JAZZ & SEMBA | Concerto reforça união entre povos e exalta identidade cultural angolana
O Shopping Fortaleza, em Luanda, acolheu no sábado o concerto “Jazz & Semba: Peças para a Paz”, um encontro artístico e multicultural que reuniu músicos nacionais e internacionais numa celebração dedicada à promoção da paz, solidariedade e intercâmbio cultural através da música.
Inserido nas celebrações do Dia Internacional do Jazz, o espectáculo integrou igualmente manifestações de moda africana, artes plásticas e momentos institucionais ligados à diplomacia cultural, afirmando a arte como instrumento de aproximação entre os povos.

Segundo a Reportagem DIGI, o ambiente vivido na Fortaleza de São Miguel foi marcado por forte adesão do público, presença de representantes diplomáticos acreditados em Angola, artistas, estudantes, promotores culturais e apreciadores da música angolana e africana, num cenário multigeracional e de convivência social harmoniosa.
Instituições culturais e jovens talentos abriram a celebração
A programação iniciou com momentos de apresentação institucional conduzidos por parceiros do projecto ResiliArt Angola, incluindo intervenções do representante da UNESCO em Angola, do Embaixador da Ucrânia e da direcção da American School of Angola (ASA).
O público assistiu ainda a demonstrações artísticas protagonizadas por estudantes ligados ao projecto ResiliArt, com apresentações musicais, ballet tradicional e de moda que evidenciaram o investimento na formação de novos talentos culturais em Angola.
A iniciativa voltou a reforçar o papel da juventude criativa como elemento central no fortalecimento da identidade cultural contemporânea e na promoção da cultura de paz.

Angola 70 reviveu clássicos do semba e emocionou o público
O primeiro grande momento musical da noite esteve a cargo do Conjunto Angola 70, que abriu oficialmente o concerto com uma actuação dedicada ao semba clássico angolano.
A banda apresentou versões instrumentais de temas históricos da Música Popular Angolana (MPA), num espectáculo marcado pela elegância sonora, forte presença rítmica e valorização das raízes culturais nacionais.
O grupo integra músicos de referência como Teddy N’Singui, Botto Trindade, Joãozinho Morgado, Dulce Trindade, Chico Santos, Raul Tollingas e o percussionista convidado Bucho Brás, figuras reconhecidas pelo contributo à preservação dos ritmos tradicionais angolanos.
A performance despertou forte emoção no público angolano e encantou igualmente os visitantes estrangeiros presentes no recinto.

Intercâmbio afro-atlântico aproximou Angola e Brasil
O concerto prosseguiu com uma demonstração de internacionalização da Música Popular Angolana através da participação de Rallie, músico e arranjador brasileiro, com um percurso consolidado na MPB e fusões rítmicas acompanhado pela banda angolana dirigida pelo pianista Mr. Roland.
A interpretação de clássicos como “Binri Binri” e “Muxima”, cantados em kimbundu e umbundu pelo artista brasileiro, simbolizou um momento de irmandade cultural entre Angola e Brasil, exaltando a ancestralidade africana partilhada entre os dois lados do Atlântico.

Dodó Miranda levou espiritualidade e ancestralidade ao palco
Um dos momentos mais marcantes da noite aconteceu com a entrada em palco de Dodó Miranda, considerado uma das vozes mais respeitadas do afro-jazz, soul e gospel angolano.
Com uma actuação carregada de espiritualidade, emoção e profundidade estética, o artista conduziu o público numa viagem ancestral e sonora entre Mbanza Congo e Mississippi, evocando elementos da black music mundial e das raízes africanas.
Cantor, compositor, produtor musical e mestre coral, Dodó Miranda é reconhecido pela capacidade de fundir ritmos afro-tradicionais angolanos com influências do gospel contemporâneo, soul e afro-jazz.

Jimmy Dludlu representa o afro-jazz moçambicano em Luanda
Representando Moçambique, o guitarrista Jimmy Dludlu encerrou a programação internacional do festival com uma performance marcada pela sofisticação instrumental e forte identidade africana.
Reconhecido como um dos maiores expoentes do afro-jazz contemporâneo, o músico encantou o público angolano com uma sonoridade que cruza tradição africana e jazz moderno.
Filipe Mukenga reafirma grandeza do jazz angolano
O encerramento do espectáculo teve como grande destaque o mestre Filipe Mukenga, uma das figuras mais prestigiadas da música angolana.
Com sua poética singular, falsetes envolventes e fusão entre jazz, semba, soul e ritmos tradicionais, Mukenga interpretou temas emblemáticos como “Filho de Cabinda” e “Ndilokewa”, levando o público a um momento de forte celebração identitária.
Considerado o “Rei do Jazz angolano“, Filipe Mukenga continua a afirmar-se como símbolo da valorização cultural africana e da preservação da MPA – Música Popular Angolana no panorama internacional.

Produção cultural reforça diplomacia artística e cultura de paz
O festival resultou de uma produção conjunta entre o Projecto ResiliArt Angola, UNESCO, American Schools of Angola, Governo de Angola, através da Bienal de Luanda, e a Chimuma Comunicação e Eventos.
A iniciativa integrou-se nas acções internacionais ligadas à promoção da cultura de paz e da diplomacia cultural através das artes.
Reflexão crítica sobre valorização dos artistas nacionais
Numa nota de reflexão crítica cultural assinada por Kikalakalu Kiadibya, a cobertura da PRESSdigi destacou a importância da valorização institucional dos artistas angolanos em eventos de dimensão internacional.
Apesar do reconhecimento da qualidade organizativa e do impacto cultural do concerto, foram apontadas questões relacionadas com atrasos técnicos, gestão protocolar e tratamento simbólico reservado a algumas figuras históricas da música nacional.
A reflexão sublinha que Angola possui artistas de excelência internacional que merecem condições logísticas, institucionais e protocolares compatíveis com a relevância do seu legado artístico e cultural.
O texto apela igualmente à necessidade de reforçar práticas de dignificação das referências culturais nacionais, garantindo equilíbrio entre hospitalidade internacional e valorização da identidade artística angolana.
Fonte: REDE NACIONAL | REPORTAGEM DIGI
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao







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