RESENHA DO CARNAVAL DE LUANDA

Resenha — 48.ª Edição do Carnaval de Luanda

Por Kikalakalu Kiadibya — press.digi.ao

A cidade de Luanda voltou a pulsar no ritmo da sua maior manifestação cultural popular. A 48.ª edição do Carnaval trouxe às ruas um mosaico vibrante de cores, passos, sons ancestrais e um espírito de pertença que reafirma a identidade do povo angolano.

Durante cinco dias intensos, os municípios da Ingombota e do Rangel transformaram-se em eixos centrais deste movimento, acolhendo milhares de foliões, grupos carnavalescos e curiosos atraídos pela energia que só o Carnaval de Luanda consegue produzir. O press.digi.ao acompanhou de perto cada momento, reforçando o compromisso de dar visibilidade ao que nos identifica como nação.

Presenças e institucionalidade

A edição deste ano ganhou um brilho especial com a participação de várias entidades do aparelho governativo e cultural. Destaca-se a presença da Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, no desfile principal da Classe A, reforçando o posicionamento do Carnaval como património vivo e estratégico da cultura angolana.

Também estiveram presentes:

  • O Vice-Governador de Luanda, Manuel Gonçalves,
  • O Presidente da Aprocal, Tany Narciso,
  • A Directora da Cultura e Turismo de Luanda, Teresa Tatiana Tomás de Morais Mbuta,
  • Representantes das administrações municipais da capital.

A sua presença foi mais do que protocolar: demonstrou acompanhamento real e valorização de um movimento que impacta comunidades, gera economia local e fortalece as nossas tradições.

Os vencedores e o desfile dos campeões

Hoje, 21 de Fevereiro, desde as primeiras horas da manhã — num sábado que amanheceu festivo — multidões rumaram ao Palácio de Ferro, chamado pela “bússola biológica” de cada folião para a cerimónia de entrega dos prémios às agremiações vencedoras.

Autocarros, viaturas e até grupos inteiros a pé convergiram para o centro histórico de Luanda. A atmosfera era de celebração, reencontro e orgulho.

E, entre os campeões, nenhuma surpresa:
o União Recreativo do Kilamba confirmou mais uma vez a sua hegemonia.

A agremiação conquistou o seu quadragésimo título e mantém-se invicta nos últimos cinco anos, reafirmando um legado de disciplina, coordenação, musicalidade e entrega absoluta. Sob o comando do carismático mestre Poli, cada apito definia, com precisão cirúrgica, o alinhamento de passistas, porta-bandeiras, bateria e harmonia.

Ainda assim, a festa foi abrilhantada pelos também grandiosos:

  • União Kiela,
  • União Mundo da Ilha,
  • União Geração do Cazenga,
    que entregaram performances de excelência e mostraram a força competitiva e criativa das escolas de Luanda.

O espírito do Carnaval

No ar ainda ecoam tambores, reco-recos, puitas, batuques e melodias que atravessam gerações. A cada batida, o Carnaval reacende memórias e reafirma a ancestralidade musical do povo angolano.

Mas, acima da competição, permanece uma verdade fundamental:
o Carnaval é união, é comunidade, é a expressão do “Carnaval da Vitória” — um símbolo histórico de força colectiva e identidade nacional.

Competir, sim.
Agredir, nunca.
Aprender, sempre.
Empreender e investir, urgentemente.
Dividir, boicotar ou insultar não fazem parte deste legado.

O verdadeiro espírito carnavalesco celebra a inclusão, a unidade nacional e a genuinidade cultural que outrora encantou toda a Angola — e que precisa, agora mais do que nunca, de ser resgatado e fortalecido.

Nota final

Esta resenha é também um agradecimento a todos os grupos carnavalescos, mestres, coordenadores, músicos, costureiras, artesãos, dirigentes culturais e entidades públicas que tornam possível manter viva esta corrente de cultura popular. O Carnaval é de todos — e pelo bem de todos deve continuar a ser celebrado, preservado e valorizado.

Nota Adicional — A presença internacional que deu ainda mais cor ao Carnaval

Um dos aspectos mais marcantes e curiosos desta 48.ª edição do Carnaval de Luanda foi a forte presença de grupos organizados com a participação de estrangeiros que não apenas assistiram, mas participaram activamente na celebração, contribuindo para colorir e elevar ainda mais a vibração cultural do evento.

Foram inúmeras delegações e visitantes vindos de vários pontos do mundo, sobretudo da Europa — entre russos, franceses, portugueses, espanhóis e britânicos — bem como das Américas, destacando-se brasileiros, mexicanos, uruguaios e norte-americanos. A sua presença reforça um fenómeno crescente: a cultura angolana tem se consolidado como um poderoso instrumento de diplomacia social, capaz de aproximar povos, criar pontes e legitimar a representatividade entre nações através da arte e da convivência comunitária.

O Carnaval de Luanda, ao acolher estes visitantes com naturalidade e entusiasmo, provou mais uma vez ser um espaço de partilha universal, onde sonoridades, tradições e sensibilidades se encontram em harmonia.

Viva Angola,
viva a cultura,
viva todos os angolanos que fazem deste país um palco de acolhimento e beleza colectiva.

Nota Editorial — A nossa galeria de memórias em expansão

O press.digi continua a erguer, com paciência de artesão e olhar de cronista, uma galeria de memórias que cresce a cada evento que registamos. Cada fotografia, cada frame e cada texto nasce não apenas como documento, mas como testemunho vivo das histórias que o nosso país conta diariamente — histórias que respiram cultura, movimento, esforço colectivo e beleza quotidiana.

Temos construído um arquivo diverso e rico, onde cada cobertura acrescenta mais uma peça ao grande mosaico da identidade cultural angolana. É uma caminhada que fazemos lado a lado com o Estado angolano, enquanto parceiros naturais na missão de comunicar o melhor do nosso património humano, social e artístico.

Acima de tudo, caminhamos ao lado do cidadão — verdadeiro protagonista que nos inspira a continuar. São os seus traços, as suas cores, os seus tons e os seus sons que alimentam a nossa vontade de produzir com paixão e dedicação.

Somos uma equipa pequena, sim — mas profundamente impactante. E é com esse espírito que a redação do press.digi segue registando, narrando e preservando o que o tempo não deve levar: a alma vibrante de Angola.


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