Palácio de Ferro acolheu quinta edição do festival que continua a defender a valorização da música ancestral angolana

MEMÓRIA CULTURAL | Festival Balumuka homenageia Ngola Ritmos em edição marcada por baixa adesão do público

A quinta edição do Festival Balumuka — Baluarte da Musika, realizada durante dois dias no Palácio de Ferro, em Luanda, ficou marcada por uma adesão reduzida do público, contrastando com as edições anteriores, tradicionalmente acompanhadas por forte participação de amantes da cultura e da música ancestral angolana.

Apesar da menor afluência, o evento manteve o compromisso de valorização do património musical nacional, prestando nesta edição uma homenagem especial ao histórico conjunto Ngola Ritmos, referência incontornável da resistência cultural angolana durante o período colonial.


Ngola Ritmos no centro das homenagens culturais

Realizado sob o lema “Honremos o legado histórico do Ngola Ritmos, exaltando o seu património rítmico e musical”, o festival destacou o papel do emblemático agrupamento na afirmação da identidade cultural angolana através da música, das línguas nacionais e dos ritmos tradicionais.

Os artistas convidados revisitaram clássicos do colectivo, reforçando a dimensão histórica e simbólica das composições que ajudaram a despertar a consciência cultural e nacionalista em Angola.

Em declarações ao Jornal de Angola, a coordenadora das actividades no Palácio de Ferro, Odeth Cassilva, reconheceu a redução da participação do público nesta edição.

“Verificámos uma baixa adesão em relação às edições anteriores. Acredito que as questões orçamentais tiveram forte influência, porque trabalhámos com recursos mais limitados, mas mesmo assim decidimos realizar o festival”, afirmou.


Produção destaca esforço para manter viva a iniciativa

Segundo a responsável, esta foi uma edição construída com “enorme sacrifício”, devido à redução do orçamento, diminuição dos dias de espectáculo e limitações na estrutura artística e organizativa.

Ainda assim, Odeth Cassilva considera positivo o balanço geral do evento, defendendo que o festival continua a representar uma importante plataforma de valorização da música tradicional angolana.

Nesta edição, o acesso aos espectáculos foi pago, medida inédita no historial do Balumuka. Contudo, a organização acredita que este factor não terá sido determinante para a fraca adesão registada.

A produção garante igualmente o compromisso de trabalhar para recuperar os níveis de participação das primeiras edições.


Música ancestral voltou a ecoar no Palácio de Ferro

Mesmo diante da assistência reduzida, os espectáculos foram marcados por forte entrega artística e momentos de celebração da memória musical angolana.

No último dia do festival, artistas como Zé Maria Boyoth, Banda Muzangala, Tóto ST acompanhado pelo conjunto Nguami Maka e o músico Tiviné levaram ao palco interpretações de temas históricos ligados ao repertório ancestral angolano.

Entre as músicas revisitadas estiveram clássicos como “Mbiri Mbiri”, “Muxima”, “Nzage” e “João Domingos”, além de composições autorais inspiradas nos ritmos tradicionais do país.

A programação do primeiro dia contou ainda com actuações de Ângela Ferrão, Antero Ekuikui, Duo Canhoto, Idimakaji, Trio Bix, Semba Muxima e Kumbi Li Xya.


Festival afirma-se como espaço de preservação cultural

O Festival Balumuka nasceu da parceria entre o músico e pesquisador Jorge Mulumba e a produtora Onart, com o objectivo de criar uma plataforma dedicada à promoção, preservação e valorização da música e dos instrumentos tradicionais angolanos.

Com periodicidade anual, o projecto tem vindo a homenagear figuras e expressões importantes da cultura nacional desde a sua primeira edição, realizada em 2022.

Ao longo dos anos, o festival destacou nomes como Amaro Fonseca e Mestre Kamosso, além de promover homenagens à cultura Ovimbundu e às expressões musicais ligadas à oralidade, marimba e kissanji.

Mesmo perante desafios financeiros e logísticos, o Balumuka continua a afirmar-se como um espaço de resistência cultural, memória colectiva e celebração das raízes musicais angolanas.


Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola
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