ARTES VISUAIS | INTERCÂMBIO CULTURAL ANGOLA–BRASIL
Residência artística encerra com exposição de processos criativos inspirados nas mulheres da economia informal e na identidade urbana da capital angolana
O programa Angola AIR promove, nesta sexta-feira, 10 de Julho, às 18h00, o OPEN STUDIO da artista plástica brasileira Samara Paiva, no Anfiteatro do Instituto Guimarães Rosa, em Luanda. O encontro assinala o encerramento de quase um mês de residência artística em Angola, período durante o qual a criadora desenvolveu uma investigação inspirada nas vivências, nas paisagens humanas e na força social das mulheres luandenses.
Mais do que uma exposição de obras finalizadas, o OPEN STUDIO propõe um momento de partilha de processos criativos, pesquisas e reflexões construídas a partir do contacto directo com diferentes bairros, mercados e comunidades da capital angolana.
Residência artística aproxima Brasil e Angola através da pintura contemporânea
Natural de Manaus e actualmente residente em São Paulo, Samara Paiva integra uma nova geração de artistas da pintura contemporânea brasileira que investiga questões relacionadas com identidade, memória, intimidade, ancestralidade e representação da população negra.
Durante a residência em Luanda, a artista voltou o seu olhar para o protagonismo das mulheres na economia informal, identificando neste universo uma forte expressão de resistência, autonomia económica, cuidado pessoal e preservação de práticas culturais transmitidas entre gerações.
Segundo a artista, a experiência vivida em Angola revelou uma realidade marcada pela capacidade de milhares de mulheres sustentarem as suas famílias enquanto preservam formas próprias de vestir, cuidar da imagem e afirmar a identidade cultural.
Pintura como espaço de humanidade e contemplação
A produção artística de Samara Paiva desenvolve-se essencialmente através da pintura figurativa em óleo, explorando atmosferas de baixa luminosidade, sombras e contrastes subtis que convidam à contemplação.
Nas suas obras, mulheres negras deixam de ser representadas exclusivamente pelos discursos da resistência ou da violência histórica para ocuparem espaços de serenidade, descanso, afecto e reconhecimento da própria beleza.
A investigação apresentada em Luanda prolonga essa reflexão, propondo uma leitura sensível sobre o quotidiano feminino como território de dignidade, memória e construção da subjectividade.
Conversa aberta encerra ciclo de residência
O OPEN STUDIO contará igualmente com uma conversa pública moderada pela escritora e jornalista Ana Paula Lisboa, dedicada ao percurso da artista, às referências que influenciam a sua produção e às experiências construídas durante as quatro semanas de residência em Angola.
O encontro permitirá ao público conhecer de forma mais aprofundada os processos criativos que antecedem a realização das obras, promovendo um espaço de diálogo entre artistas, investigadores, estudantes, profissionais da cultura e apreciadores das artes visuais.
Cooperação cultural fortalece intercâmbio entre Angola e Brasil
A realização da residência artística reforça o papel do Angola AIR como plataforma de intercâmbio internacional, estimulando a circulação de artistas, a produção de conhecimento e o diálogo entre diferentes contextos culturais do espaço afro-atlântico.
Ao incentivar o contacto directo entre criadores e comunidades locais, iniciativas desta natureza contribuem para ampliar as possibilidades de investigação artística, fortalecer redes de cooperação cultural e valorizar narrativas contemporâneas sobre identidade, ancestralidade e pertença.
O OPEN STUDIO constitui o último momento público da permanência de Samara Paiva em Angola antes do seu regresso ao Brasil, previsto para o dia 12 de Julho, oferecendo ao público uma oportunidade de conhecer uma das vozes emergentes da pintura afro-brasileira contemporânea.
Fonte: REDE NACIONAL | O Angola AIR.
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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