Martinho da Vila despede-se dos palcos em turnê histórica ao lado de Mart’nália

Projeto “Pai e Filha” celebra legado, afecto e a força da cultura afro brasileira em palcos emblemáticos

CULTURA — Música, Legado e Intercâmbio

O samba brasileiro ganha um novo e marcante capítulo com o anúncio da turnê “Pai e Filha”, que reúne Martinho da Vila e Mart’nália numa série de concertos inéditos que assinalam a despedida do veterano artista das grandes digressões.

O projecto, carregado de simbolismo, coloca frente a frente duas gerações de uma mesma linhagem artística, unidas não apenas pelo sangue, mas pela música, pela história e pela construção de um legado que atravessa décadas.

As primeiras apresentações estão confirmadas para São Paulo, a 16 de Maio, e no Rio de Janeiro, a 30 do mesmo mês, com direcção artística da Groove Produções e venda de ingressos através da plataforma Ticketmaster.


Um encontro de gerações no palco

Mais do que um espectáculo, “Pai e Filha” propõe uma celebração íntima e colectiva, onde clássicos consagrados se cruzam com momentos inéditos, revelando cumplicidade artística e afectiva entre pai e filha.

Mart’nália, que cresceu entre rodas de samba e bastidores musicais, afirma-se hoje como uma das vozes mais respeitadas da música brasileira contemporânea, reforçando a continuidade de uma herança cultural profundamente enraizada.


Mini Biografia — Um pilar da música brasileira

Martinho da Vila, nascido Martinho José Ferreira em 1938, é uma das figuras mais emblemáticas do samba e da música popular brasileira (MPB).

Com uma carreira sólida e transversal, destacou-se por sucessos como “Casa de Bamba”, “Mulheres”, “Canta Canta, Minha Gente” e “Devagar, Devagarinho”, além de ter sido o primeiro sambista a ultrapassar a marca de um milhão de cópias vendidas com o álbum Tá Delícia, Tá Gostoso.

Para além da música, é também escritor e pensador, contribuindo activamente para a valorização da cultura negra e da identidade brasileira.


Angola na rota do samba e da ancestralidade

A relação de Martinho da Vila com Angola é profunda e histórica, sendo frequentemente reconhecido como um verdadeiro embaixador cultural entre os dois países.

Desde a sua primeira visita em 1969, passando pelo emblemático Projecto Kalunga e pelo Festival Canto Livre de Angola, até às recentes celebrações dos 50 anos da Independência em 2025, o artista consolidou uma ponte viva entre o samba brasileiro e o semba angolano.

No seu repertório, destacam-se influências directas da matriz africana, com canções que resgatam raízes bantu e reafirmam a ligação ancestral entre os povos.


Nota Editorial | PRESSdigi.ao

A trajectória de Martinho da Vila ultrapassa a dimensão artística para se afirmar como um verdadeiro elo de ligação entre Angola e o Brasil. A sua caminhada é testemunho vivo de uma relação construída na base da memória, da cultura e da ancestralidade comum.

Ao despedir-se dos grandes palcos ao lado da sua filha, o artista não encerra apenas um ciclo — reafirma uma herança que continua a ecoar nas novas gerações. É, sem dúvida, uma das maiores referências da cooperação cultural entre povos irmãos e um símbolo maior da conexão histórica que une Angola e Brasil através da música.


Fonte: Site Mundo Negro/Internacional Rede
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao