Formação académica na diáspora reforça visão sobre o futuro agrícola de Angola

SOCIEDADE ALÉM FRONTEIRAS | AGRONEGOCIO

Jovem angolano no Brasil acredita na agricultura como motor de transformação nacional

Entre os desafios da diáspora e o compromisso com o desenvolvimento nacional, o jovem angolano Armando Paulo encontrou na Agronomia uma missão de vida. Actualmente residente na cidade de Curitibanos, no Sul do Brasil, o estudante finalista da Universidade Federal de Santa Catarina acredita que a agricultura pode tornar-se uma das principais forças de transformação económica e social de Angola.

Natural do Sambizanga, em Luanda, Armando Paulo, de 30 anos, representa uma nova geração de jovens angolanos que apostam na formação internacional como ferramenta de capacitação, inovação e retorno estratégico ao país.

“Saí de Angola para estudar, mas também para compreender como outras nações desenvolveram sectores fundamentais da economia. Hoje acredito profundamente que a agricultura pode transformar Angola”, afirmou.

Da Engenharia Mecânica à descoberta da Agronomia

A trajectória académica do jovem começou em Luanda, onde frequentou a Escolinha do Professor Santo, o Colégio Adventista e o Colégio Jericó, concluindo posteriormente a 9.ª classe. Prosseguiu os estudos no Instituto Médio Industrial de Luanda “Makarenko”, na área de refrigeração e climatização.

Inicialmente vocacionado para a Engenharia Mecânica, ingressou na Universidade Agostinho Neto, mas uma oportunidade de bolsa de estudo para o Brasil acabaria por mudar completamente o rumo da sua formação.

Sem grande interesse inicial pela Agronomia, Armando decidiu aceitar o desafio. Hoje, reconhece que essa decisão redefiniu a sua visão sobre o papel estratégico da agricultura no desenvolvimento das nações.

Brasil despertou nova consciência sobre o agronegócio

Ao chegar ao Brasil, sobretudo numa região fortemente ligada ao agronegócio, o estudante angolano passou a compreender a dimensão científica, tecnológica e económica da agricultura moderna.

O contacto com produtores rurais, investigadores e profissionais do sector revelou-lhe um modelo de desenvolvimento baseado em inovação, produtividade e sustentabilidade.

“Foi aqui que percebi que a agricultura vai muito além do trabalho no campo. É ciência, tecnologia, investigação, desenvolvimento económico e segurança alimentar”, explicou.

Segundo Armando Paulo, o exemplo brasileiro demonstra que o investimento estruturado no sector agrícola pode transformar economias inteiras e gerar impacto directo no emprego, na industrialização e no combate à pobreza.

Angola possui potencial agrícola estratégico

Na visão do jovem estudante, Angola reúne condições naturais privilegiadas para se tornar uma referência agrícola no continente africano.

Com vastas extensões de terras férteis, abundância de recursos hídricos e condições climáticas favoráveis, o país possui bases sólidas para desenvolver uma agricultura moderna, sustentável e competitiva.

“O nosso país tem tudo para crescer no sector agrícola. Precisamos de mais investimento, formação técnica, investigação científica e políticas públicas consistentes voltadas para o campo”, defendeu.

Armando considera igualmente fundamental que a juventude angolana passe a olhar para a agricultura como um sector estratégico, capaz de gerar riqueza, inovação e independência económica.

Juventude da diáspora e compromisso com Angola

A experiência internacional, segundo o estudante, reforçou ainda mais o sentimento de responsabilidade em relação ao futuro de Angola.

Para Armando Paulo, muitos jovens angolanos na diáspora carregam consigo o desejo de regressar e aplicar os conhecimentos adquiridos em benefício do país, contribuindo para sectores prioritários como agricultura, indústria, educação e tecnologia.

A sua trajectória simboliza não apenas um percurso académico de superação, mas também a visão de uma juventude comprometida com soluções sustentáveis e com a construção de uma Angola mais produtiva e preparada para os desafios do futuro.

Fonte Principal: REDE NACIONAL | Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao