INTERCÂMBIO REGIONAL | ENERGIA, INFRA-ESTRUTURAS E INTEGRAÇÃO AFRICANA
Linha de transmissão entre Malanje e Fungurume poderá tornar-se uma das maiores infra-estruturas energéticas do continente africano
Angola e a República Democrática do Congo (RDC) avançam para a implementação de um dos maiores projectos de interconexão eléctrica do continente africano, através da construção de uma extensa linha de transmissão energética que ligará a província angolana de Malanje à cidade congolesa de Fungurume.
O anúncio foi feito, em Luanda, pelo ministro congolês dos Recursos Hídricos e Electricidade, Molendo Sakombi, após audiência concedida pelo Presidente da República de Angola, João Lourenço.
Segundo o governante da RDC, o projecto prevê uma linha de transmissão com aproximadamente 1.450 quilómetros de extensão, destinada a reforçar a cooperação energética entre os dois países e ampliar a capacidade de abastecimento eléctrico regional.
PROJECTO PREVÊ NOVAS LIGAÇÕES ENERGÉTICAS ENTRE OS DOIS PAÍSES
Além da ligação Malanje–Fungurume, o projecto contempla igualmente a construção de uma segunda linha de transmissão entre a província angolana do Zaire e Inga, na RDC.
A iniciativa deverá assegurar o fornecimento de cerca de 2.000 megawatts de energia à República Democrática do Congo, numa fase considerada estratégica para responder às necessidades energéticas da população congolesa e apoiar o desenvolvimento industrial e mineiro da região.
“Recorremos à nossa irmã, a República de Angola, para adquirir 2.000 megawatts destinados a abastecer a população, as indústrias e as comunidades”, declarou Molendo Sakombi.
INTEGRAÇÃO ENERGÉTICA E CRESCIMENTO ECONÓMICO
As autoridades dos dois países consideram que o reforço das trocas energéticas poderá impulsionar:
- O crescimento económico bilateral
- A segurança energética regional
- A integração africana
- O desenvolvimento industrial
- A cooperação estratégica entre Estados vizinhos
O projecto surge num momento em que a RDC acelera o desenvolvimento do complexo hidroeléctrico de Inga, considerado um dos maiores futuros pólos energéticos de África.
Enquanto o mega-projecto energético congolês continua em fase de desenvolvimento, Angola deverá desempenhar um papel fundamental no apoio ao fornecimento temporário de energia à RDC.
CORREDORES ENERGÉTICOS E ÁREAS ESTRATÉGICAS
Fungurume, uma das cidades abrangidas pelo projecto, localiza-se na província congolesa de Lualaba e é reconhecida pela forte actividade mineira e industrial.
Já Dilolo, igualmente mencionada no contexto das ligações energéticas regionais, situa-se junto à fronteira da província angolana da Lunda-Sul, reforçando a dimensão estratégica da cooperação transfronteiriça entre Angola e a RDC.
DIPLOMACIA ENERGÉTICA E COOPERAÇÃO AFRICANA
No âmbito da agenda diplomática e económica bilateral, o Presidente João Lourenço recebeu também Sumbu Sita Mambu, alto representante do Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, com quem abordou questões de interesse comum entre os dois Estados.
A aproximação entre Angola e a RDC reforça a tendência crescente de integração regional africana em sectores estratégicos como:
- Energia
- Infra-estruturas
- Comércio
- Recursos naturais
- Mobilidade regional
ÁFRICA ACELERA INTERLIGAÇÃO ENERGÉTICA
Especialistas consideram que projectos de interconexão eléctrica desta dimensão poderão desempenhar papel decisivo na transformação económica africana, sobretudo num continente ainda marcado por grandes desafios no acesso à energia.
A cooperação energética entre Angola e RDC é vista como um passo importante para fortalecer corredores de desenvolvimento regional e consolidar novas dinâmicas de crescimento sustentável em África Central e Austral.
Fonte: REDE INTERNACIONAL | ALLAFRICA | Leia o artigo original na ANGOP
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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