“Niketche” encerra tour em Angola com reflexão sobre a mulher africana contemporânea

Colectivo moçambicano leva ao palco do Elinga Teatro uma narrativa intensa sobre tradição, poligamia e emancipação feminina

Encerramento em Luanda marca ciclo de circulação cultural

O palco do Elinga Teatro acolheu as duas últimas apresentações da peça “Niketche”, protagonizada pelo colectivo Luarte, de Moçambique, encerrando uma digressão de quatro semanas por Angola, numa co-produção com a Kafukolo 5.

Nas noites de sexta-feira e sábado, o quinteto de actrizes — Arlete Bombe, Moiasse Sambo, Julieta Lopes, Deize Manjate e Helena Tembe — deu vida às personagens da obra da escritora Paulina Chiziane, cuja narrativa aborda questões profundas ligadas à poligamia.


Teatro como espaço de reflexão social

Com encenação de Eliot Alex, o espectáculo conduziu o público a uma reflexão sobre o papel da mulher nas sociedades africanas contemporâneas.

Entre diálogos intensos e momentos coreográficos ao som da marrabenta, a peça construiu uma atmosfera simbólica onde tradição e modernidade se confrontam, convidando o espectador a questionar normas sociais profundamente enraizadas.


A narrativa de Rami e o universo feminino

A história centra-se na personagem Rami, que, após duas décadas de casamento, descobre que o marido mantém outras relações conjugais. A partir deste ponto, desenvolve-se uma narrativa densa que explora:

  • As tensões entre a lei formal e os costumes tradicionais
  • Os desafios da emancipação feminina
  • A construção de solidariedade entre mulheres

O público foi conduzido por uma viagem emocional e cultural, mergulhando nas complexidades do universo feminino africano.


Percurso nacional e impacto cultural

Antes de chegar a Luanda, a peça percorreu várias províncias, com apresentações no Lubango (ISCED), Namibe (Centro Cultural Mussungo Bitoto), Benguela (Auditório da RNA) e Bengo (Cine Teatro Caxito), reforçando o alcance nacional da iniciativa.

A circulação da obra integra o movimento do Circuito Internacional de Teatro (CIT), consolidando Angola como palco de intercâmbio artístico no espaço lusófono.


Nota Editorial | PRESSdigi

A presença de colectivos teatrais da lusofonia em Angola, através de digressões culturais e residências artísticas, representa mais do que intercâmbio — constitui um verdadeiro exercício de diplomacia cultural.

Este movimento abre caminho para uma via de reciprocidade, onde artistas e produtores culturais angolanos também possam ocupar palcos internacionais, promovendo a cultura nacional além-fronteiras.

Fortalecer estas pontes é investir na construção de uma irmandade entre povos, onde a arte se afirma como linguagem comum, capaz de unir histórias, identidades e visões de futuro.


Fonte: Jornal De Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao