ÁFRICA EM FOCO | João Lourenço defende reformas institucionais e autonomia financeira da União Africana
O Presidente da República de Angola e actual Presidente em Exercício da União Africana, João Lourenço, afirmou esta segunda-feira que as reformas institucionais e o financiamento sustentável da União Africana (UA) constituem prioridades estratégicas para o fortalecimento político, económico e institucional do continente africano.
As declarações foram feitas durante a 4.ª Reunião Virtual do Comité Ad Hoc sobre Reformas Institucionais da União Africana, convocada pelo Presidente do Quénia, William Ruto, na qualidade de Embaixador das Reformas Institucionais da organização continental.
O encontro decorreu simbolicamente no dia em que África assinala os 63 anos da criação da Organização da Unidade Africana (OUA), instituição fundada a 25 de Maio de 1963 e sucedida posteriormente pela actual União Africana.
Reforma da União Africana exige pragmatismo e visão estratégica
Na sua intervenção, João Lourenço destacou que o ideal dos fundadores da OUA continua actual e necessário, sobretudo perante os desafios geopolíticos, económicos e sociais enfrentados pelos países africanos.
Segundo o Chefe de Estado angolano, os progressos alcançados no processo de reformas demonstram a vontade colectiva dos Estados-membros em fortalecer a eficiência administrativa, a meritocracia e a capacidade operacional da União Africana.
No entanto, advertiu que persistem desafios estruturais que exigem maior disciplina institucional, coerência estratégica e realismo financeiro.
“O continente precisa de uma União Africana mais eficaz, coerente e capaz de responder aos desafios contemporâneos”, sublinhou João Lourenço durante o encontro virtual.
O Presidente alertou ainda para os riscos de uma expansão excessiva das estruturas institucionais da organização sem correspondência directa com os recursos disponíveis.
Dependência externa preocupa liderança africana
Outro ponto central abordado pelo estadista angolano foi a forte dependência financeira da União Africana em relação a parceiros internacionais.
Para João Lourenço, embora as parcerias externas sejam importantes, África deve acelerar os mecanismos internos de financiamento sustentável para garantir maior autonomia estratégica e soberania política.
O Presidente considerou preocupante o facto de vários programas continentais dependerem maioritariamente de financiamento externo, situação que, segundo afirmou, pode comprometer a independência das prioridades africanas.
“A transformação estrutural do financiamento da organização não pode mais ser adiada”, defendeu.
O Chefe de Estado apelou igualmente à racionalização das despesas, ao reforço da disciplina orçamental e à concentração dos recursos disponíveis nas áreas prioritárias da União Africana, como paz e segurança, desenvolvimento económico, integração regional e estabilidade institucional.
Angola reforça protagonismo continental
Durante a reunião, João Lourenço felicitou o Presidente William Ruto pelo trabalho desenvolvido no âmbito das reformas institucionais da organização africana, reconhecendo os esforços para modernizar os mecanismos de governação da UA.
A participação activa de Angola nestes debates reforça o posicionamento diplomático do país nas principais agendas continentais, sobretudo num período marcado pela necessidade de maior integração africana, fortalecimento económico regional e afirmação da soberania do continente perante os desafios globais.
União Africana procura consolidar visão dos fundadores da OUA
A reunião decorreu no contexto das celebrações do Dia de África, data que simboliza a luta histórica pela libertação, unidade e afirmação política dos povos africanos.
Mais de seis décadas depois da criação da OUA, a União Africana continua empenhada em consolidar os princípios defendidos pelos líderes fundadores do continente: unidade, autodeterminação, desenvolvimento sustentável e cooperação regional.
As reformas institucionais em curso procuram adaptar a organização aos desafios actuais da governação continental, financiamento autónomo e fortalecimento das capacidades africanas de decisão e intervenção estratégica.
Fonte: REDE NACIONAL | ANGOP
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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