Fórum Angola–União Europeia destaca potencial estratégico do corredor logístico

INTERCÂMBIO ECONÓMICO & DESENVOLVIMENTO

Fórum Angola–União Europeia destaca potencial estratégico do corredor logístico

O Executivo angolano reiterou, esta terça-feira, em Luanda, o convite aos empresários europeus para aprofundarem os investimentos em Angola, com especial atenção às oportunidades emergentes associadas ao Corredor do Lobito, considerado um dos principais eixos estratégicos de desenvolvimento económico regional.

O posicionamento foi reforçado durante o 3.º Fórum de Negócios Angola–União Europeia, realizado nos dias 5 e 6 de Maio de 2026, reunindo cerca de 900 participantes, entre representantes institucionais, investidores, bancos multilaterais e mais de 200 empresas europeias interessadas em projectos estruturantes ligados à logística, agricultura, energia e infra-estruturas.

Corredor do Lobito assume dimensão continental

O Corredor do Lobito é actualmente visto como uma das mais importantes plataformas logísticas e comerciais do continente africano, ligando o Porto do Lobito às regiões mineiras da República Democrática do Congo e da Zâmbia.

A iniciativa integra os esforços de modernização ferroviária, portuária e industrial de Angola, posicionando o país como ponto estratégico para o comércio regional e internacional.

Além da componente mineira, o corredor abre espaço para investimentos ligados ao agronegócio, agro-indústria, armazenamento, transporte e desenvolvimento de cadeias produtivas locais.

União Europeia reforça presença económica em Angola

Durante o fórum, representantes da União Europeia reafirmaram o interesse em fortalecer as relações económicas com Angola através da estratégia Global Gateway, programa europeu voltado ao financiamento de infra-estruturas sustentáveis e conectividade internacional.

Dados apresentados no encontro indicam que o stock de investimento directo estrangeiro europeu em Angola registou crescimento de 21% entre 2019 e 2024, demonstrando o interesse crescente do empresariado europeu pelo mercado angolano.

AgroInvest e novos financiamentos impulsionam sector agrícola

Entre os projectos destacados esteve o AgrInvest, iniciativa em preparação que prevê a conjugação de fundos da União Europeia com financiamento de instituições financeiras internacionais para apoiar produtores locais e empresas agrícolas instaladas ao longo do Corredor do Lobito.

O programa procura incentivar a produção alimentar, fortalecer cadeias logísticas e promover a inclusão de pequenos e médios produtores no desenvolvimento económico regional.

Infra-estruturas e logística concentram investimentos

O Executivo angolano prevê a implementação de cerca de 100 projectos estruturantes ligados ao corredor, com investimentos estimados em aproximadamente seis mil milhões de dólares.

As iniciativas abrangem modernização ferroviária, expansão portuária, logística integrada, energia, telecomunicações e infra-estruturas complementares para dinamizar o ambiente de negócios e facilitar o escoamento de mercadorias.

Instituições financeiras reforçam confiança no projecto

O fórum contou igualmente com a presença de instituições financeiras internacionais como o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e a International Finance Corporation (IFC), entidades que reafirmaram apoio ao financiamento de parcerias público-privadas e programas de desenvolvimento económico sustentável em Angola.

A participação destas instituições reforça a confiança internacional no potencial estratégico do Corredor do Lobito enquanto plataforma de integração regional e crescimento económico africano.

Corredor do Lobito como instrumento de integração africana

Além da dimensão económica, o Corredor do Lobito é igualmente visto como instrumento de integração continental, fortalecendo as ligações comerciais entre Angola, África Austral e os mercados internacionais.

O projecto enquadra-se nos esforços africanos de desenvolvimento de infra-estruturas regionais e promoção da industrialização, contribuindo para geração de emprego, circulação de mercadorias e fortalecimento da cooperação económica entre países africanos.

Fonte: REDE NACIONAL | REDE INTERNACIONAL | Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao