Ministro da Cultura defende cooperação entre português e línguas maternas no ensino angolano

Cultura e Educação | Angola

O Ministro da Cultura de Angola, Filipe Zau, defendeu ontem quinta-feira (12), em Luanda, o reforço da cooperação entre a língua portuguesa e as línguas maternas africanas no sistema educativo nacional, considerando esta articulação essencial para melhorar os processos de aprendizagem e preservar a identidade cultural do país.

O posicionamento foi apresentado na abertura do Colóquio sobre Multilinguismo, realizado na Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto, no quadro das celebrações do Dia Internacional da Língua Materna.

No seu discurso, o governante destacou que Angola é uma nação multicultural e plurilingue, realidade que deve ser considerada na estruturação das políticas educativas e na metodologia de ensino aplicada nas escolas.

Segundo Filipe Zau, não se pode partir do pressuposto de que todas as crianças dominam a língua portuguesa no início da escolarização, uma vez que muitas têm como primeira forma de comunicação as línguas maternas africanas.

Para o ministro, a cooperação entre o português e as línguas nacionais representa uma necessidade pedagógica e política, contribuindo para o desenvolvimento do país e para o fortalecimento do sentimento de angolanidade.


Colóquio debate multilinguismo e valorização das línguas nacionais

A Universidade Agostinho Neto acolheu o primeiro dia do colóquio dedicado ao multilinguismo, uma iniciativa que procura reforçar a reflexão académica e institucional sobre o papel das línguas na educação, na cultura e no desenvolvimento social.

A sessão de abertura contou com a presença de várias entidades institucionais, entre elas:

  • o Secretário de Estado para a Educação Pré-Escolar e Ensino Primário, Pacheco Francisco;
  • a coordenadora da Comissão Nacional de Angola para o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Paula Henriques;
  • o decano da Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto, Feliciano Moreira Bastos.

Durante o primeiro dia de trabalhos foram apresentados vários temas relacionados com o multilinguismo e a valorização das línguas nacionais de Angola.

Entre os principais pontos debatidos destacam-se:

  • a presença da língua portuguesa nas organizações internacionais;
  • o papel das línguas nas rádios comunitárias;
  • a diversidade linguística em Angola;
  • a importância das línguas maternas africanas na construção da identidade cultural e social.

O colóquio prossegue esta sexta-feira, 13 de março, com novos painéis dedicados ao ensino bilingue, ao estudo das línguas bantu e às experiências de produção literária e académica em diferentes línguas nacionais.


Nota editorial – PRESS.digi

A valorização das línguas maternas em diálogo com o português tem sido uma das reflexões centrais no debate contemporâneo sobre educação, cultura e identidade em Angola.

Para o PRESS.digi, iniciativas académicas e institucionais como este colóquio reforçam a importância de políticas linguísticas inclusivas que reconheçam a riqueza cultural do país e promovam um ensino mais adaptado à realidade sociolinguística das comunidades angolanas.

A promoção do multilinguismo, além de fortalecer a identidade nacional, contribui também para ampliar os espaços de produção cultural, investigação científica e diálogo intercultural no contexto africano e internacional.

Fonte: Ministério da Cultura de Angola (publicação oficial em rede social institucional).