Assembleia-Geral destaca necessidade de uma instituição mais próxima dos artistas, com maior presença nas províncias e novas estratégias para fortalecer o sector das artes plásticas em Angola.
Uma UNAP mais próxima dos artistas em todo o país
Os artistas plásticos angolanos defenderam uma União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) mais interventiva, inclusiva e presente em todas as províncias, durante a Assembleia-Geral Ordinária da organização, realizada no Centro Cultural Guimarães Rosa, antigo Centro Cultural Brasil–Angola, em Luanda.
O encontro serviu para refletir sobre os principais desafios enfrentados pela classe artística e reafirmar o compromisso da instituição com a descentralização das suas actividades, promovendo maior proximidade com os criadores e fortalecendo a representação do sector a nível nacional.
A recondução de Rosário Matias à presidência da UNAP foi igualmente interpretada como um voto de confiança para dar continuidade às reformas institucionais e ampliar a capacidade de resposta da organização às necessidades dos seus associados.
Descentralização como prioridade estratégica
Entre as principais reivindicações apresentadas pelos participantes esteve a necessidade de garantir uma presença mais efectiva da UNAP em todas as regiões do país.
Os artistas consideram que a concentração das actividades em Luanda limita o desenvolvimento das artes plásticas nas restantes províncias, defendendo programas permanentes de formação, exposições itinerantes, intercâmbio artístico e assistência institucional aos criadores locais.
Segundo os participantes, uma estrutura mais descentralizada permitirá identificar talentos emergentes e dinamizar o panorama artístico nacional de forma mais equilibrada.
Sustentabilidade económica para os criadores
Outro dos temas centrais abordados durante a Assembleia foi a necessidade de criar mecanismos que facilitem o escoamento e a comercialização das obras produzidas pelos artistas.
Os associados entendem que o fortalecimento de canais de venda, feiras, galerias, plataformas digitais e parcerias institucionais poderá contribuir para tornar a actividade artística economicamente mais sustentável, permitindo que um maior número de criadores viva da sua produção.
Revitalização da Galeria de Maio
A Assembleia destacou igualmente a importância da recuperação e valorização da Galeria de Maio, espaço histórico localizado na sede da UNAP.
Os artistas defendem que o local volte a assumir um papel estratégico na promoção das artes visuais angolanas, funcionando como centro de exposições, formação técnica, intercâmbio cultural e geração de receitas para apoiar o funcionamento da organização.
Protecção social e valorização dos associados
Os participantes voltaram a sublinhar a necessidade de implementar mecanismos de protecção social destinados aos mais de 300 membros da UNAP.
Entre as prioridades apresentadas constam programas de assistência aos artistas, apoio institucional, incentivos à produção artística e iniciativas que promovam melhores condições de trabalho para os profissionais das artes plásticas.
Um sector em fase de transformação
As reivindicações surgem num momento em que o sector cultural angolano vive um período de importantes debates sobre políticas públicas para a cultura.
Entre os temas em discussão destacam-se a revisão da Lei do Mecenato, o fortalecimento das indústrias culturais, a modernização dos instrumentos de gestão artística e a implementação de novas plataformas digitais, como o Directório do Artista Angola, concebido para aumentar a visibilidade dos criadores nacionais.
Paralelamente, permanece a expectativa quanto à reabilitação da sede histórica da UNAP, considerada fundamental para garantir melhores condições de funcionamento da instituição e preservar um dos principais espaços dedicados às artes plásticas em Angola.
A Assembleia-Geral reafirmou, assim, a necessidade de consolidar uma organização mais forte, moderna e representativa, capaz de responder aos desafios contemporâneos da criação artística e contribuir para o desenvolvimento sustentável das artes visuais no país.
Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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