Da infância nos coros da igreja no Huambo aos palcos nacionais, artista afirma identidade cultural e inspira novas gerações através da música tradicional
Huambo — Entre tambores, vozes e memórias ancestrais, nasce uma trajetória que hoje ecoa como símbolo de resistência cultural. Mana Yana, cantora angolana oriunda do Huambo, tem vindo a afirmar-se como uma das principais guardiãs do folclore nacional, transformando a música em instrumento de preservação da identidade e afirmação cultural.
Crescida no seio da Igreja Evangélica Congregacional de Angola (IECA), na Bomba Alta, a artista revelou desde cedo uma forte ligação com a música, liderando coros infantis e juvenis. A sua caminhada ganhou novos contornos na adolescência, ao integrar a Sociedade Média Joice, onde começou a compor temas gospel, dando os primeiros passos na criação artística.
O ponto de viragem surge com o encontro com o músico Justino Handanga, que lhe entrega a canção “Amolangue”, marco inicial de uma carreira que rapidamente conquistaria o público.
“A música é sua”, disse-lhe o mentor — frase que viria a tornar-se símbolo de confiança e impulso para a artista.
A estreia no município do Bailundo revelou ao público uma voz singular, profundamente enraizada na tradição. Desde então, Mana Yana não mais parou, acumulando convites e consolidando o seu espaço no panorama musical angolano.
Folclore como resistência e identidade
Num contexto marcado por preconceitos e desafios, especialmente para mulheres que optam por cantar em línguas nacionais, a artista enfrentou barreiras com firmeza e convicção.
“Não podemos deixar que o nosso folclore fique para trás. É a nossa identidade cultural”, afirma.
A sua trajectória cruza-se com nomes de referência como Moniz de Almeida e Na Grelha, reforçando o reconhecimento do seu talento e da sua missão cultural. Inspirada por figuras como Chinina e ViñiViñi, Mana Yana assume-se como continuidade de um legado que transcende gerações.
Entre palco, estudo e serviço público
Para além da música, a artista constrói uma vida multifacetada: é funcionária pública, estudante universitária e uma voz activa na promoção da cultura angolana. Em 2017 lançou o seu primeiro disco, seguido de um segundo trabalho em 2022, ambos registados oficialmente.
Hoje, prepara novos projectos com uma abordagem mais madura e estratégica.
“Agora penso mais, quero oferecer algo novo aos apreciadores da minha música”, sublinha.
Um legado em construção
Mais do que cantar, Mana Yana constrói uma narrativa cultural. A sua missão é clara: eternizar o folclore e inspirar novas gerações a reconhecerem-se nas suas raízes.
“Eu canto para que o folclore viva e para que cada geração encontre eco nas raízes que nos definem.”
NOTA EDITORIAL — Pressdigi
A trajectória de Mana Yana evidencia o papel transformador da arte como instrumento de preservação cultural e coesão social. Num contexto de globalização acelerada, onde identidades locais enfrentam riscos de diluição, iniciativas individuais como esta tornam-se pilares fundamentais na salvaguarda do património imaterial.
O seu percurso revela também a importância do empoderamento feminino nas artes, sobretudo em áreas tradicionalmente marcadas por estigmas. Ao afirmar-se através das línguas nacionais e do folclore, Mana Yana contribui para a revalorização das expressões culturais angolanas e para a construção de uma narrativa mais inclusiva e representativa.
No eixo do intercâmbio cultural, o seu trabalho abre portas para a internacionalização da música tradicional, posicionando Angola no mapa global não apenas pela modernidade, mas pela profundidade das suas raízes.
Citações em destaque:
“A música é sua.”
“Não podemos deixar que o nosso folclore fique para trás.”
“Eu canto para que o folclore viva.”
Alinhamento Editorial: ARTE & Cultura — Pressdigi
Fonte: Jornal de Angola | Rede Nacional

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