ANGOLA OBSERVA MODELOS CHINESES DE MARICULTURA PARA REFORÇAR PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DE PESCADO

Ministra Carmen dos Santos destaca potencial angolano após visita técnica a projectos de referência em Zhoushan e Yantai

Zhoushan/Yantai, China – A delegação do Ministério das Pescas e Recursos Marinhos de Angola (MINPERMAR), liderada pela ministra Carmen do Sacramento Neto dos Santos, realizou neste fim-de-semana uma visita técnica a importantes centros chineses de produção aquícola e marinha, com o objectivo de conhecer experiências de sucesso na área da maricultura e identificar oportunidades de cooperação para o desenvolvimento sustentável do sector pesqueiro angolano.

As visitas decorreram nas cidades de Zhoushan e Yantai, reconhecidas internacionalmente pela aplicação de tecnologias avançadas de cultivo de espécies marinhas e pela integração de toda a cadeia de valor da produção aquícola.

Zhoushan: um modelo integrado de economia azul

O primeiro ponto da agenda foi um projecto de maricultura dedicado ao cultivo da corvina amarela em jaulas marinhas, localizado na cidade costeira de Zhoushan.

A iniciativa destaca-se pela integração de toda a cadeia produtiva, desde a produção de alevinos e engorda dos peixes até à transformação industrial, comercialização, turismo e investigação aplicada ao desenvolvimento sustentável dos recursos marinhos.

O empreendimento emprega mais de uma centena de trabalhadores e mantém uma forte ligação com as comunidades piscatórias locais, promovendo programas de formação contínua para pescadores e incentivando a sua participação activa nas actividades ligadas à economia do mar.

Além da componente produtiva, o projecto é reconhecido pelo seu contributo para a formulação de políticas marítimas e para o fortalecimento da estratégia chinesa de desenvolvimento sustentável dos recursos oceânicos.

Yantai aposta na inovação científica e melhoramento genético

A segunda visita teve lugar em Yantai, na província de Shandong, onde a delegação angolana conheceu um dos mais avançados projectos chineses de produção aquícola em tanques elevados revestidos com geomembranas.

A infra-estrutura alberga cerca de 30 espécies de peixes e moluscos bivalves, cultivadas em condições rigorosamente controladas, permitindo elevados padrões de qualidade e produtividade.

O projecto trabalha em estreita colaboração com institutos científicos especializados, focando-se no desenvolvimento de matrizes geneticamente melhoradas e na criação de bases avançadas de reprodução de alevinos para abastecimento do mercado chinês.

Por operar fora do ambiente marinho natural, o sistema exige monitorização permanente de parâmetros como:

  • Salinidade da água;
  • Temperatura;
  • Oxigénio dissolvido;
  • Densidade populacional dos tanques;
  • Condições sanitárias e biológicas das espécies.

A dimensão do investimento demonstra a aposta estratégica da China na aquicultura moderna. Apenas um dos reservatórios, com cerca de 10 mil metros quadrados, representou um investimento superior a 40 milhões de dólares norte-americanos, contando ainda com equipamentos produzidos pela própria empresa gestora do projecto.

Cooperação técnica e oportunidades para Angola

No final da missão técnica, a ministra Carmen do Sacramento Neto dos Santos manifestou satisfação com o nível de desenvolvimento tecnológico, a qualidade das infra-estruturas e a elevada qualificação dos profissionais envolvidos nas duas iniciativas.

Segundo a governante, as experiências observadas demonstram caminhos viáveis para a diversificação da produção pesqueira em Angola, sobretudo através da maricultura em jaulas e sistemas de cultivo controlado.

A ministra destacou que o país possui recursos naturais favoráveis e espécies com elevado potencial para programas de cultivo sustentável, referindo particularmente o carapau, espécie sujeita a períodos de veda para garantir a sua reprodução, e o cherne, cuja valorização poderá contribuir para o aumento da produção nacional de pescado.

Maricultura como instrumento de segurança alimentar

A visita insere-se na estratégia angolana de fortalecimento da economia azul, promoção da segurança alimentar e aumento da produção nacional de proteína de origem marinha.

Especialistas consideram que a adopção gradual de tecnologias modernas de aquicultura e maricultura poderá reduzir a pressão sobre os recursos pesqueiros selvagens, gerar emprego qualificado, atrair investimento privado e reforçar a capacidade produtiva do sector.

Ao aprofundar a cooperação técnica com países de referência como a China, Angola procura acelerar a modernização das pescas e consolidar um modelo sustentável capaz de responder aos desafios futuros da alimentação, conservação dos ecossistemas marinhos e desenvolvimento económico.


Fonte: Ministério das Pescas e Recursos Marinhos de Angola (MINPERMAR)
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