FESTECA regressa com 33 espetáculos e reforça o Cazenga como palco internacional das artes cénicas

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Festival Internacional de Teatro do Cazenga reúne companhias de Angola e do estrangeiro durante doze dias de programação dedicada à formação, intercâmbio cultural e valorização do teatro

A XXI edição do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA) arrancou em Luanda com uma programação que promete transformar o Centro de Animação Artística do Cazenga (ANIM’ART) num dos principais pontos de encontro das artes cénicas em África.

Ao longo de 12 dias, o festival apresenta 33 espetáculos, reunindo grupos, companhias e projetos artísticos provenientes de várias províncias de Angola e de países como Brasil, Moçambique, Portugal e Alemanha, reforçando o seu estatuto como uma das maiores plataformas de intercâmbio teatral da região.

A cerimónia de abertura presta homenagem à consagrada atriz e encenadora Vitória Avelino Dias Soares “Totonha”, referência incontornável do teatro angolano, com a apresentação da peça “S.O.S. Mundo”.

Teatro como espaço de formação, cidadania e transformação social

Em declarações ao Jornal de Angola, o diretor de Produção do FESTECA, João Carlos Domingos, explicou que o principal objetivo do festival continua a ser a expansão das artes cénicas, incentivando a formação de novos artistas e promovendo o intercâmbio entre criadores nacionais e internacionais.

Mais do que apresentar espetáculos, o festival assume-se como uma plataforma de educação artística, cidadania e transformação social, utilizando o teatro como instrumento de reflexão sobre os desafios contemporâneos e de aproximação entre diferentes comunidades culturais.

Programação diversificada valoriza criação e intercâmbio artístico

Além das apresentações teatrais, o público poderá acompanhar uma programação multidisciplinar que inclui:

  • Espetáculos de teatro;
  • Oficinas de formação;
  • Mesas-redondas;
  • Performances artísticas;
  • Encontros técnicos;
  • Sessões de intercâmbio entre profissionais das artes cénicas.

A organização pretende criar espaços de diálogo entre artistas, estudantes, investigadores, agentes culturais e amantes do teatro, promovendo a circulação de conhecimentos e experiências.

Formação técnica reforça qualidade das produções

Entre as novidades desta edição destaca-se uma oficina especializada em luminotecnia, dirigida aos responsáveis técnicos dos grupos participantes.

A formação será orientada por especialistas de Angola, Moçambique e Brasil, contribuindo para o aperfeiçoamento das competências técnicas e para a modernização das produções cénicas nacionais.

A iniciativa demonstra que o fortalecimento do teatro passa igualmente pela qualificação dos profissionais que trabalham nos bastidores dos espetáculos.

Inclusão social e valorização da cultura nacional

Segundo a organização, o FESTECA mantém o compromisso de promover a cultura como instrumento de inclusão social, educação artística e diálogo intercultural.

O festival dedica especial atenção aos jovens estudantes, artistas emergentes, profissionais das artes, investigadores e ao público em geral, incentivando a participação da comunidade e fortalecendo o acesso às manifestações culturais.

A presença de grupos estrangeiros reforça ainda a dimensão internacional do evento e amplia as possibilidades de cooperação entre instituições culturais de diferentes países.

Vitória Soares “Totonha”: uma vida dedicada ao teatro angolano

A edição de 2026 homenageia Vitória Avelino Dias Soares, artisticamente conhecida como “Totonha”, uma das personalidades mais respeitadas das artes cénicas nacionais.

Ao longo da sua carreira, destacou-se como atriz e diretora do Coletivo de Teatro Oásis, ligado à Força Aérea Nacional, tornando-se uma referência para várias gerações de artistas.

O reconhecimento do seu percurso inspirou igualmente a criação do Festival de Monólogos Vitória Soares, promovido pelo grupo Cena Livre, iniciativa que aproxima o teatro da literatura angolana e incentiva novos talentos da interpretação.

Além da sua carreira nos palcos, Totonha conquistou reconhecimento internacional ao dar voz à personagem Lelena, no premiado filme de animação angolano “Nayola”, obra que retrata os impactos da guerra civil através da história de três gerações de mulheres.

FESTECA consolida posição entre os grandes festivais de teatro

Criado pelo Centro de Animação Artística do Cazenga (ANIM’ART), o FESTECA consolidou-se como um dos mais importantes festivais dedicados às artes cénicas em Angola.

O evento integra o Fórum Internacional de Festivais de Teatro do ITI/UNESCO, reconhecimento que reforça a sua credibilidade enquanto plataforma de circulação artística, formação profissional e promoção do intercâmbio cultural.

Ao longo das suas edições, o festival tem contribuído para a valorização do teatro comunitário, para a internacionalização das companhias angolanas e para o fortalecimento das redes de cooperação entre criadores de diferentes países.

O teatro como património vivo da cultura angolana

A realização da XXI edição do FESTECA reafirma o papel das artes cénicas como um dos pilares da cultura angolana.

Ao reunir artistas nacionais e internacionais, promover formação especializada e incentivar o diálogo intercultural, o festival continua a fortalecer o teatro enquanto espaço de criação, pensamento crítico, educação e construção da cidadania.

Mais do que um festival, o FESTECA consolida-se como um movimento permanente de valorização da arte teatral, contribuindo para a afirmação de Angola no panorama cultural internacional.

Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola.

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