Tributo em Luanda reúne vozes e memórias do semba para honrar um dos maiores nomes da música nacional
A MEMÓRIA QUE CANTA MAIS ALTO
Luanda volta a render-se à força do semba com a homenagem a Bernardo Jorge “Bangão”, figura incontornável da música angolana, no programa Caldo do Poeira, promovido pela Rádio Nacional de Angola (RNA).
O tributo, realizado no quintal do Cefojor, reuniu nomes como Mister Kim, Guilhermino, Fiel Didi, Chilola de Almeida, Mito Gaspar, Malú e Chiquinha Bangão, com o suporte instrumental da Banda Movimento, numa celebração carregada de emoção e memória.
UM LEGADO QUE RESISTE AO TEMPO
Nascido em 1962, no Sambizanga, Bangão destacou-se como um dos grandes intérpretes do semba, com uma voz marcante e letras profundamente ligadas ao quotidiano angolano.
“Bangão foi mais do que cantor — foi cronista da vida, das ruas e das emoções do povo.”
Com uma discografia composta por Sembele, Cuidado e Estou de Volta, o artista conquistou reconhecimento nacional e internacional, deixando uma marca que permanece viva mesmo após o seu falecimento, em 2015, na África do Sul.
CALDO DO POEIRA: PALCO DA HISTÓRIA VIVA
O projecto Caldo do Poeira afirma-se como uma das mais importantes plataformas de valorização da música angolana, resgatando vozes e ritmos que moldaram gerações.
“Mais do que um espectáculo, o Caldo do Poeira é um arquivo vivo da música angolana.”
Desde o seu regresso, em 2025, a iniciativa já homenageou nomes como David Zé, Urbano de Castro, Artur Nunes, Tony do Fumo, Zecax e Carlos Burity, consolidando-se como um espaço de preservação da memória cultural.
A transmissão em directo pela RNA permitiu que o tributo chegasse a todo o país, reforçando o alcance e a importância do projecto.
NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI | CULTURA
A homenagem a Bangão representa mais do que um acto simbólico — é uma reafirmação da cultura como pilar essencial da identidade e coesão social em Angola.
O impacto social de iniciativas como o Caldo do Poeira manifesta-se na valorização dos artistas nacionais e na preservação da memória colectiva, permitindo que novas gerações conheçam e se reconheçam na sua própria história.
Culturalmente, o semba assume-se como um elemento estruturante, capaz de traduzir vivências, resistências e aspirações de um povo. Ao resgatar figuras como Bangão, reforça-se a necessidade de proteger e promover o património imaterial angolano.
Num contexto de globalização acelerada, projectos desta natureza funcionam como âncoras culturais, garantindo que a identidade nacional continue viva, dinâmica e partilhada.
Bangão permanece, assim, não apenas como memória, mas como presença activa na construção cultural do país.
FONTE: O País | Rede Nacional
Alinhamento Editorial – Classe CULTURA: PRESSdigi.ao

Deixe um comentário