endereçamos uma palavra especial pela eficiência e espírito de serviço.
O nosso apreço vai também ao grupo de jurados, às equipas de produção, técnicos e demais intervenientes que garantiram o brilho do desfile, bem como à Direção de Cultura e Turismo da Província de Luanda, cujo trabalho contínuo fortalece a preservação e promoção da identidade cultural angolana.
Em nome da press.digi, da sua equipa e parceiros, muito obrigado.

Nota Adicional — Homenagens que Reforçam Memória e Identidade
A 48.ª edição do Carnaval de Luanda voltou a provar que a festa é, acima de tudo, um grande palco de memória. Diversos grupos prestaram homenagens que resgatam figuras e símbolos que marcaram, de forma decisiva, os últimos cinquenta anos da nossa história colectiva.
O grupo União Etu Mudietu destacou-se com um enredo dedicado a grandes referências das artes e da música nacional, entre elas Carlos Burity, Lourdes Van-Dúnem, Elias dDia Kimuezo, Yuri da Cunha, Paulo Flores e Belita Palma — nomes que se tornaram parte inseparável da memória afectiva do país, inspirando gerações com o seu legado artístico.
Outras homenagens igualmente marcantes foram prestadas ao veterano Justino Handanga, às nossas incansáveis Mamãs Zungueiras, aos pescadores, professores, profissionais de saúde e a trabalhadores de sectores estratégicos que contribuem directa e indirectamente para o desenvolvimento do país.
Registaram-se também referências a empresas e grupos económicos que se destacam pela sua actividade e impacto social, com especial destaque para o sector petrolífero e energético, incluindo Sonangol, bem como o sector mineiro. Este gesto artístico traduz-se numa forma bela e simbólica de aproximar a visão empresarial às acções de responsabilidade social, incentivando o diálogo entre cultura, economia e comunidade.
Estas homenagens reforçam a força do Carnaval como espelho da sociedade: celebram o passado, inspiram o presente e projectam a esperança de um futuro onde memória, identidade e progresso caminham lado a lado.






























































































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