Angola defende consenso global e justiça económica na OMC em cenário de tensões internacionais

Ministro Rui Miguêns de Oliveira participa em reunião em Yaoundé e apela à reforma do sistema comercial, com foco no desenvolvimento sustentável, inclusão digital e apoio aos países em crescimento

Luanda — Num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e desafios nas cadeias globais de comércio, Angola reforça a sua posição diplomática e económica ao defender maior concertação entre os Estados-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Durante a décima quarta Conferência Ministerial da OMC, realizada em Yaoundé, nos Camarões, o ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira, sublinhou a urgência de consensos multilaterais como base para a reforma do sistema comercial global.

“O actual contexto internacional exige maior concertação entre os países”, alertou o governante, defendendo o consenso como princípio essencial das decisões no seio da organização.

A delegação angolana participa activamente em mais de duas dezenas de sessões, entre plenárias, reuniões temáticas e negociações estratégicas, abordando questões centrais como agricultura, serviços digitais, mudanças climáticas e desenvolvimento económico.

No centro da intervenção angolana esteve a necessidade de actualizar o Acordo de Agricultura, alinhando-o com as exigências actuais de segurança alimentar e crescimento agro-industrial nos países em desenvolvimento.

“É urgente assegurar um sistema comercial mais equilibrado, com atenção particular aos países em crescimento”, reforçou o ministro.

Outro ponto de destaque foi o apelo ao combate à divisão digital, considerada uma das principais barreiras à inclusão dos países em desenvolvimento na economia global emergente.

Angola também reafirmou o seu compromisso com as propostas do G90 — bloco que integra países de África, Caraíbas e Pacífico — defendendo medidas mais justas nas áreas sanitárias, técnicas e climáticas que não limitem o acesso aos mercados internacionais.

Paralelamente, o ministro participou numa reunião sobre comércio e clima, onde destacou o papel estratégico das políticas comerciais na adaptação às mudanças climáticas e na promoção de transições económicas justas.

“Um comércio aberto, previsível e inclusivo pode contribuir para a resiliência climática e o crescimento sustentável”, afirmou.

A agenda da delegação inclui ainda encontros bilaterais com países como França, Hungria, Moçambique e Omã, reforçando a diplomacia económica de Angola no cenário internacional.


Nota Editorial | Pressdigi

A participação de Angola nos fóruns da OMC revela uma maturidade crescente na sua diplomacia económica, posicionando o país como voz activa na defesa de um sistema mais justo e inclusivo.

O impacto social desta actuação transcende os corredores da política internacional. Ao defender reformas no comércio global, Angola abre caminhos para maior acesso a mercados, estímulo à produção nacional e criação de oportunidades para jovens empreendedores e sectores emergentes.

A insistência na redução da divisão digital e na justiça climática evidencia uma visão estratégica alinhada com os desafios contemporâneos, onde desenvolvimento económico, inclusão social e sustentabilidade caminham lado a lado.

Neste quadro, o país afirma-se não apenas como participante, mas como agente de transformação no equilíbrio das relações económicas globais, com reflexos directos no bem-estar das populações.


Fonte: Gira Noticias | Rede Nacional
Alinhamento Editorial: INTERCÂMBIO: Pressdigi


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