“A NOSSA CULTURA AGORA ESTÁ VIVA”

AUTORIDADES TRADICIONAIS COMO PILARES DA COESÃO SOCIAL

Vestido com os símbolos tradicionais do poder chokwe, o rei das Lundas, Mwatshissengue Wa Tembo, destacou o crescente interesse da juventude angolana pela cultura ancestral e pelos valores identitários dos diferentes povos do país.

“Hoje há jovens no poder tradicional e a influenciar outros a inspirarem-se nos nossos contos, nossos rituais, nossa tradição, nossa cultura”, afirmou.

O soberano recordou que, durante o período colonial, muitas práticas tradicionais eram marginalizadas e associadas a preconceitos ligados à feitiçaria e bruxaria, situação que afastou parte da população das suas raízes culturais.

Segundo Mwatshissengue, actualmente assiste-se a um movimento de recuperação da essência cultural angolana, impulsionado sobretudo pela juventude e pelos esforços conjuntos dos reinos tradicionais espalhados pelo país.

AUTORIDADES TRADICIONAIS COMO PILARES DA COESÃO SOCIAL

Durante o encontro, foi reiterada a importância do cultivo de valores culturais e costumes alinhados à Constituição da República e à dignidade da pessoa humana, reforçando o papel das autoridades tradicionais enquanto estruturas comunitárias de proximidade e mediação social.

As lideranças tradicionais continuam a ser reconhecidas como referências fundamentais na:

  • Promoção da paz social
  • Resolução de conflitos comunitários
  • Preservação da memória colectiva
  • Educação moral e cultural das comunidades
  • Defesa da identidade nacional

O diálogo entre instituições governamentais e autoridades tradicionais foi apresentado como instrumento essencial para fortalecer a harmonia social e consolidar práticas de cidadania mais inclusivas e conscientes.

CONSELHO NACIONAL DO PODER TRADICIONAL REFORÇA RESGATE CULTURAL

O rei chokwe destacou igualmente a criação do Conselho Nacional do Poder Tradicional, instituído em 2022, como instrumento de articulação entre os diferentes reinos e autoridades tradicionais angolanas.

A estrutura trabalha em torno de quatro grandes eixos:

  • Resgate cultural
  • Preservação da identidade tradicional
  • Valorização dos costumes ancestrais
  • Divulgação da cultura angolana

O objectivo passa também por esclarecer o verdadeiro papel das autoridades tradicionais na sociedade contemporânea, reforçando a responsabilidade comunitária dos sobas e reis enquanto representantes do povo.

“A autoridade tradicional deve velar pelo bem-estar da comunidade e estar na linha da frente para ajudar a resolver os problemas sociais”, sublinhou.


CULTURA, EDUCAÇÃO E VALORES COMUNITÁRIOS

Mwatshissengue Wa Tembo alertou ainda para os desafios sociais enfrentados pela juventude angolana, defendendo a recuperação dos ensinamentos ancestrais como caminho para fortalecer a educação moral e comunitária.

O soberano recordou que, no passado, as estruturas tradicionais desempenhavam papel central na formação dos jovens e na prevenção da delinquência social.

“Precisamos recuperar tudo aquilo que nos faz bem, os ensinamentos dos nossos ancestrais”, afirmou.

O rei destacou igualmente a importância dos mais velhos enquanto guardiões da memória, dos contos, da oralidade e dos conhecimentos tradicionais.


UMA SOCIEDADE HARMONIOSA ENTRE O PODER TRADICIONAL E O PODER ADMINISTRATIVO

A realidade multicultural angolana exige cada vez mais uma convivência equilibrada entre o poder administrativo moderno e os valores tradicionais que estruturam as comunidades.

Numa analogia social e institucional, o desenvolvimento harmonioso de Angola depende do alinhamento entre:

  • A urbanidade das instituições públicas
  • A intelectualidade das novas gerações
  • O conhecimento ancestral das autoridades tradicionais
  • O respeito pelas identidades culturais locais

Tal como uma árvore necessita simultaneamente de raízes profundas e de ramos voltados para o futuro, também a sociedade angolana precisa preservar a sua memória cultural enquanto constrói caminhos de modernidade, desenvolvimento e cidadania.

O poder administrativo organiza o presente do Estado.
O poder tradicional preserva a alma histórica das comunidades.

Quando ambos caminham em equilíbrio, fortalecem:

  • A estabilidade social
  • O respeito comunitário
  • A identidade nacional
  • O sentimento de pertença
  • A valorização da diversidade cultural angolana

Numa Angola multiculturalmente rica, o diálogo entre tradição e modernidade pode representar uma das principais bases para o fortalecimento da coesão nacional e da construção de uma sociedade mais humana, consciente e culturalmente conectada às suas origens.


Fonte: REDE NACIONAL | F8
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao