Pequena África acolhe diplomacia togolesa e reforça pontes entre África e diáspora

Encontro no Rio de Janeiro destaca memória histórica, espiritualidade e cooperação afrocentrada

A região histórica da Pequena África, no Rio de Janeiro, acolheu, no dia 8 de Abril, o ministro dos Negócios Estrangeiros, da Integração Regional e dos Togoleses no Exterior do Togo, Robert Dussey, numa agenda marcada por encontros institucionais, partilha de saberes e reforço das ligações entre o continente africano e a sua diáspora.

A iniciativa reuniu representantes da sociedade civil brasileira, incluindo membros da delegação que participou, em Dezembro último, em Lomé, numa acção coordenada pelo professor e Babalawô Ivanir dos Santos, consolidando um processo contínuo de articulação entre Brasil e África.


Memória, território e simbologia ancestral

A agenda teve início no emblemático Cais do Valongo, espaço reconhecido como património histórico da diáspora africana, onde o ministro foi recebido com uma apresentação do grupo cultural Afoxé Filhas de Gandhi do Rio de Janeiro, expressão viva da cultura afro-brasileira.

Seguiu-se um cortejo simbólico até à sede do CEAP – Centro de Articulação de Populações Marginalizadas, numa travessia que evocou memória, resistência e identidade. Durante a recepção, foram entregues ao governante togolês objectos simbólicos, incluindo um amuleto associado às energias de Oxum e Ogum, reforçando a dimensão espiritual e ancestral do encontro.


Diplomacia cultural e construção colectiva

Ao longo da programação, intelectuais, activistas e lideranças partilharam experiências e reflectiram sobre caminhos de cooperação, com enfoque na reparação histórica, justiça racial e fortalecimento de redes afro-diaspóricas.

Ivanir dos Santos destacou o simbolismo da visita ao Cais do Valongo como ponto de reconexão histórica, sublinhando a importância da preservação da memória e da construção de pontes sustentáveis entre África e os seus descendentes espalhados pelo mundo.

O encontro contou ainda com a presença da família Olímpio, que recentemente esteve no Togo para reencontro com as suas raízes familiares, num gesto que reforça os laços afectivos e históricos entre os dois lados do Atlântico.


Pensamento afrocentrado e agenda internacional

No Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Robert Dussey apresentou a conferência “Resultados do 9.º Congresso Pan-Africano e perspectivas africanas para as reparações”, abordando o papel estratégico das narrativas afrocentradas no contexto global.

O governante destacou o Brasil como a maior comunidade afro-diaspórica do mundo, sublinhando o seu potencial para liderar debates internacionais sobre justiça racial, memória histórica e desenvolvimento inclusivo.


Próximos passos: Brasil no centro do diálogo pan-africano

A escolha do Brasil como sede do próximo Congresso Pan-Africano, com financiamento da União Africana e do Governo do Togo, surge como um marco na consolidação das relações entre África e a diáspora.

A iniciativa deverá promover articulações políticas, culturais e académicas, posicionando o Rio de Janeiro como um dos principais centros globais de reflexão e acção afrocentrada.


Nota editorial | Olhar PRESSdigi

A dinâmica observada na Pequena África reafirma a centralidade dos territórios de memória como espaços vivos de diplomacia cultural e reconstrução identitária. Mais do que encontros institucionais, estes movimentos revelam uma agenda emergente onde espiritualidade, história e política se cruzam na redefinição das relações entre África e a sua diáspora.

Num contexto contemporâneo, Angola — enquanto parte integrante desta geografia histórica e cultural — encontra aqui referências importantes para o reforço das suas próprias estratégias de intercâmbio, valorização da ancestralidade e afirmação no espaço afro-global.


Fonte: Reportagem PRESSdigi – Rede Internacional
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