Escritor angolano conquista Prémio Álvaro Magalhães no Onomatopeia 2026, em Valongo
CULTURA | LITERATURA & PROJEÇÃO INTERNACIONAL
A literatura angolana volta a afirmar-se no espaço internacional com a distinção do escritor Ondjaki, um dos vencedores da 8.ª edição do Festival de Literatura Infantojuvenil Onomatopeia, realizado entre os dias 13 e 19 de Abril de 2026, na cidade de Valongo, em Portugal.
Reconhecimento ibérico e valorização da escrita infantojuvenil
Ondjaki foi galardoado ex aequo com o escritor português Sandro William Junqueira, no âmbito do Prémio Ibérico de Literatura Infantojuvenil Álvaro Magalhães, uma distinção que reconhece anualmente as melhores obras publicadas em língua portuguesa ou espanhola.
A conquista reafirma o lugar de destaque da escrita angolana no universo literário contemporâneo, sobretudo no segmento infantojuvenil, onde a narrativa assume papel fundamental na formação crítica, emocional e cultural das novas gerações.
Obras premiadas e abordagem literária
Entre as obras destacadas, sobressai o livro de Ondjaki “Porque É Que Os Olhos Não Veem Por Dentro”, ilustrado por Constança Duarte, que se impõe pela sensibilidade narrativa e pela capacidade de provocar reflexão num tempo marcado pela velocidade e pelo excesso de estímulos visuais.
Por sua vez, “Quebra-Cabeças”, de Sandro William Junqueira, ilustrado por Rachel Caiano, foi igualmente reconhecido pela sua abordagem que cruza humor, pensamento filosófico e exploração da mente como território de descoberta.
Ambas as obras foram valorizadas pelo júri pela forma como desaceleram o olhar contemporâneo, propondo espaços de escuta, introspecção e imaginação.
Festival Onomatopeia: plataforma de encontro literário
Sob o lema “Livres e Indomáveis”, o festival reuniu cerca de 70 horas de programação, incluindo oficinas, debates, encontros entre autores e actividades educativas, consolidando-se como um espaço de promoção da literatura para públicos jovens.
A edição de 2026 prestou homenagem ao escritor José Jorge Letria e contou com a participação de autores de diversos países, incluindo Portugal, Espanha, Brasil, Angola, Moçambique e Zimbabué, reforçando o carácter multicultural e inclusivo do evento.
Literatura como ferramenta de equilíbrio contemporâneo
No contexto actual, marcado pela predominância das tecnologias digitais e da comunicação instantânea, o júri do prémio destacou o papel da literatura como instrumento de equilíbrio, defendendo a leitura como espaço de construção emocional e social para os mais jovens.
A distinção de Ondjaki insere-se, assim, numa dinâmica mais ampla de valorização da palavra escrita como veículo de pensamento crítico e de preservação de identidades culturais.
Projeção internacional da literatura angolana
A presença e reconhecimento de autores angolanos em palcos internacionais continuam a contribuir para a afirmação da literatura nacional como uma das mais relevantes no panorama lusófono.
No caso de Ondjaki, a distinção reforça um percurso já consolidado, marcado por uma escrita que transita entre o universo infantil e adulto, sempre com forte ligação à memória, à oralidade e à identidade africana.
Fonte: Público PT | Rede Internacional | Rede Nacional
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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