ARTE & TEATRO
O histórico grupo Elinga Teatro assinala mais um aniversário da sua trajectória artística e cultural com a realização do Festival Internacional de Teatro e Artes de Luanda, entre os dias 19 e 30 de Maio de 2026, numa programação multidisciplinar que reúne teatro, dança, cinema, literatura, música, artes plásticas e workshops criativos.
Fundado oficialmente a 21 de Maio de 1988, o Elinga Teatro consolidou-se como uma das mais importantes referências do teatro angolano contemporâneo, mantendo viva uma linha contínua de intervenção cultural iniciada ainda nos anos pós-independência com os grupos Tchinganje, Xilenga-Teatro e o Grupo de Teatro da Faculdade de Medicina de Luanda.
Um palco histórico de resistência cultural na Baixa de Luanda
Instalado no emblemático edifício do antigo Colégio das Beiras, na Baixa de Luanda, classificado como património histórico-cultural desde 1981, o Elinga Teatro transformou-se ao longo de quase quatro décadas num espaço permanente de criação artística, experimentação cénica e valorização da identidade cultural angolana.
Sob direcção artística de José Mena Abrantes, o colectivo construiu um percurso marcado pelo resgate dos valores tradicionais angolanos, pela pesquisa de novas linguagens cénicas e pela abertura ao repertório teatral universal.
Mais do que um espaço de teatro, o Elinga tornou-se um verdadeiro centro de intercâmbio cultural africano e lusófono, acolhendo exposições, concertos, lançamentos literários, ciclos de cinema, dança contemporânea e debates sobre memória, identidade e transformação social.
Programação reúne Angola, Brasil, Moçambique, Portugal e Espanha
A edição 2026 do festival apresenta uma programação internacional diversificada, envolvendo criadores e companhias de Angola, Brasil, Portugal, Moçambique e Espanha.
Entre os destaques da agenda estão:
Teatro angolano em diálogo com África e a diáspora
O Grupo Elinga Teatro sobe ao palco no dia 21 de Maio, data do aniversário da companhia, com o espectáculo “O Pássaro e a Morte”, tríptico teatral de José Mena Abrantes que revisita o absurdo humano, os conflitos sociais e a presença simbólica da morte na sociedade contemporânea.
A programação inclui igualmente peças como:
- “Ekatombe”, do Grupo Affro Teatro;
- “Nandyala ou A Tirania dos Monstros”, inspirado num conto tradicional Nyaneka;
- “Vários Mares”, proposta experimental do Grupo Bimphadi;
- “O 6º Andar”, do Amazonas Teatro;
- “Os Monólogos da Vagina”, produção da Bucos Produções;
- “As Substitutas”, encenada pelo Grupo Mbéu, de Moçambique.
Cinema, memória e identidade africana
O cinema angolano também marca presença com a exibição da longa-metragem “Meu Semba”, de Hugo Salvaterra e da produtora Geração 80, obra que presta homenagem à música, à poesia urbana e à resistência cultural em Luanda contemporânea.
A programação cinematográfica integra ainda a exibição do clássico espanhol “El Viaje a Ninguna Parte”, reforçando a ligação entre teatro, memória e linguagem audiovisual.
Artes plásticas e fotografia contemporânea
O festival acolhe exposições de nomes incontornáveis da arte angolana contemporânea, como Kiluanji Kia Henda e António Ole.
A exposição “Não Há Luz Dentro do Espelho” apresenta ensaios fotográficos derivados das curtas-metragens de Kiluanji Kia Henda, explorando temas como memória colonial, corpo, história e pós-memória africana.
Já António Ole apresenta uma nova fase criativa marcada pela superação pessoal, depois de voltar a pintar utilizando a mão esquerda, numa demonstração de resiliência artística e reinvenção humana.
Formação, literatura e criação cénica
O festival integra ainda workshops de criação cénica orientados por Pedro Vilela, com foco em teatro documental, dramaturgia contemporânea e construção artística baseada em arquivos, testemunhos e memória social.
Na literatura, destaque para o lançamento da obra “Sentir e Pensar o Teatro em Angola”, em dois volumes, da autoria de José Mena Abrantes, reunindo reflexões sobre a história, teoria e prática teatral no país.
O Elinga como símbolo de continuidade cultural
Ao longo dos anos, o Elinga Teatro consolidou-se como um dos raros espaços culturais independentes de resistência artística contínua em Angola, sobrevivendo a transformações urbanas, desafios económicos e mudanças sociais profundas.
A edição 2026 do Festival Internacional de Teatro e Artes reafirma o papel do Elinga como espaço de pensamento crítico, intercâmbio cultural e valorização das artes africanas contemporâneas, mantendo viva a ligação entre tradição, experimentação e identidade.
O cartaz desta edição presta homenagem ao artista plástico Marco Kabenda (1974-2025), figura marcante do universo cultural angolano, cuja memória permanece ligada à história afectiva e artística do Elinga Teatro.
Fonte: REDE NACIONAL | Elinga Teatro
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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