Sílvia Lutucuta destaca avanços na formação de quadros durante programa Angola–Brasil


Saúde & Cooperação Internacional

A ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, apresentou em São Paulo um balanço dos principais avanços registados no sector da saúde angolano, com particular destaque para os investimentos na formação de recursos humanos.

A intervenção ocorreu durante a aula inaugural do Ciclo 2026 do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil–Angola, realizada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, uma das instituições académicas mais prestigiadas da América Latina.

De acordo com informações divulgadas pelo Jornal de Angola, o evento reuniu representantes dos governos de Angola e do Brasil, especialistas do sector da saúde, dirigentes de instituições académicas, técnicos do programa e bolseiros angolanos actualmente em formação em universidades brasileiras.

Entre os responsáveis provinciais, estiveram os directores dos gabinetes provinciais de saúde do Bengo, Cubango, Cuanza-Sul, Cunene, Huambo, Icolo e Bengo, Moxico, Lunda-Norte , Namibe, Huambo e Luanda, bem como representantes de instituições hospitalares e pedagógicas ligadas ao sector da saúde. E representantes do Ministério da Saúde do Brasil, membros da coordenação da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde, bem como directores de gabinetes Estaduais de saúde.

Reforço histórico da força de trabalho no sector

Durante a aula magna, a ministra destacou que Angola realizou os três maiores concursos públicos da história do sector da saúde, permitindo um aumento de 43,6% da força de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo Sílvia Lutucuta, este crescimento constitui um passo fundamental para alcançar o objectivo estratégico da cobertura universal dos serviços de saúde em todo o território nacional.

No domínio da formação médica especializada, a governante revelou que cerca de 4.000 médicos internos encontram-se actualmente em formação em 39 programas de especialização em Angola.

Somente em 2025 foram certificados 399 novos especialistas em medicina geral e familiar, área considerada central para o fortalecimento da rede de cuidados primários.

Formação inédita de enfermeiros especialistas

Outro marco destacado foi o início da formação pós-graduada em enfermagem no sector público angolano.

O programa inclui 10 áreas de especialização, permitindo a qualificação de 3.954 enfermeiros em domínios considerados prioritários para o sistema nacional de saúde, entre os quais:

  • enfermagem médico-cirúrgica
  • saúde comunitária
  • pediatria
  • saúde materna e neonatal
  • emergência e trauma
  • cuidados intensivos
  • infectologia
  • nefrologia
  • dermatologia com enfoque em tratamento de feridas
  • anestesiologia e reanimação

Estas iniciativas integram um plano nacional mais amplo que prevê a especialização de 38 mil profissionais de saúde até 2028.

Segundo o programa, 80% da formação deverá ocorrer em Angola, enquanto 20% será realizada no exterior, reforçando simultaneamente a capacidade interna do sistema nacional de saúde.

Cooperação académica com o Brasil

No âmbito da cooperação bilateral com o Brasil, a ministra informou que 11.648 profissionais angolanos já beneficiam directamente das iniciativas de formação.

Entre estes, 1.174 profissionais encontram-se actualmente em formação no exterior, dos quais 783 realizam estudos em instituições brasileiras.

A parceria envolve 68 instituições de ensino e investigação distribuídas por 23 estados brasileiros, que acolhem profissionais angolanos em programas de estágios, especializações e formação avançada.

Para o ano académico de 2026, as universidades brasileiras disponibilizaram 1.403 vagas de formação, sendo que 771 já foram ocupadas por profissionais angolanos seleccionados.

Nota editorial Press.Digi

Para o Canal Press.Digi, os dados apresentados pela ministra da Saúde revelam um momento particularmente promissor da cooperação bilateral entre Angola e Brasil no domínio da formação médica e científica.

Mais do que um intercâmbio académico, esta parceria representa um investimento directo na qualificação de profissionais que irão reforçar o sistema de saúde angolano e melhorar o acesso da população aos serviços médicos.

Num contexto em que a saúde pública constitui um dos pilares do desenvolvimento social, a cooperação entre universidades, hospitais e centros de investigação dos dois países demonstra como o diálogo entre África e América do Sul pode produzir resultados concretos para o bem-estar das populações.

Fonte: Jornal de Angola
Edição e análise editorial: Press.Digi – Cooperação África-Brasil.

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