Memorial Agostinho Neto revisita julgamento dos mercenários de 1976 com exibição de documentário histórico

MEMÓRIA HISTÓRICA & CINEMA DOCUMENTAL

Obra do realizador italiano Carlo Lizzani recorda um dos episódios mais marcantes da defesa da soberania angolana

O Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, acolhe amanhã a exibição do documentário realizado pelo cineasta italiano Carlo Lizzani, dedicado ao julgamento dos mercenários estrangeiros envolvidos em actos contra a soberania da República Popular de Angola em 1976.

A iniciativa acontece no contexto das celebrações dos 50 anos daquele processo histórico, considerado um dos momentos mais emblemáticos da afirmação da independência e da defesa da integridade territorial do país.

Exibição reúne investigadores e testemunhas do processo

A sessão contará com a presença da historiadora norte-americana Marissa Moorman, da fotógrafa e jornalista italiana Augusta Conchiglia, bem como de alguns sobreviventes que participaram directamente nos acontecimentos e no processo judicial realizado na década de 1970.

O encontro pretende proporcionar uma reflexão histórica sobre um episódio que marcou os primeiros anos da independência nacional e contribuiu para consolidar a posição de Angola perante a comunidade internacional.

Julgamento histórico mobilizou a atenção mundial

Em Junho de 1976, o Tribunal Popular Revolucionário julgou 13 mercenários estrangeiros, acusados de crimes contra a paz e de atentados à soberania nacional.

Entre os réus encontravam-se nove cidadãos britânicos, três norte-americanos e um irlandês, envolvidos em acções militares no contexto da guerra que se seguiu à independência de Angola.

O processo teve início a 11 de Junho daquele ano e terminou oficialmente no dia 28, com a leitura das sentenças.

Condenações marcaram a defesa da soberania nacional

Entre os condenados encontrava-se o líder do grupo, Costa Georgiou, conhecido internacionalmente como “Callan”, que, juntamente com outros três réus, recebeu a pena máxima por fuzilamento.

Os restantes acusados foram condenados a penas de prisão que variaram entre 16 e 30 anos.

Cinema e memória preservam a história de Angola

A exibição do documentário de Carlo Lizzani representa mais um esforço de preservação da memória histórica nacional, permitindo às novas gerações conhecerem acontecimentos que influenciaram a construção do Estado angolano e a afirmação da sua soberania.

O evento reforça igualmente o papel do cinema documental como instrumento de educação, investigação e valorização do património histórico do país.

Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao