Angola defende união africana para transformar a Economia Azul em motor do desenvolvimento sustentável

Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, apela ao reforço de parcerias entre os países africanos e alerta para os impactos da pesca ilegal, da poluição e das alterações climáticas sobre os recursos aquáticos do continente.

Angola defendeu a necessidade de os países africanos reforçarem a cooperação e unirem esforços na construção de soluções consensuais capazes de transformar a Economia Azul numa força estratégica para o desenvolvimento sustentável do continente.

O apelo foi apresentado, em Luanda, pela Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, durante a cerimónia de abertura da Conferência de Alto Nível do Segmento Ministerial sobre a Economia Azul, que decorre de 22 a 25 de Julho, sob o tema “From Strategy to Action: Political Leadership for Africa’s Blue Economy Transformation”.

Parcerias africanas para uma economia sustentável

Na sua intervenção, Esperança da Costa sublinhou a importância de uma resposta colectiva aos desafios que afectam os recursos marinhos e hídricos africanos, defendendo o estabelecimento de parcerias que permitam transformar o potencial da Economia Azul em benefícios concretos para as populações.

A abordagem coloca em destaque a necessidade de fortalecer a cooperação entre os Estados africanos, envolvendo também os sectores político, técnico e empresarial na definição de estratégias que promovam o aproveitamento sustentável dos oceanos, mares, rios e lagos.

Pesca ilegal e poluição entre os principais desafios

A Vice-Presidente da República chamou igualmente a atenção para os desafios que continuam a condicionar o desenvolvimento do continente, com particular incidência sobre a pesca ilegal, a poluição ambiental e os efeitos das alterações climáticas.

Esperança da Costa alertou que África enfrenta ainda conflitos armados, instabilidade política e fenómenos climáticos extremos, factores que contribuem para o aumento das migrações forçadas e das crises humanitárias.

Neste contexto, destacou que os oceanos, mares e águas interiores do continente estão sujeitos a uma pressão crescente, tornando urgente a adopção de medidas coordenadas para a sua protecção e utilização responsável.

Sector marítimo gera milhões de empregos

Para a Vice-Presidente, o sector marítimo representa muito mais do que uma fonte de subsistência para milhões de africanos, constituindo um dos pilares estratégicos do desenvolvimento económico do continente.

Segundo os dados apresentados, as actividades ligadas ao sector garantem actualmente emprego directo a mais de 49 milhões de africanos. A previsão é de que este número cresça para 57 milhões ainda durante esta década, podendo atingir 78 milhões até 2063.

A evolução projectada reforça a dimensão económica e social da Economia Azul, sobretudo num continente com vastos recursos costeiros, marítimos e de águas interiores.

Preservar os recursos é uma questão de soberania

Esperança da Costa considerou que a preservação e valorização dos recursos aquáticos africanos não devem ser encaradas apenas como uma opção económica, mas como um imperativo de soberania e uma responsabilidade perante as futuras gerações.

A aposta numa Economia Azul sustentável deverá, neste sentido, contribuir para a criação de emprego, dinamização das economias locais, fortalecimento das cadeias de valor e integração dos mercados regionais, sem comprometer a capacidade de regeneração dos ecossistemas.

Agenda 2063 orienta transformação da Economia Azul

A Conferência de Alto Nível do Segmento Ministerial sobre a Economia Azul enquadra-se no compromisso continental com a Agenda 2063 e com a Estratégia Africana para a Economia Azul.

O encontro pretende reforçar o diálogo político, técnico e empresarial em torno da gestão sustentável dos oceanos, mares, rios e lagos de África, promovendo a passagem das estratégias à implementação de acções concretas.

Para Angola, a iniciativa representa igualmente uma oportunidade para aprofundar o debate sobre o potencial dos recursos aquáticos como instrumentos de desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, geração de emprego e integração económica africana.


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