Mulheres do kuduro unem-se para preservar memória e fortalecer protagonismo feminino

União das Mulheres Kuduristas de Angola nasce em Luanda para valorizar a participação feminina na história, evolução e afirmação de um dos principais movimentos da cultura urbana angolana

LUANDA — Um grupo de mulheres ligadas ao kuduro criou, em Luanda, a União das Mulheres Kuduristas de Angola (UMKA), associação que surge com o propósito de reconhecer e valorizar o contributo feminino para a construção, evolução e afirmação do género musical e do movimento cultural que se tornou uma das principais expressões da cultura urbana angolana.

Criada recentemente, a organização reúne mulheres ligadas à dança, música e outras áreas associadas ao kuduro, procurando ampliar a participação feminina, fortalecer redes de colaboração e preservar a memória das mulheres que contribuíram para diferentes momentos da trajectória do género.

UMKA COLOCA A MULHER NO CENTRO DA MEMÓRIA DO KUDURO

Entre os principais objectivos da UMKA está a recuperação da presença feminina na narrativa histórica do kuduro.

Para as promotoras, a evolução do género não pode ser contada apenas a partir dos nomes e trajectórias masculinas. A participação de mulheres na dança, na música, na criação artística e na dinamização das comunidades também constitui parte importante da memória cultural do movimento.

A associação pretende, deste modo, criar mecanismos para identificar, reconhecer e preservar as histórias de mulheres kuduristas, contribuindo para que diferentes gerações conheçam o seu papel na consolidação do género.

PIONEIRAS DA DANÇA NA ORIGEM DA INICIATIVA

A UMKA tem entre as suas referências fundadoras duas pioneiras da dança kuduro: Henriqueta Manuel, artisticamente conhecida por “Vaca Louca”, e Cleópatra Pinto, conhecida por “Betinha”.

A participação destas figuras estabelece uma ligação directa com diferentes momentos da história da dança associada ao kuduro e reforça a intenção da associação de preservar referências que contribuíram para a formação da cultura urbana angolana.

A iniciativa procura igualmente aproximar diferentes gerações de mulheres que continuam a produzir, interpretar e reinventar o kuduro.

KUDURO COMO PATRIMÓNIO DA CULTURA URBANA

O kuduro ocupa uma posição particular na história recente da cultura angolana.

Nascido e desenvolvido nos espaços urbanos, o movimento ultrapassou progressivamente as fronteiras da música e da dança, tornando-se também uma linguagem de identidade, criatividade, comportamento, moda, juventude e expressão social.

A UMKA pretende contribuir para que essa dimensão cultural seja valorizada e documentada, reconhecendo o género como parte da memória contemporânea de Angola.

DANÇA E MÚSICA COMO FERRAMENTAS DE INTERVENÇÃO SOCIAL

Para além da valorização artística, a associação estabelece como objectivo utilizar a música e a dança como instrumentos de união, educação, solidariedade e intervenção sociocultural.

A proposta amplia, assim, o papel do kuduro para além do entretenimento, reconhecendo a sua capacidade de mobilizar comunidades, transmitir mensagens e criar oportunidades de participação cultural.

Neste sentido, a UMKA poderá funcionar como espaço de articulação entre artistas, criadoras, dançarinas, produtoras e outras profissionais ligadas ao universo do kuduro.

MAIS VISIBILIDADE PARA AS MULHERES KUDURISTAS

A criação da organização responde igualmente à necessidade de aumentar a visibilidade das mulheres que actuam no sector.

Ao reunir diferentes profissionais e criadoras, a UMKA procura fortalecer a presença feminina num movimento cultural cuja expansão nacional e internacional contribuiu para projectar novas linguagens da juventude angolana.

A valorização dessa participação poderá também contribuir para abrir novas oportunidades nos domínios da formação, produção cultural, empreendedorismo artístico, documentação e circulação de projectos.

MEMÓRIA COMO INSTRUMENTO DE TRANSMISSÃO

Um dos aspectos centrais da iniciativa está relacionado com a preservação da memória.

Registar trajectórias, nomes, experiências e contributos de mulheres que participaram nas diferentes fases do desenvolvimento do kuduro permite criar uma base de conhecimento para as novas gerações.

A memória cultural deixa, assim, de ser apenas um exercício de reconhecimento do passado e transforma-se num instrumento para compreender o presente e orientar a continuidade do movimento.

UMA NOVA AGENDA PARA O KUDURO FEMININO

A criação da UMKA abre uma nova frente de organização e representação das mulheres ligadas ao kuduro.

A associação poderá contribuir para aproximar artistas de diferentes áreas e gerações, estimular iniciativas de formação e criar espaços de debate sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na indústria cultural.

A consolidação dessa agenda dependerá, entretanto, da capacidade de transformar os seus objectivos em programas permanentes de documentação, capacitação, produção artística e intervenção comunitária.

LEITURA PRESSDIGI | QUEM CONTA A HISTÓRIA DO KUDURO?

Na perspectiva editorial do PRESSdigi, o surgimento da UMKA representa mais do que a criação de uma nova associação cultural.

É também uma oportunidade para questionar quem preserva a memória da cultura urbana angolana e quem aparece nas narrativas sobre a sua construção.

Ao colocar as mulheres no centro da história do kuduro, a iniciativa contribui para ampliar o olhar sobre um movimento que faz parte da identidade cultural contemporânea de Angola.

Preservar essas trajectórias significa reconhecer que a história do kuduro também foi construída por mulheres que dançaram, cantaram, criaram, ensinaram, organizaram e abriram caminhos.

A UMKA nasce, assim, com o desafio de transformar reconhecimento em acção e memória em património vivo.


FICHA | UMKA

Designação: União das Mulheres Kuduristas de Angola — UMKA
Local de criação: Luanda, Angola
Área: Cultura urbana, música e dança
Principais sectores: Kuduro, dança, música, memória cultural e intervenção sociocultural
Pioneiras associadas à iniciativa: Henriqueta Manuel “Vaca Louca” e Cleópatra Pinto “Betinha”
Objectivos: Valorização das mulheres kuduristas, preservação da memória histórica do kuduro, promoção cultural, educação, solidariedade e intervenção sociocultural

FONTE E ENQUADRAMENTO EDITORIAL

Fonte principal: REDE NACIONAL | Jornal de Angola | PRESSreader

Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

Classe / Tema: CULTURA | MÚSICA | KUDURO | MULHERES NA CULTURA | CULTURA URBANA | MEMÓRIA E IDENTIDADE