Relatório continental destaca crescimento da capacidade eléctrica e desafios de integração regional
INVESTIMENTOS DE IMPACTO SOCIAL & SISTEMAS ENERGÉTICOS
Angola integra o grupo das dez principais economias africanas com maior volume de investimento em infra-estruturas energéticas, consolidando uma estratégia que combina fontes hídricas e energias renováveis para reforçar a produção de electricidade no país.
Crescimento Energético e Projeção Continental
De acordo com o Relatório de 2026 sobre “A Situação das Infra-estruturas em África”, apresentado em Nairobi, capital do Quénia, o país prevê alcançar, até 2027, uma capacidade instalada de 4 gigawatts de energia eléctrica. O número representa um crescimento significativo face aos actuais 2 gigawatts, evidenciando o ritmo de expansão do sector energético nacional.
A evolução coloca Angola em posição de destaque no panorama africano, com potencial para contribuir de forma mais expressiva para a segurança energética regional.
Desafio da Integração Regional
Apesar do crescimento da capacidade produtiva, o relatório sublinha que a energia gerada em Angola permanece, em grande medida, isolada da rede energética africana. Esta limitação constitui um dos principais entraves à maximização do potencial energético do país.
Neste contexto, a Corporação Financeira Africana (AFC) reforça o seu interesse em impulsionar o financiamento de projectos que promovam a interligação entre sistemas energéticos nacionais, fomentando uma rede mais integrada e eficiente no continente.
Cimeira “A África que Construímos” 2026
A análise foi apresentada no âmbito da Cimeira “A África que Construímos” 2026, realizada em Nairobi, sob o tema “As Infra-estruturas como o Motor da Industrialização”. O evento reuniu centenas de delegados provenientes dos 48 Estados-membros da AFC, num espaço de concertação sobre o futuro das infra-estruturas africanas.
A iniciativa contou com o alto patrocínio do Presidente do Quénia, William Ruto, reforçando o peso político e estratégico do encontro no contexto das decisões sobre investimento e desenvolvimento no continente.
Desigualdades no Acesso à Energia
Durante a apresentação do relatório, a economista-chefe da AFC, Rita Babihuga-Nsanze, destacou que, apesar dos avanços, persistem desafios estruturais significativos. Entre eles, as dificuldades na produção, distribuição e acesso equilibrado à electricidade, tanto para o sector industrial quanto para as famílias.
A necessidade de garantir uma distribuição mais equitativa e sustentável da energia surge, assim, como um dos eixos centrais para o desenvolvimento inclusivo das economias africanas.
Energia como Pilar do Desenvolvimento Sustentável
O posicionamento de Angola no ranking dos maiores investidores energéticos reflecte uma visão estratégica orientada para o crescimento económico e a industrialização. No entanto, o sucesso desta trajectória dependerá da capacidade de integração regional, eficiência na distribuição e continuidade dos investimentos em fontes limpas e sustentáveis.
Fonte: Jornal de Angola | Rede Nacional
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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