SÓ CORDAS

Concerto “Só Cordas” — Totó St. & Pérola iluminam o Palácio de Ferro numa noite de música, identidade e intimismo

Palácio de Ferro – 20 de Fevereiro, 20h00
Cobertura exclusiva do press.digi.ao

O icónico Palácio de Ferro acolheu, na noite de 20 de Fevereiro, a segunda edição do concerto “Só Cordas”, protagonizado pelo músico angolano Totó St. e que contou com a participação especial da diva Pérola.

Esta edição marcou um momento inédito e profundamente simbólico: foi a primeira vez que Totó St. e Pérola decidiram partilhar o mesmo palco, criando uma fusão inédita entre as suas cordas vocais e a força melódica dos instrumentos de corda que conduziram a noite.

O encontro entre os dois artistas — cada um com universos próprios, estilos distintos e identidades consolidadas — proporcionou ao público o testemunho de um instante épico: um mosaico de sonoridades intensas, harmonias entrelaçadas e diálogos musicais que fluiram com naturalidade rara.

Entre acordes minuciosos, arranjos cuidadosos, o coro da banda e a vibração de um público absolutamente rendido, o concerto reafirmou-se como um espectáculo intimista, artisticamente refinado e carregado de identidade cultural. Um rito musical que traduziu histórias, memórias e afectos colectivos em perfeita sintonia.

I. Ambiente & Configuração: Um Palco em Sentido Anti-Horário

A noite começou com uma interessante inversão de cenário: o palco improvisado foi montado em sentido anti-horário, paralelo à fachada principal do Palácio. Uma escolha estética e técnica que aproximou o público dos artistas e conferiu ao concerto uma atmosfera de roda, intimidade e proximidade emocional.

O público — diverso, atento, vibrante — misturava juventude e maturidade: jovens apaixonados pelo repertório contemporâneo de Totó, e “Kotas” que reconhecem nele uma continuidade rítmica que honra a escola dos mestres angolanos.


II. Totó St.: A Voz, a Identidade e as Cordas que Contam Histórias

Acompanhado por uma banda afinada, disciplinada e cheia de alma, Totó navegou pelo seu repertório com a mestria de quem carrega no corpo e na voz o património musical angolano entre cordas dos instrumentos musicas e cordas vocais.

A banda revelou um desempenho à altura: compassos perfeitos, improvisos saborosos e uma química sonora que manteve o público em sintonia total.

Totó cruzou sucessos de carreira com interpretações profundas de clássicos nacionais. Entre essas homenagens destacou-se o tributo ao mestre Filipe Mukenga, além de incursões em sonoridades soul norte-americanas contemporâneas — que arrancaram aplausos calorosos.


III. O Momento Pérola: Elegância, Técnica e Emoção em Palco

A entrada de Pérola transformou a noite. Uma presença magnética, segura e incrivelmente sensível.

Pérola emocionou Totó e o público ao interpretar “Ninguém Caminha Só” — música escrita por Totó e eternizada pela sua voz. Entre cumplicidade artística e respeito mútuo, os dois brindaram os presentes com um momento inesquecível, capaz de unir gerações e sensibilidades.

A artista seguiu com três temas adicionais do seu vasto repertório, conduzindo o público a cantar em coro, tal como Totó fizera momentos antes. Nostalgia, alegria e energia foram os elementos que moldaram esta actuação memorável.


IV. Colectivas de Imprensa: Proximidade e Visão Artística

No final do concerto, a direcção do Palácio organizou pequenas colectivas exclusivas para os órgãos de comunicação social presentes.

Pérola — 12 minutos de verdade e amor-próprio

A cantora destacou:

“As mulheres precisam manter-se firmes, preservar os seus valores com dignidade e amor-próprio. Nunca perder a esperança — porque apesar dos desafios, tudo pode mudar, e para melhor.”

Deixou ainda antever novos projectos e enalteceu a sua relação artística com Totó, reconhecendo-o como um dos mais talentosos compositores da actualidade.

Totó St. — 10 minutos de futuro e compromisso

O criador do projecto declarou:

“Só Cordas veio para ficar. Começou com a Edmázia, hoje recebeu a Pérola, e continuará a trazer vozes da nossa nata musical. É um projecto de proximidade, identidade e criatividade. ”

Totó reforçou a ideia de que este formato renova as relações entre artistas e público e estimula novas dinâmicas de programação cultural no país.


V. A Importância do Palácio de Ferro na Programação Cultural de Luanda

A programação cultural do Palácio de Ferro tem-se consolidado como uma das plataformas mais consistentes de promoção das artes, oferecendo espaço para propostas inovadoras, espectáculos intimistas e narrativas identitárias — como o “Só Cordas”, que reafirma a força emocional das cordas na música angolana.


VI. Conclusão Editorial

A direcção de imprensa do press.digi esteve presente mediante convite oficial e registou não apenas o concerto, mas a energia de um público que reconhece Totó e Pérola como dois pilares vivos da música nacional.


NOTA EDITORIAL – Crítica Cultural e Artística

Por Kikalakalu Kia Dibya

O “Só Cordas” é mais que um concerto: é um acto de preservação cultural. É música que volta às raízes e resgata a essência da nossa identidade através da força das cordas — instrumento que respira memória, espiritualidade, fusão e emoção.

Totó revelou-se um contador de histórias. Um griot contemporâneo. Cada acorde parecia abrir gavetas da nossa memória colectiva. Viu-se nele a maturidade de quem conhece profundamente as matrizes sonoras angolanas e usa a simplicidade sofisticada da acústica para elevá-las.

Pérola, por sua vez, trouxe a luz. A delicadeza firme. A presença de uma artista que sabe dominar um palco não pela força, mas pela verdade. Em conjunto, ofereceram um diálogo musical que transportou a plateia para um espaço de intimidade emocional rara.

O Palácio de Ferro cumpriu o papel de berço perfeito: acolhedor, histórico e arquitectonicamente simbólico — um útero cultural onde a música encontra casa.

O “Só Cordas” promete tornar-se um marco anual. Um laboratório de autenticidade, proximidade e raiz. Um lugar onde os artistas voltam ao essencial e o público reencontra em si a Angola profunda jazziando africanidades que vivem na nossa musicalidade contemporânea.

Que venham as próximas edições.
Que venham mais vozes.
Que venha mais identidade.

Kikalakalu Kia Dibya
Crítico Cultural & Correspondente – press.digi.ao


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