Documentário revela contributo angolano na génese da rumba congolesa

Obra de Nguxi dos Santos resgata memória, identidade e protagonismo de músicos angolanos na construção de um dos maiores ritmos africanos

Uma viagem às origens da rumba africana

O documentário “O Contributo dos angolanos na rumba congolesa”, produzido pelo realizador angolano Nguxi dos Santos, propõe uma leitura profunda sobre as raízes, influências e protagonistas de um dos mais emblemáticos movimentos musicais do continente africano.

A obra mergulha na génese da rumba, reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em dezembro de 2021, destacando o papel determinante dos músicos angolanos na construção deste legado cultural.


Testemunhos, história e identidade partilhada

Em declarações ao Jornal de Angola, o realizador sublinhou que o documentário apresenta testemunhos reais, vivências autênticas e narrativas que atravessam gerações, revelando a forte presença angolana na evolução da rumba.

Desde os anos 40, com influências da música cubana, até à consolidação de um som próprio no continente africano, a obra evidencia uma ligação histórica e cultural entre povos, mostrando que a rumba também carrega um ADN angolano.

A narrativa percorre momentos marcantes da evolução do género, com destaque para a introdução de guitarras eléctricas, orquestras de sopro e o surgimento de grupos históricos como African Jazz, liderado por Franco Luambo, e o Trio Madjesi, entre outros nomes que moldaram o panorama musical africano.


Biografia | Um percurso ao serviço da memória audiovisual

Natural do Nzeto, província do Zaire, Nguxi dos Santos é uma das figuras mais influentes da história da televisão e do documentarismo em Angola.

Com início de carreira aos 18 anos como sonorizador, destacou-se posteriormente como repórter de guerra nos anos 80, integrando equipas que documentaram momentos críticos da história nacional.

Ao longo das décadas, consolidou-se como realizador de referência, assinando obras marcantes como:

  • Pelo Silêncio das Armas (1994)
  • O Homem que foi Enterrado Vivo (1997)
  • Gaivota Negra (2003)
  • Mamã Muxima (2009)

Reconhecido internacionalmente, foi distinguido como uma das personalidades mais influentes da lusofonia, mantendo-se activo na preservação da memória audiovisual e no desenvolvimento de projectos culturais e educativos.


Nota Editorial | PRESSdigi

Mais do que um documentário, esta obra reafirma o papel de Nguxi dos Santos como uma referência incontornável da sua geração, cuja trajectória continua a iluminar caminhos para as novas gerações de criadores.

Num tempo em que a preservação da memória se torna urgente, o seu trabalho assume-se como fonte de consulta, base de pesquisa e instrumento de identidade colectiva, inspirando jovens realizadores e produtores a explorarem as narrativas africanas com profundidade e autenticidade.

A sua contribuição ultrapassa o registo documental: é um legado vivo que continua a formar consciências, a valorizar a história e a projectar Angola no panorama audiovisual africano e global.


Fonte: Jornal de Angola / PRESSdigi.ao_Arquivos Bio
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