O Quintal do Dionísio

O Quintal do Dionísio abre a 2ª Temporada no CEFOJOR e reafirma o poder da memória cultural angolana

Luanda — 28 de Fevereiro de 2026.
O meio da manhã caiu quente e vibrante no pátio do CEFOJOR, onde a equipa do press.digi teve a honra de testemunhar o início oficial da 2ª Temporada do programa “O Quintal do Dionísio”, uma das mais importantes janelas de preservação da memória cultural e carnavalesca de Angola.

O anfitrião, Kota Dionísio Rocha, entrou no ar com a energia que lhe é característica — um homem que há mais de meio século se tornou uma verdadeira enciclopédia viva da música popular urbana, do semba e da história profunda do carnaval de Luanda. Figura reverenciada dentro e fora do país, Dionísio carrega consigo a elegância de quem viveu, estudou, recolheu e cantou o pulsar da cidade e do seu povo.

Nesta temporada, o programa ganha casa própria no CEFOJOR, espaço que agora acolhe não apenas a emissão, mas também a expansão de um projecto que continua a celebrar a identidade, o ritmo e a memória colectiva.

O programa contou igualmente com a participação especial de vários integrantes que compõem a base operativa e criativa do team, enriquecendo a dimensão cultural do certame. Entre eles, esteve presente Mona Dikombo, jornalista, autor e especialista linguístico com destaque para a valorização da língua nacional kimbundu; Tony do Hungu, instrumentalista e percussionista cuja presença reforçou a pulsação rítmica do programa; Alberto da Silva e Costa Maweze, músicos e intérpretes dedicados à música de raiz angolana, trazendo suas sonoridades e a força da identidade tradicional.

Somaram-se ainda as vozes de Osvaldo Correia (Clarinho), comentárista e radialista residente, e Gaspar Neves (Cabelo Branco), também comentárista residente, ambos reconhecidos pelo acompanhamento contínuo às dinâmicas culturais da comunidade RCA. E ainda nos brindou com a sua presença, o jornalista cultural Analtino Santos, do JA – Jornal de Angola.

O registo visual e o acompanhamento técnico estiveram sob a atenção do produtor Herberto Xá-Kimona Agostinho, responsável pelo espaço e pelo projecto Prova D’Arte, cuja curadoria reforça a circulação e valorização das expressões artísticas no cenário contemporâneo.


Homenagens que ecoam das ruas para o rádio

Não passou despercebido o facto de que, este ano, Dionísio Rocha foi muso inspirador de dois gigantes do Carnaval de Luanda, ambos da Classe A:

  • União Kiela, comandado pela Comandante Maravilha;
  • União Recreativo do Kilamba, tetracampeão invicto, sob o comando do lendário Poli Rocha.

Ambos os grupos, cada um à sua maneira, trouxeram à avenida enredos que reconhecem Dionísio como força motriz de uma estética musical e carnavalesca que marcou gerações.

E foi precisamente Poli Rocha um dos convidados especiais do arranque desta temporada. Num momento de reflexão que rapidamente se transformou em desabafo legítimo, o comandante lançou uma pergunta que permanece como ferida aberta na cultura nacional:

“Por que razão, em tantos anos de independência, o Estado angolano nunca indicou um único grupo carnavalesco de raiz para uma condecoração oficial que represente o maior movimento cultural de Angola?”

A sua reflexão ecoou entre os presentes, com a força de quem vive — diariamente — as dores, alegrias e sacrifícios do carnaval profundo.

Poli não deixou de sublinhar o respeito pelos seus concorrentes, nem o laço emocional que o liga ao União Mundo da Ilha, inspiração contínua para o seu próprio percurso. E deixou ainda clara a sua meta: manter o Kilamba sempre entre os três primeiros classificados, porque “estar no pódio é mais do que troféu; é missão cultural”.


A visão do Brasil presente: ritmos, irmandade e identidade

A emissão contou também com a participação do comunicador cultural João Belizário (Brasileiro – JB), um dos grandes amigos de Angola dentro da Rádio Cultura. Vindo do país do samba, JB trouxe uma leitura musical que ampliou a compreensão do carnaval angolano:

“No Brasil, a base rítmica do carnaval é quase toda o samba. Em Angola, há uma diversidade rítmica que começa no semba, passa pela kazukuta e se estende a ritmos ancestrais únicos no mundo.”

A sua observação reforça o que a Aprocal e o seu presidente têm repetido: preservar a raiz é a base da modernização sustentável do carnaval de Luanda.


Uma nova parceria e uma nova dinâmica na rádio cultural angolana

Este arranque de temporada marcou ainda a estreia de uma nova parceria de peso:
Mário Santos, jornalista, apresentador e homem de cultura, passou a integrar a equipa do Quintal do Dionísio.

Conhecido pelo seu trabalho na TPA e pela sua capacidade de transformar programas musicais em espaços de memória e aprendizagem, Mário trouxe ao quintal a sua energia habitual — um misto de rigor, emoção e profundo conhecimento da música africana.

A sinergia entre Dionísio, JB e Mário Santos criou um ambiente único, de mesa redonda cultural, onde cada voz acrescentou camadas à história comum angolano-lusófona.


E vem aí celebração: Prova d’Art recebe a continuidade do ciclo

O ambiente de festa estende-se para 1 de Março, no espaço Prova d’Art, no Miramar — um centro cultural ao ar livre que respira arte, música e gastronomia urbana.
A escolha da data, véspera do Dia da Mulher angolana, reforça o simbolismo de fechar o mês com cultura e abrir o mês com homenagens.


O press.digi e a identidade cultural angolana

Com esta cobertura, reafirmamos o nosso compromisso editorial:
contar as histórias que contam Angola.
Registrar os rostos, as vozes, os sons e as tradições que sustentam a identidade do nosso povo.

E fazemos isso com o respeito e a dedicação que cada figura da nossa cultura merece — especialmente aquelas, como Dionísio Rocha, que há décadas preservam a alma viva da nação.