Novo guia brasileiro propõe modelo de economia do património cultural para comunidades

Cultura e Sustentabilidade

A cultura, para além do seu valor simbólico e identitário, tem também um papel determinante na geração de renda e no desenvolvimento social dos territórios. Com essa visão, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) lançou o “Guia Introdutório da Economia do Patrimônio Cultural”, uma publicação destinada a aproximar comunidades, agentes culturais e instituições da dimensão económica do património.

A iniciativa procura estimular uma gestão inclusiva e sustentável dos bens culturais, incentivando o protagonismo de mestres, detentores de saberes tradicionais, artistas, artesãos e organizações comunitárias na geração de valor a partir do património cultural.

Segundo a coordenadora-geral de Fomento e Economia do Património do IPHAN, Clara Marques, o guia apresenta conceitos básicos da economia cultural numa linguagem acessível, de modo a facilitar a compreensão de quem actua directamente no campo do património, mas nem sempre possui formação em economia.

A publicação deriva da pesquisa “Patrimônio Cultural, Economia e Sustentabilidade”, desenvolvida pelo IPHAN em parceria com o Observatório da Economia Criativa da Bahia, considerada uma iniciativa pioneira ao analisar de forma sistemática as dinâmicas económicas associadas ao património cultural no Brasil.

O documento aborda conceitos centrais como os agentes do património, os factores de produção cultural e a relação entre valor simbólico e valor económico dos bens culturais. No entendimento apresentado pelo guia, o património cultural gera valor não apenas pela sua dimensão histórica e identitária, mas também pela capacidade de criar empregos, fortalecer redes comunitárias e estimular novas actividades económicas.

Outro ponto central da publicação é a sustentabilidade do património cultural, entendida como a capacidade de preservar bens e práticas ao longo do tempo sem comprometer os recursos naturais, sociais e humanos, garantindo simultaneamente condições dignas de vida para as comunidades que mantêm vivas essas tradições.

Enquadramento lusófono

A iniciativa brasileira surge como uma referência relevante para os países de língua portuguesa que procuram fortalecer as suas políticas de economia criativa e de valorização do património cultural. No contexto de Angola, modelos semelhantes poderiam contribuir para estruturar programas que integrem cultura, turismo, educação e geração de renda, sobretudo em comunidades detentoras de patrimónios imateriais e saberes tradicionais.

A partilha de experiências no espaço da lusofonia reforça a ideia de que o património cultural, quando bem gerido, pode tornar-se um instrumento estratégico de desenvolvimento sustentável, inclusão social e afirmação identitária.


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