REPORTAGEM PRESSDIGI – KIKALAKALU KIADIBYA | ÁFRICA EM FOCO:
Diplomacia, gastronomia, música e identidade africana marcaram celebrações oficiais do Dia de África em Luanda
Luanda voltou a vestir-se das cores do continente berço durante as celebrações oficiais dos 63 anos, tema: “Liberdade e Desenvolvimento” da União Africana (UA), realizadas no emblemático Palácio de Ferro, numa cerimónia promovida pelo Ministério das Relações Exteriores (MIREX) em coordenação com o Corpo Diplomático Africano acreditado em Angola.
O evento, realizado no âmbito do Dia de África, reuniu representantes diplomáticos de dezenas de países africanos, membros do Executivo angolano, deputados da Assembleia Nacional, representantes das Nações Unidas, delegações da União Europeia, Mercosul e diversas entidades internacionais acreditadas em Angola.
Mais do que uma cerimónia institucional, a noite transformou-se numa verdadeira manifestação de integração cultural africana, marcada pela convivência harmoniosa entre povos, línguas, sabores, ritmos e tradições do continente.
Diplomacia africana reforça compromisso com integração continental
A cerimónia teve início com discursos protocolares conduzidos pelo representante oficial dos embaixadores africanos acreditados em Angola, seguindo-se intervenções diplomáticas, com destaque para o Chefe da Diplomácia Angolana, o Ministro das Relações Exteriores, Téte António que reforçou o compromisso da União Africana com a paz, cooperação regional, desenvolvimento sustentável e fortalecimento da integração continental.
Num ambiente de forte simbolismo político e cultural, Angola reafirmou igualmente o seu posicionamento estratégico como ponte diplomática e cultural no continente africano.
As celebrações assinalaram mais um aniversário da criação da antiga Organização da Unidade Africana (OUA), fundada a 25 de Maio de 1963, em Adis Abeba, instituição que deu origem à actual União Africana.
Palácio de Ferro transforma-se em mosaico vivo das culturas africanas
Entre bandeiras, trajes tradicionais, sonoridades africanas e expressões culturais diversas, o Palácio de Ferro converteu-se num espaço de convivência multicultural sem fronteiras aparentes.
A diversidade gastronómica foi um dos pontos altos do encontro, com vários países africanos a apresentarem pratos típicos, bebidas tradicionais e produtos representativos das suas identidades culturais.
Angola, na condição de país anfitrião, apresentou uma ampla mostra gastronómica nacional através de duas barracas culturais, onde o público pôde degustar do funge, molhos tradicionais, frutos silvestres, bebidas fermentadas como a kissangua e destilados tradicionais como a “capuka”, conhecida popularmente como “água do chefe”.
Os dois Congos também marcaram presença com as suas especialidades culinárias e iguarias tradicionais, enquanto Cabo Verde conquistou os presentes com os famosos ponches, o tradicional “grogui” e a concorrida cachupa.
Marrocos apresentou os seus reconhecidos doces típicos e o tradicional Cuscuz Tfaya, prato confeccionado com carne estufada e especiarias características do Norte de África.
Nigéria, Camarões, África do Sul e outros países enriqueceram igualmente a experiência sensorial da noite, destacando-se os vinhos sul-africanos, cervejas artesanais e diferentes sabores representativos das várias regiões do continente.
África sem fronteiras culturais
Apesar da diversidade de idiomas, sotaques, hábitos e costumes, o ambiente vivido durante o evento foi marcado por forte espírito de unidade e irmandade africana.
Entre diferentes dialectos e línguas oficiais, prevaleceu o sentimento comum de pertença a uma herança ancestral colectiva, reforçando a ideia de África como berço da humanidade e espaço permanente de reencontro entre povos.
As danças, trilhas sonoras, penteados, indumentárias e manifestações culturais transformaram o encontro num verdadeiro retrato vivo da riqueza estética e identitária africana.
A civilidade, cordialidade e interação espontânea entre os participantes foram igualmente apontadas como um dos grandes símbolos da noite.
Corpo Diplomático Africano acreditado em Angola
O Corpo Diplomático africano acreditado em Angola integra dezenas de representações residentes e não residentes junto do Ministério das Relações Exteriores.
Entre os países africanos com embaixadas residentes em Luanda destacam-se África do Sul, Argélia, Cabo Verde, Camarões, Costa do Marfim, Egito, Etiópia, Gabão, Gana, Guiné-Bissau, Guiné-Conacri, Guiné Equatorial, Marrocos, Moçambique, Namíbia, Nigéria, Quénia, República do Congo, RDC, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Tanzânia, Togo, Zâmbia e Zimbabué.
Angola mantém igualmente relações diplomáticas com vários países africanos não residentes, incluindo Benim, Botswana, Burundi, Chade, Eswatini, Lesoto, Líbia, Madagascar, Mali, Mauritânia, Níger, RCA, Sudão e Tunísia.
Além dos Estados soberanos, organizações como a União Africana (UA) e a SADC também possuem representação institucional em Angola.
Uma África para as futuras gerações
A celebração terminou num ambiente de confraternização e esperança, reforçando os ideais de unidade africana defendidos pelos fundadores da Organização da Unidade Africana.
Num testemunho marcado por emoção e sentido de pertença continental, o fotojornalista e correspondente cultural Kikalakalu Kiadibya destacou a importância de fortalecer os laços culturais entre os povos africanos.
“Vivemos e celebrámos uma África digna de ser amada, admirada e aclamada. Desejo que em 2063 possamos viver uma África como um só povo e uma só Nação”, expressou.
Fonte: REDE NACIONAL | PRESSNEWS
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Reportagem e assinatura: Kikalakalu Kiadibya






















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