Sona Elevado a Património Mundial Reforça Lugar de Angola na História Universal da Arte e da Ciência

Reconhecimento da arte milenar cokwe pela UNESCO projeta saber ancestral angolano no cenário global e impulsiona valorização do património cultural e criativo nacional

ARTE & CULTURA

Angola volta a inscrever o seu nome na história universal ao ver reconhecida, pela UNESCO, a arte dos Sona, expressão milenar dos povos cokwe, como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

A decisão foi aprovada durante a sessão do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, realizada no Botswana, marcando um feito singular: trata-se de um dos raros casos em que um bem cultural associado à matemática tradicional recebe distinção global, ao lado do ábaco chinês, reconhecido em 2013.


ARTE, MATEMÁTICA E MEMÓRIA ANCESTRAL

Os Sona são mais do que simples desenhos geométricos traçados na areia — representam sistemas complexos de pensamento lógico, narrativas simbólicas e transmissão de conhecimento entre gerações.

“Os Sona traduzem a inteligência ancestral africana, onde arte e ciência caminham lado a lado.”

Este reconhecimento internacional reforça o valor das epistemologias africanas, muitas vezes subvalorizadas, mas fundamentais para a compreensão da diversidade do conhecimento humano.


ANGOLA NA ROTA DO PATRIMÓNIO MUNDIAL

O país prepara-se agora para ampliar a sua presença nesta lista selectiva da UNESCO, com candidaturas relevantes como:

  • O estilo musical e dança Semba
  • O complexo arqueológico de Tchitundu-Hulu, no Namibe

Com mais de quatro mil anos, as pinturas rupestres de Tchitundu-Hulu constituem um dos mais importantes testemunhos da arte pré-histórica em África, reforçando a profundidade histórica da expressão cultural angolana.


INSTITUIÇÕES E DINÂMICA CULTURAL

No plano institucional, Angola continua a consolidar o seu tecido cultural através de entidades históricas e contemporâneas:

  • A União dos Escritores Angolanos, fundada em 1975
  • A Academia Angolana de Letras, criada em 2016

Estas instituições desempenham um papel fundamental na preservação, investigação e promoção da literatura e das línguas nacionais, assegurando a continuidade do pensamento cultural angolano.


INFRA-ESTRUTURAS E PROJEÇÃO CULTURAL

O investimento em infra-estruturas culturais tem sido um dos eixos estratégicos para o desenvolvimento do sector, com destaque para:

  • O Centro Cultural Manuel Rui, no Huambo
  • O Centro Cultural Mussungo Bitoto, no Namibe

Estes espaços surgem como plataformas de criação, difusão artística e promoção do turismo cultural, contribuindo para a valorização dos fazedores de arte e para o fortalecimento da economia criativa.

Em perspectiva, destacam-se ainda projectos estruturantes como:

  • O futuro Palácio da Música e do Teatro
  • A Casa do Artista, em Luanda
  • A reabilitação do Cine-Teatro Nacional

FESTIVAIS E DINÂMICA ARTÍSTICA

O regresso do FENACULT, em 2014, e a realização contínua de festivais internacionais de teatro, música e artes visuais têm reforçado a presença de Angola no circuito cultural global, promovendo intercâmbios e valorizando talentos nacionais.


NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI

O reconhecimento dos Sona pela UNESCO representa mais do que uma conquista cultural — é um acto de reposicionamento histórico. Durante séculos, o conhecimento africano foi marginalizado nos grandes registos da humanidade. Hoje, esse mesmo conhecimento emerge com legitimidade e reconhecimento global.

Do ponto de vista social, este marco reforça o orgulho identitário e contribui para a valorização das raízes culturais, sobretudo entre as novas gerações. A integração de saberes tradicionais nos sistemas contemporâneos de ensino e inovação pode abrir caminhos para uma abordagem mais inclusiva e plural do conhecimento.

A cultura, neste contexto, afirma-se como ponte entre passado e futuro — um instrumento de afirmação, desenvolvimento e soberania simbólica. Ao preservar e projectar os seus valores culturais, Angola não apenas honra a sua história, mas contribui activamente para a diversidade cultural do mundo.


FONTE: Jornal de Angola
ALINHAMENTO EDITORIAL: Arte – Pressdigi


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