Construção Colectiva do 7.º Relatório Nacional da Biodiversidade: Angola reforça compromisso ambiental

Workshop técnico em Luanda mobiliza Governo, academia e sociedade civil para alinhar políticas nacionais às metas globais de conservação e sustentabilidade

LUANDA — Angola deu mais um passo estratégico na consolidação da sua agenda ambiental com a realização do Workshop Técnico de Consulta e Contribuição para a elaboração do 7.º Relatório Nacional da Biodiversidade, promovido pelo Ministério do Ambiente, através do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC).

O encontro, que decorreu entre os dias 24 e 25 de Março, numa unidade hoteleira de Luanda, reúne representantes de instituições públicas, académicos, organizações não-governamentais e parceiros técnicos, num exercício colectivo de avaliação e projecção das políticas ambientais do país.

A iniciativa visa recolher dados oficiais e sistematizar informações relativas às acções implementadas entre 2019 e 2025, com impacto directo na biodiversidade, bem como avaliar o cumprimento dos Objectivos Nacionais da Estratégia de Biodiversidade (NBSAP) e das metas globais estabelecidas no quadro de Kunming-Montreal.

Na sessão de abertura, o Secretário de Estado para o Ambiente, Yuri Valter de Sousa Santos, em representação da Ministra Ana Paula de Carvalho Pereira, destacou o carácter participativo do processo, sublinhando que “o sucesso deste relatório depende do contributo conjunto de todos os sectores”, numa clara chamada à responsabilidade colectiva.

O governante reforçou ainda a necessidade de uma leitura crítica sobre os avanços e desafios do sector, defendendo que o país deve avaliar o impacto real das acções, identificar falhas e promover ajustes estruturais, alinhando Angola com os compromissos ambientais internacionais.

Durante o primeiro dia, foram apresentados relatórios e contribuições de entidades como a Fundação Kissama, ACADIR e Eco-Angola, num exercício técnico que cruza conhecimento científico, experiência de campo e políticas públicas.

A diversidade dos participantes — que inclui órgãos ministeriais, pontos focais das Convenções Multilaterais de Ambiente e organizações da sociedade civil — evidencia a dimensão transversal da biodiversidade enquanto pilar estratégico para o desenvolvimento sustentável.


NOTA EDITORIAL — PRESSDIGI (Sociedade Global)

Num tempo em que as alterações climáticas e a degradação ambiental deixam de ser previsões para se tornarem realidades quotidianas, iniciativas como esta posicionam Angola numa trajectória de responsabilidade global e maturidade institucional.

Mais do que um relatório técnico, este processo representa um instrumento de soberania ambiental, onde o conhecimento local se cruza com compromissos internacionais, permitindo ao país afirmar-se como actor activo na defesa dos ecossistemas.

O impacto social é directo: proteger a biodiversidade é garantir segurança alimentar, preservar modos de vida tradicionais e assegurar recursos naturais para as futuras gerações. Ao mesmo tempo, a aposta na educação ambiental torna-se inevitável, pois só com cidadãos conscientes será possível transformar políticas em práticas sustentáveis.

A construção colectiva do relatório revela, ainda, uma mudança de paradigma — de uma governação centralizada para uma abordagem participativa, onde Estado, sociedade civil e comunidade científica caminham lado a lado.

Num país com enorme riqueza natural, o verdadeiro desafio não está apenas em conservar, mas em educar para conservar.


FONTE: Ministério do Ambiente – MINAMB
ALINHAMENTO EDITORIAL: Sociedade Global | Pressdigi