Académico angolano destaca valorização dos professores e modernização curricular como pilares do desenvolvimento nacional

SOCIEDADE E ACADEMIA | Carlos Feijó defende reconstrução estratégica do sistema educacional angolano

O advogado, académico e investigador angolano Carlos Feijó defendeu, em Luanda, a necessidade urgente de uma profunda reconstrução do sistema educacional angolano, com foco prioritário na formação, valorização e qualificação contínua dos professores, considerando a educação como base estratégica para o desenvolvimento sustentável de Angola e do continente africano.

As declarações foram feitas durante o lançamento da obra “Capital Humano e Desenvolvimento no Continente Africano – Experiências, Modelos e Desafios”, publicação editada pela Whereangola, que reúne reflexões sobre os desafios estruturais da educação, qualificação profissional e desenvolvimento humano em África.


Capital humano como motor do desenvolvimento africano

Com 99 páginas, a obra aborda a importância estratégica do capital humano para o futuro económico, científico e social do continente africano, defendendo uma nova visão sobre os investimentos públicos nas áreas da educação, investigação e formação técnica.

Segundo Carlos Feijó, o conceito de capital humano ultrapassa a simples obtenção de diplomas académicos, envolvendo competências práticas, habilidades técnicas, pensamento crítico, ética e capacidade de intervenção social.

“A política educacional é a política económica mais estratégica que um país pode ter”, afirmou o académico.

O jurista angolano considera igualmente essencial uma reformulação profunda dos conteúdos curriculares e programáticos, desde o ensino infantil até ao ensino universitário, ajustando-os às realidades contemporâneas africanas e às exigências do mercado global.


Formação de professores apontada como prioridade nacional

Entre os principais desafios identificados, Carlos Feijó destacou o investimento na formação e valorização dos docentes como elemento central para transformar o sistema de ensino.

Na sua visão, nenhum processo sério de desenvolvimento poderá ser alcançado sem professores preparados, motivados e permanentemente actualizados.

A posição foi reforçada pelo professor José Octávio Van-Dúnem, que classificou a obra como uma importante contribuição para académicos, investigadores, decisores políticos e gestores públicos comprometidos com o futuro do continente africano.

Segundo o académico, as universidades africanas devem deixar de ser apenas espaços de reprodução de conhecimento externo e transformar-se em centros de produção científica africana, capazes de responder aos problemas concretos das sociedades do continente.

“As universidades africanas devem produzir soluções africanas para os desafios africanos”, defendeu.


Educação técnica e pensamento crítico no centro do debate

José Octávio Van-Dúnem alertou ainda para a necessidade de reposicionar a formação técnica e profissional como prioridade estratégica nas políticas públicas nacionais.

Para o académico, o capital humano deve integrar não apenas competências técnicas, mas também consciência histórica, ética pública, cidadania, criatividade e pensamento crítico.

O professor considerou igualmente urgente o desenvolvimento de políticas estruturadas de formação inicial e contínua dos docentes, capazes de fortalecer a inovação, a consciência cívica e a qualidade do ensino.

Outro aspecto abordado durante o debate foi a chamada “fuga de cérebros”, fenómeno que, segundo os participantes, deve ser transformado em circulação produtiva de competências entre África e o resto do mundo.


Angola e África desafiadas à competitividade global

Também presente na cerimónia, a advogada e deputada Lurdes Caposso defendeu a necessidade de Angola afirmar-se pela competitividade do seu capital humano no contexto regional e internacional.

Para a parlamentar, a valorização das competências, da qualificação académica e da capacidade técnica dos cidadãos africanos será determinante para o posicionamento económico e político do continente nas próximas décadas.

“Angola precisa ser visível na competitividade do seu capital humano, e África precisa afirmar-se pela confiança nas suas capacidades”, sublinhou.


Educação e desenvolvimento continuam no centro das agendas africanas

O debate em torno do capital humano e da reconstrução dos sistemas educativos africanos ganha cada vez mais relevância num contexto em que o continente procura acelerar o desenvolvimento económico, científico e tecnológico.

Especialistas defendem que o futuro de África dependerá menos da exploração de recursos naturais e mais da capacidade de formar cidadãos preparados, inovadores e conscientes do seu papel na transformação das sociedades africanas.


Fonte: REDE NACIONAL | ANGOP
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