Angola defende integração regional e valorização dos recursos no caminho para a Visão 2050 da SADC

Téte António participa em Durban em reflexão sobre solidariedade, industrialização e prosperidade partilhada na África Austral

Durban, África do Sul – O ministro das Relações Exteriores de Angola, Embaixador Téte António, participou, na manhã desta sexta-feira, em Durban, numa palestra subordinada ao tema “Traduzir a Visão 2050 da SADC em acção: Caminhos para a solidariedade, igualdade e prosperidade partilhada”.

A iniciativa realizou-se à margem da Sessão do Conselho de Ministros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), na Universidade do KwaZulu-Natal, sob presidência do Presidente da República da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

O encontro reuniu ministros responsáveis pelas Relações Exteriores e Negócios Estrangeiros dos Estados-Membros da SADC, estudantes universitários, membros do Governo sul-africano e representantes de diferentes formações políticas do país.

Visão 2050 exige resultados concretos para os povos

Durante a sua intervenção, Cyril Ramaphosa defendeu a necessidade de transformar os objectivos estratégicos da Visão 2050 da SADC em resultados concretos para as populações da região.

O chefe de Estado sul-africano destacou a importância de reforçar a solidariedade, cooperação e integração regional, com vista à construção de uma comunidade baseada na igualdade e na prosperidade partilhada.

A reflexão colocou em evidência a necessidade de aproximar as decisões estratégicas das realidades económicas e sociais dos povos da África Austral.

Recursos naturais devem gerar mais valor dentro da região

Um dos principais eixos do debate foi o potencial económico da África Austral, sobretudo no domínio dos recursos naturais.

Durante a palestra, foi defendida uma maior valorização e transformação local das riquezas da região, através da industrialização, desenvolvimento de cadeias de valor regionais, criação de emprego e diversificação económica.

A aposta na transformação local pretende garantir que a exploração dos recursos naturais produza maior valor acrescentado dentro dos países e contribua directamente para o desenvolvimento sustentável das populações.

Corredores de integração aproximam mercados

Cyril Ramaphosa salientou igualmente o papel estratégico dos corredores de integração regional, enquanto instrumentos para facilitar a circulação de pessoas e mercadorias, aproximar mercados e impulsionar o comércio e o investimento intra-africanos.

Entre as infra-estruturas consideradas relevantes para este processo, destacou-se o Corredor do Lobito, apontado como uma ligação com potencial para aproximar os países da África Austral e Central e facilitar o acesso a mercados internacionais.

A referência ao corredor reforça a dimensão estratégica de Angola nos esforços regionais de integração económica e de conectividade continental.

SADC enfrenta novas transformações económicas e geopolíticas

A palestra permitiu igualmente reflectir sobre o futuro da SADC num contexto marcado por profundas transformações económicas e geopolíticas no continente africano e no sistema internacional.

Os participantes defenderam uma maior coordenação entre os Estados-Membros para transformar os recursos e capacidades existentes em oportunidades concretas de desenvolvimento, integração económica e melhoria das condições de vida.

A coordenação regional surge, assim, como elemento essencial para responder colectivamente a desafios que ultrapassam as fronteiras nacionais.

Memória das lutas de libertação permanece como referência

Na dimensão histórica do debate, Cyril Ramaphosa evocou as lutas de libertação africanas e reconheceu o contributo dos países da SADC para a conquista da independência e da soberania dos povos africanos.

A memória dessas lutas foi associada aos valores de solidariedade, cooperação e unidade que continuam a sustentar o projecto de integração regional.

A evocação assume particular importância para uma região cuja história contemporânea foi fortemente marcada pela luta contra o colonialismo e pela defesa da autodeterminação dos povos.

Condenação da xenofobia e defesa da dignidade humana

Na parte final da intervenção, o Presidente sul-africano condenou os actos de xenofobia registados na África do Sul, defendendo a preservação dos valores de solidariedade e fraternidade africana.

Ramaphosa relacionou esses princípios com o legado das lutas de libertação, sublinhando a necessidade de preservar o respeito pela dignidade humana como fundamento das relações entre os povos africanos.

Angola reforça compromisso com a integração regional

A participação do ministro Téte António na iniciativa reafirma o posicionamento de Angola a favor do fortalecimento da SADC e da consolidação dos processos de integração regional.

A agenda colocada em discussão em Durban converge com prioridades como desenvolvimento sustentável, industrialização, valorização dos recursos naturais, integração económica, conectividade regional e prosperidade partilhada.

Para Angola, a implementação da Visão 2050 representa também uma oportunidade de aprofundar a cooperação com os países vizinhos e contribuir para a construção de uma região mais integrada, competitiva e capaz de transformar as suas potencialidades em benefícios concretos para as populações.


Fonte: REDE NACIONAL | Ministério das Relações Exteriores / MIREX

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