Projecto “Um Semba em Cada Canto” homenageia Joy Artur e Nanutu em celebração especial do Dia de África

CULTURA URBANA | Kilamba transforma-se em palco vivo da música angolana de raiz

O Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Luanda, transformou-se num verdadeiro palco vivo da música angolana de raiz durante mais uma edição do projecto “Um Semba em Cada Canto”, promovido pela Galeria do Semba, numa celebração cultural dedicada ao Dia de África.

A iniciativa homenageou o músico Joy Artur e o saudoso saxofonista Nanutu, reunindo músicos, admiradores da cultura nacional e amantes das tradicionais farras de bairro que marcaram gerações nos históricos centros culturais da capital angolana.


Ambiente revive memória das antigas farras culturais de Luanda

Logo à entrada do recinto, o cenário montado com tapetes verdes e azuis recriava o ambiente das antigas rodas culturais populares, remetendo o público às noites emblemáticas em que a música ao vivo servia como elo comunitário e expressão de identidade cultural.

O espectáculo começou às 16h00 e prolongou-se para além das 22h00, ultrapassando o horário inicialmente previsto devido à forte adesão do público e à energia mantida ao longo de toda a programação.

O projecto voltou a recuperar o conceito dos espectáculos populares de banda ao vivo em espaços abertos, tradição fortemente ligada aos bairros periféricos do Rangel e de outras zonas culturais de Luanda.


Música de raiz e sonoridades africanas animam o Kilamba

Ao longo da tarde e da noite, a banda Onjango conduziu o público por uma viagem musical que cruzou semba, ritmos tradicionais angolanos, sonoridades africanas, música brasileira e influências das Antilhas.

O DJ Mania, também homenageado durante a celebração do seu aniversário, integrou a actuação ao som da dikanza, contribuindo para recriar clássicos do cancioneiro popular angolano.

Segundo Mara Duia, directora da banda Onjango, o objectivo foi igualmente demonstrar a versatilidade artística do colectivo.

“Queremos mostrar que conseguimos interpretar diferentes estilos e alcançar o nível das grandes bandas nacionais como Movimento, Jovens do Prenda, Kiezos e Banda Maravilha”, destacou.


Gastronomia tradicional reforça ambiente comunitário

Além da música, o público teve oportunidade de desfrutar de várias iguarias tradicionais, num ambiente de confraternização cultural típico dos encontros populares luandenses.

Entre os pratos mais procurados estiveram a cachupa, o cabrité, o franquité e outras referências gastronómicas que ajudaram a fortalecer o espírito comunitário do evento.

Devido à dimensão reduzida do espaço, o palco foi montado logo à entrada do recinto, enquanto as cadeiras foram organizadas horizontalmente para permitir melhor visibilidade e acomodação do público presente.


Projecto ganha reconhecimento no circuito cultural luandense

O crescimento da iniciativa começa igualmente a gerar reconhecimento entre figuras ligadas ao circuito cultural e artístico de Luanda, sobretudo pelo resgate das bandas ao vivo em ambiente popular e acessível.

Várias vozes defendem já a expansão do projecto para outros bairros e municípios da capital, considerando o impacto positivo na valorização da música de raiz e na promoção de novas gerações de músicos.

Para DJ Mania, o principal objectivo continua a ser a criação de oportunidades para artistas emergentes e bandas nacionais que ainda enfrentam dificuldades para encontrar espaços regulares de actuação.


Prova d’Art Miramar reforça aposta na valorização das bandas

Durante o evento, Mara Duia destacou ainda o papel desempenhado pelo espaço Prova d’Art Miramar na promoção da música ao vivo e na valorização das bandas angolanas.

Segundo a responsável, o projecto liderado por Xa-kimona Agostinho tem contribuído significativamente para fortalecer iniciativas culturais como o “Domingos à Nossa Maneira”, criando palcos permanentes para artistas nacionais demonstrarem o seu talento e manterem viva a essência da música angolana.


Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola
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