João Lourenço ergue a voz global pela paz e alerta para colapso iminente da ordem mundial

Na Cimeira da OEACP, em Malabo, o Presidente angolano apela ao fim das guerras e defende unidade estratégica entre África, Caraíbas e Pacífico para travar crises globais e reposicionar o equilíbrio internacional

MALABO — Num dos discursos mais contundentes da sua liderança à frente da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), o Presidente da República de Angola, João Lourenço, lançou um apelo directo à comunidade internacional para o fim imediato dos conflitos armados em África, Europa e Médio Oriente.

Ao fazer o balanço dos três anos de mandato, o Chefe de Estado advertiu que o mundo atravessa um momento crítico, marcado por decisões unilaterais e pela erosão do Direito Internacional.

“O mundo transformou-se numa selva, onde qualquer superpotência evoca um direito inexistente”, afirmou, numa clara crítica às intervenções militares baseadas em interesses estratégicos.

João Lourenço foi mais longe ao alertar para o risco real de colapso da economia global, sublinhando que sectores vitais como o transporte internacional, o turismo, o comércio e as cadeias logísticas enfrentam uma pressão sem precedentes.

“Quem vai assumir a responsabilidade final desta hecatombe?”, questionou.


África, Caraíbas e Pacífico: uma voz colectiva necessária

Perante um cenário internacional instável, o Presidente angolano defendeu uma actuação mais firme e coordenada dos 79 Estados-membros da OEACP, destacando a necessidade de uma voz activa nas grandes decisões globais.

O estadista recordou que os povos destas regiões carregam uma memória histórica comum de exploração e advertiu que, no século XXI, persistem dinâmicas semelhantes, agora associadas ao controlo de recursos energéticos e minerais estratégicos.

“Com diferentes argumentos, mas com os mesmos objectivos, continuam as intervenções para controlo das riquezas”, denunciou.


Reconhecimento internacional e liderança estratégica

Durante a cimeira, João Lourenço foi distinguido com um prémio pelo fortalecimento institucional da OEACP, numa cerimónia que reconheceu os avanços alcançados sob liderança angolana, com destaque para:

  • Promoção do desenvolvimento sustentável
  • Reforço da integração económica
  • Valorização do capital humano
  • Consolidação de parcerias estratégicas, como o Acordo de Samoa com a União Europeia

Angola reafirmou ainda o seu compromisso com a organização ao anunciar uma contribuição financeira de três milhões de euros, destinada a reforçar a capacidade operacional do Secretariado.


Uma agenda para o futuro: paz, cooperação e equilíbrio global

No encerramento do seu discurso, João Lourenço deixou uma mensagem clara: apenas a unidade, a coragem política e a cooperação efectiva poderão reverter o actual cenário de instabilidade global.

“Só a acção coordenada dos nossos países poderá devolver ao mundo a paz, a estabilidade e o respeito pelo Direito Internacional.”


NOTA EDITORIAL — PRESSDIGI (Classe MUNDO): Impacto social, político e económico global

A intervenção de João Lourenço ultrapassa o campo diplomático e entra no domínio simbólico e estrutural da narrativa global contemporânea. Ao posicionar Angola como voz activa na defesa da paz e da justiça internacional, o país reforça o seu papel enquanto actor emergente na mediação de conflitos e na construção de novas pontes geopolíticas.

Do ponto de vista social, o discurso ecoa preocupações universais — segurança, estabilidade e dignidade humana — que influenciam directamente a mobilidade cultural, o turismo e os fluxos económicos. Num mundo marcado por tensões, a cultura e a arte tornam-se também instrumentos de resistência, diálogo e reconciliação.

Economicamente, o alerta sobre o possível colapso das cadeias globais evidencia a interdependência dos mercados e reforça a necessidade de diversificação e resiliência — temas centrais para países como Angola, que procuram afirmar-se no cenário internacional.

Politicamente, a mensagem reafirma a urgência de uma nova ordem mundial mais equilibrada, onde o Sul Global tenha maior protagonismo, não apenas como observador, mas como decisor.


Fonte: Jornal de Angola e Rede Nacional
Alinhamento Editorial: Pressdigi